Acostumados a enfrentar o mar para proteger banhistas, guarda-vidas de Vila Velha mostraram que também sabem competir. Oito profissionais que atuam nas praias e lagoas do município conquistaram 20 medalhas no 25º Sobrasa Rescue 2026, campeonato nacional de salvamento aquático realizado entre os dias 7 e 10 de outubro, em Vitória.
A equipe canela-verde participou com 14 representantes e terminou a competição com quatro medalhas de ouro, sete de prata e nove de bronze. O evento reuniu cerca de 450 atletas e profissionais de diferentes estados brasileiros e do exterior, em provas realizadas no mar, na areia e em piscina.
Entre os destaques está Bianca Isola, que disputou dez provas e alcançou pelo menos cinco pódios. A guarda-vidas também terminou na terceira colocação geral do Iron GV, na categoria de 25 anos, que avalia o desempenho dos competidores em diferentes modalidades.
Na areia, Bianca venceu a Beach Flags, disputa em que os atletas precisam correr para alcançar bandeiras posicionadas a uma determinada distância, e ficou em segundo lugar nos 70 metros rasos. No mar, conquistou a prata no resgate com prancha e o bronze nas provas de corre-nada-corre e salvamento com flutuador.
A atleta também integrou a equipe feminina que terminou em terceiro lugar no revezamento 4×50 metros Rescue Medley Relay, realizado na piscina do Clube Álvares Cabral, ao lado de integrantes do Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo.
Outra representante de Vila Velha, Cleuzenara Lira, conquistou duas medalhas de ouro. Ela venceu as provas de salvamento com flutuador e resgate com prancha, modalidades que reproduzem técnicas utilizadas no atendimento a pessoas em situação de risco na água.
A equipe masculina também teve participação expressiva, com 15 medalhas: três de ouro, cinco de prata e sete de bronze.
Competição também prepara para salvamentos reais
Mais do que uma disputa esportiva, o Sobrasa Rescue funciona como treinamento para situações enfrentadas pelos profissionais durante o trabalho nas praias.
As provas exigem resistência física, velocidade, domínio de equipamentos e capacidade de executar procedimentos de salvamento em diferentes condições. Entre as modalidades estão o transporte de manequins, que simulam vítimas de afogamento, e os resgates com prancha e flutuador.
O gerente de Salvamento Aquático de Vila Velha, Luis Bastos, destacou que os resultados demonstram o preparo dos profissionais que trabalham diariamente na segurança dos banhistas.
Organizado pela Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa), em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo, o campeonato também promove o intercâmbio de técnicas e experiências entre equipes de diferentes regiões.
A preparação ganha importância diante dos números de afogamento no estado. Segundo o Boletim Nacional de Afogamento 2026, elaborado pela Sobrasa com dados do Ministério da Saúde, o Espírito Santo registrou, em 2024, uma taxa de 4,4 mortes por afogamento a cada 100 mil habitantes, acima da média brasileira de 2,7.
O campeonato realizado em Vitória também contou pontos para o ranking nacional da modalidade e serviu como seletiva para a formação da delegação brasileira que disputará o Mundial de Salvamento Aquático, previsto para novembro, na África do Sul.










