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29 de maio de 2024
quarta-feira, 29 de maio de 2024

Como a vida do apóstolo Paulo nos ensina sobre solidão e amizades

Por Guto Siqueira*

Você já se sentiu sozinho, solitário ou até mesmo abandonado?

A solidão tem sido um sentimento recorrente para metade da população do Brasil. De acordo com o levantamento Perceptions of the Impact of Covid-19, realizado pela Ipsos com pessoas de 28 países – sendo mil brasileiros –, 50% dos respondentes locais afirmam se sentir solitários.

Uma pesquisa realizada pelo Health Science Center, com mais de 2 mil pessoas da Universidade do Texas, revelou que, dentro do ambiente universitário, estudantes são 6 vezes mais propensos a desenvolver ansiedade e depressão, e estar solitário pode contribuir para que alguém seja afetado por tais condições.

O Apóstolo Paulo, um dos maiores líderes do cristianismo, também passou por grande solidão e abandono no final de sua vida, conforme vemos no relato bíblico em 2 Timóteo 1:15-18 e 4.9-18. E assim como ele mesmo disse em uma de suas cartas “sejam meus imitadores”, ele é um exemplo para nós de como vencer a solidão, a saudade, a ausência de pessoas queridas e até a superação de mágoas causadas por pessoas próximas. Neste texto quero falar de solidão, mas também quero falar de amigos, pois eles fazem toda a diferença em nossas vidas!

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FAZ DIFERENÇA TER AMIGOS AUSENTES

Isso aconteceu no fim da vida de Paulo. Ele já estava de idade avançada e preso numa fria masmorra romana (por isso ele pede que Timóteo traga sua capa para se aquecer – 4.13 – juntamente com seus livros, pois ele ainda queria estudar), aguardando pelo julgamento que ceifaria sua vida. Paulo, não cometera crime algum, ele estava preso por conta de seu ministério, por anunciar Jesus como Salvador e Senhor. Ele não havia feito nada de errado, mas era assim que estava vivendo aqueles que seriam seus últimos dias, pois algum tempo depois ele seria morto, decapitado, conforme a tradição cristã nos informa.

Sabe quando você se sente sozinho, mesmo rodeado por outras pessoas? Ele estava com Lucas, mas mesmo assim se sentia abandonado.

Como a vida do apóstolo Paulo nos ensina sobre solidão e amizades
Cena do filme “Paulo: Apóstolo de Cristo”, na qual o apóstolo se encontra encarcerado em prisão romana e é visitado pelo evangelista Lucas (foto: reprodução)

Ele também havia enviado seus amigos e companheiros Tito, Crescente e Tíquico para o trabalho missionário, porque a obra não podia parar mesmo que ficasse sozinho na pior hora de sua vida.

Em 2 Timóteo 1.15 ele relata que “todos” o abandonaram, incluindo Fígelo e Hermógenes, que possivelmente o ajudariam em sua defesa. Em 2 Timóteo 2.10, relata que Demas abandona a fé por amar as coisas do mundo. Paulo relata, ainda, como fora abandonado por pessoas que trabalharam ombro a ombro pelo Evangelho e que também vira pessoas amadas abandonando o Senhor. Tempos difíceis estes que Paulo viveu. E não existe nada melhor para provar os nossos corações do que tempos difíceis, revelando o que temos guardado dentro dele. Nestas dificuldades, Fígelo, Hermógenes e Demas abandonaram um amigo que sempre deu tanto de si para eles.

Talvez você esteja se identificando com Paulo neste aspecto, mas temos que tomar cuidado para que também não nos tornemos “Fígelos, Hermógenes e Demas” na vida de alguém.

Às vezes o sofrimento, a dor ou, ainda, a vergonha nos levem ao isolamento, a nos afastarmos de pessoas queridas e ambientes bons para a gente. Aprender a não se isolar no sofrimento é um ato de maturidade. Aprender a buscar amigos em meio a dificuldades te fará mais forte para suportar os dias ruins e não cair como Fígelo, Hermógenes e Demas.

Também temos que tomar cuidado para não abandonar amigos pelo caminho. Aprender a olhar ao redor e enxergar a dor dos outros também é um ato de maturidade. Aprendi com um amigo psicólogo que crianças são autorreferentes, egoístas por natureza, elas são a sua referência de mundo. Porém, quando entendemos o nosso chamado em Cristo, compreendemos que somos chamados para curar o outro enquanto Deus nos cura. Aqueles amigos fortes que sempre nos ajudam também precisam de cuidado.

 

FAZ DIFERENÇA QUANDO AMIGOS PERDOAM

Traga Marcos com você, porque ele me é útil para o ministério” (2 Tm 4.11)

Há alguns anos antes deste episódio João Marcos abandonou a Paulo e Barnabé no meio da segunda viagem missionária e Paulo ficou tão chateado com Marcos que até brigou com Barnabé, seu grande amigo e também mentor no começo de seu ministério (At 9.26,27; 11.25, 26), pois ele desejava levá-lo com eles novamente, e Paulo se opôs. Mas Colossenses 4.10 nos mostra que essa reconciliação já havia acontecido anos antes. E Paulo, arrependido, perdoa a Marcos e ainda percebe que precisava dele para a continuidade do ministério.

Quando não perdoamos, não conseguimos seguir adiante

Aqueles que mais amamos, também são aqueles que mais podem nos ferir. Porém, quando não perdoamos somos aqueles que mais sofrem, pois não conseguimos seguir adiante.

Quando perdoamos alguém conseguimos ser libertos da dor e seguimos em frente. E, nesse caso, se Paulo não o tivesse perdoado, isto prejudicaria a continuidade da obra de Deus, pois aqui ele reconhece que Marcos era útil para a continuidade do ministério.

Como a vida do apóstolo Paulo nos ensina sobre solidão e amizades
Guto Siqueira é teólogo e professor de História

Perdoar não é fácil, e eu creio que o perdão é obra de Deus em nós. Mas também creio que o perdão começa com uma decisão sua, mesmo que você não consiga (como tudo em relação a nossa luta contra o pecado, sozinhos não conseguimos!).

Ainda que a pessoa que te machucou não tenha te procurado e tenha te pedido perdão, você pode começar em seu coração colocando diante de Deus a dor que você sente ou sentiu, as feridas que ainda estejam abertas e pedir a Deus que mude a disposição de seu coração em relação a esta pessoa. Peça que Deus te cure a ponto de você não desejar mais o mal para a essa pessoa e que Ele te ajude a perdoá-la.

O perdão faz muita diferença em nossas vidas. Nos ajuda a seguir em frente, reconcilia os afastados, nos faz experimentarmos um verdadeiro milagre em nossas vidas. Que você possa experimentá-lo.

 

FAZ DIFERENÇA TER AMIGOS PRESENTES

Mesmo vivendo dias angustiantes na espera do seu julgamento, abandonado, idoso e sozinho naquela masmorra fria (4.13), Paulo pôde contar com alguns poucos bons amigos que o reanimavam, cuidavam, visitavam e consolavam em suas aflições e dificuldades como Onesíforo (1.16), que viajava de longe para encontrá-lo, e também Lucas e Timóteo, com quem se correspondia.

Deus usa pessoas

É maravilhoso sentir o cuidado de Deus em nossas vidas através de um amigo. Alguém que olhe para nós e perceba quando não estamos bem, que não nos julga e se dispõe a caminhar com a gente.

Existe um movimento no campus da Universidade Federal do Espírito Santo que me deixa maravilhado. Trata-se de grupos de estudantes cristãos que se reúnem nos intervalos das aulas sentados nos gramados, ao ar livre, em rodas de conversas, com um violão, orações e cânticos. Esses jovens conseguem arrumar tempo em suas agendas apertadas entre aulas, leituras, exercícios e estágios para se reunirem para compartilhar suas vidas, para celebrarem a Jesus ali naquele ambiente que muitas vezes é solitário e competitivo, porque eles descobriram que Deus usa pessoas.

Como a vida do apóstolo Paulo nos ensina sobre solidão e amizades
Pastor Guto participa do Identidade UFES, grupo de cristãos que se reúne na Universidade (Foto: arquivo pessoal)

Deus usa aquele abraço aconchegante de um amigo, ou envia alguém para pagar um lanche, ou manda alguém só para ouvir o seu desabafo. Deus usa pessoas, às vezes de um jeito sobrenatural, outras de maneiras muito simples, mas Deus usa pessoas!

 

SOMOS RESPONSÁVEIS UNS PELOS OUTROS 

Devemos ficar atentos para as necessidades do nosso próximo, tendo como o exemplo do cuidado mostrado por Onesíforo. Paulo diz sobre ele Procurou-me diligentemente”, “com persistência(1.17), provavelmente nem mesmo os irmãos da igreja de Roma sabiam onde ele estava escondido e Onesíforo teve trabalho para encontrá-lo. Isso não foi apenas uma   vez, mas muitas vezes” (1.16), não temendo nem mesmo a perseguição aos crentes que era ferrenha naquele tempo, motivo pelo qual os outros o abandonaram. Nem mesmo isso o impediu de ir ter com um irmão necessitado e suprir suas necessidades.

Faz muita diferença ter amigos presentes e sermos amigos presentes, cuidando das necessidades dos nossos irmãos.

 

CONCLUSÃO

A durante sua vida e ministério o apóstolo Paulo pôde contar com muitos amigos, colaboradores e pessoas fiéis, mas também sofreu com algumas decepções e pôde aprender com todas elas, perdoando amigos e experimentando a bênção do perdão. Também quando estava abandonado e com seus amigos ausentes pôde aprender que Deus sempre levanta pessoas piedosas e fiéis para trazer consolo.

Os amigos são parte essenciais de nossas vidas. As coisas tornam-se bem mais fáceis quando temos ao nosso lado uma pessoa disposta a pagar o preço e ir conosco aonde for necessário.

“Mas o Senhor permaneceu ao meu lado e me deu forças para que eu pudesse anunciar as boas-novas plenamente, a fim de que todos os gentios as ouvissem. E ele me livrou da boca do leão” (2 Timóteo 4. 17)

Que assim como Paulo, você jamais esqueça que Jesus não se esquece de você. Que você não esqueça que Ele não está indiferente ao seu sofrimento e caminha com você “pelo vale da sombra da morte”. Que você jamais deixe a vergonha por ter cometido um erro te afastar de quem realmente te ama e se importa com você. E que você jamais se esqueça de que Ele, Jesus, já pagou um alto preço por você, para que não haja mais impedimento algum para que você esteja com Ele.

*Guto Siqueira é pastor, teólogo, professor de História e apresentador do podcast Pocando Suas Ideias (Pocast)

 

 

 

 

 

 

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