Polícia desvenda sequestro de empresário em Porsche e prende sete suspeitos no ES

A Polícia Civil (PCES) divulgou nesta quarta-feira (9) o desfecho das investigações da trama por trás do sequestro de um empresário de 30 anos que estava em uma Porsche conversível em Jardim Camburi, Vitória, no dia 11 de junho. Ao todo, nove pessoas foram identificadas como envolvidas no crime. Sete foram presas e duas ainda são procuradas.

O caso foi investigado pelo Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic) e resultou na Operação “Tron”, realizada no dia 27 de agosto, na Serra, com o cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão.

As investigações revelaram que os criminosos passaram cerca de um ano monitorando a rotina do empresário. Os suspeitos acompanhavam os horários, os locais frequentados e todos os deslocamentos da vítima. Segundo a polícia, a exposição do empresário nas redes sociais também teria ajudado o grupo a conhecer os passos dele.

Sequestro assustou moradores de Vitória

Após ficarem monitorando a vítima por um ano, os suspeitos resolveram, no dia 11 de junho, colocar o plano em prática.

A vítima foi seguida, quando foi rendida ao passar por Jardim Camburi. Na ação, um dos suspeitos usou um HB20 branco para bloquear a passagem da Porsche. Na sequência, outros integrantes chegaram em um Celta e pararam atrás do veículo. Os criminosos desceram e abordaram o empresário. Segundo a investigação, eles disseram que eram policiais federais.

A vítima desconfiou da abordagem violenta e tentou escapar. Nesse momento, um dos suspeitos deu uma coronhada nela. O empresário foi colocado dentro do Celta, teve as mãos amarradas e ficou com um capuz na cabeça. Ele foi levado para uma área de mata em Jardim Carapina, na Serra, onde as ameaças continuaram.

Câmeras de prédios flagraram o crime. Veja:

Criminosos queriam fazer transferências milionárias

No local para onde o empresário foi levado, ele foi obrigado a transferir criptomoedas para uma corretora internacional, a qual os suspeitos tinham conta. Nesse momento, cerca de R$ 20 mil em criptos foram enviados.

A intenção dos criminosos, porém, era conseguir muito mais. Segundo a investigação, o grupo pretendia arrancar pelo menos R$ 5 milhões da vítima. Mas o plano começou a ser interrompido quando o pai do empresário conseguiu rastrear o celular dele e passou a localização para a polícia.

Com o apoio do helicóptero do Notaer, os policiais chegaram à região onde o empresário era mantido como refém.

Durante o cerco, Ana Julia, apontada como uma das integrantes do grupo, percebeu a movimentação policial e teria avisado os comparsas.

Em um momento de distração dos criminosos, o empresário conseguiu fugir. Ele correu pela mata, desceu um barranco íngreme, entrou no quintal de uma casa e foi encontrado e resgatado pelos policiais, que já estavam cercando a região.

Carro abandonado levou a polícia aos suspeitos

O Celta usado no sequestro foi abandonado logo depois do crime e foi o veículo que acabou se tornando uma das principais pistas para os investigadores.

O proprietário foi localizado e disse que havia emprestado o carro para um amigo, William, mas que o carro acabou sendo tomado em um assalto. A versão, porém, levantou suspeitas e não convenceu os investigadores.

A polícia passou a procurar o suposto amigo e descobriu que ele havia sido preso no mesmo dia do sequestro, horas depois, por transportar drogas. A partir dessa descoberta, outras peças começaram a se encaixar.

Durante a investigação, foram analisados registros de ligações, movimentações bancárias e as transferências de criptomoedas feitas durante o sequestro, que fizeram a polícia chegar nos nomes dos envolvidos.

Os investigadores descobriram que o suspeito identificado como Adilson recebeu parte do dinheiro e repassou valores para a esposa, Laís, e para outros integrantes do grupo.

Sete foram presos

Além de William, preso no dia do sequestro, outros sete suspeitos foram presos na Operação “Tron”, realizada em 27 de agosto.

Polícia desvenda sequestro de empresário em Porsche e prende sete suspeitos no ES
Foto: Divulgação PCES

Samuel e Ana Julia continuam foragidos. A suspeita é de que Samuel esteja escondido no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro.

Segundo a Polícia Civil, os envolvidos têm ligação com o tráfico de drogas e alguns possuem antecedentes por crimes graves como homicídio e extorsão.

A polícia também faz um alerta sobre criptomoedas, que não são impossíveis de rastrear. A movimentação dos valores deixou registros que ajudaram os investigadores a acompanhar o dinheiro e chegar a integrantes do grupo.

Investigações continuam

Os suspeitos presos vão responder por associação criminosa, extorsão por restrição de liberdade, além de fraude processual.

Quem tiver informações sobre o paradeiro dos suspeitos que ainda estão foragidos pode fazer uma denúncia pelo telefone 181. Não é preciso se identificar. As investigações continuam para apurar se houve participação de outros criminosos no caso.

Polícia desvenda sequestro de empresário em Porsche e prende sete suspeitos no ES

Ana Julia da Silva, vulgo Doutrinada, e Samuel Camilo dos Santos, vulgo Frajola

 

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