Marcelo Santos alerta sobre câncer de próstata e preconceito

O câncer de próstata deve atingir 1.920 homens no Espírito Santo em 2026, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca). O tema foi abordado pelo presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), deputado Marcelo Santos (União), em uma publicação nas redes sociais nesta quinta-feira (5). Ao lembrar a morte do pai em decorrência da doença, o parlamentar chamou atenção para o preconceito que ainda afasta homens dos cuidados com a saúde.

“O preconceito matou meu pai”. A declaração foi feita por Marcelo Santos em 2013 e voltou a ganhar destaque na publicação sobre o Novembro Azul, campanha de conscientização sobre a saúde masculina e o câncer de próstata.

“Há anos abraço a luta contra o câncer de próstata, uma doença que infelizmente tirou a vida do meu pai. É uma causa que conheço de perto e que reforça minha convicção de que informação e prevenção precisam fazer parte da vida dos homens”, afirmou.

Na publicação, o presidente da Ales também destacou a resistência de parte dos homens em procurar atendimento médico e realizar avaliações de saúde.

“Ainda existe muito preconceito e resistência quando o assunto é cuidar da saúde masculina. Precisamos mudar essa realidade. O diagnóstico precoce pode salvar vidas, e nenhum homem deve ter vergonha de se cuidar”, acrescentou.

Os dados do Inca ajudam a dimensionar o problema no Estado. A estimativa para 2026 aponta 1.920 novos casos de câncer de próstata no Espírito Santo, com uma taxa bruta de 94,45 casos para cada 100 mil homens. Na capital, Vitória, a previsão é de 170 novos diagnósticos no mesmo período.

Em âmbito nacional, a estimativa do instituto para o triênio de 2026 a 2028 é de 77.920 novos casos por ano. O câncer de próstata é o tipo mais incidente entre os homens brasileiros, quando excluídos os tumores de pele não melanoma.
2026

O câncer de próstata se desenvolve na glândula responsável pela produção de parte do líquido que compõe o sêmen. A próstata fica localizada abaixo da bexiga e envolve a parte inicial da uretra, canal por onde a urina é eliminada.

A doença está associada principalmente ao envelhecimento. A idade é um dos principais fatores de risco, com maior incidência entre homens a partir dos 60 anos. O histórico familiar, especialmente quando pai ou irmão tiveram a doença antes dos 60 anos, também merece atenção.

Outro fator relacionado ao risco é a obesidade, que está associada a formas mais avançadas da doença. Por isso, conhecer o histórico familiar e conversar com profissionais de saúde são medidas importantes para avaliar a necessidade de investigação.

Em sua fase inicial, o câncer de próstata pode não apresentar sintomas. Quando aparecem, os sinais mais comuns são dificuldade para urinar, demora para começar ou terminar a micção, diminuição da força do jato urinário, necessidade de urinar várias vezes durante o dia ou à noite e presença de sangue na urina.

Essas alterações, no entanto, não significam necessariamente a presença de câncer. Problemas benignos, como o aumento da próstata e inflamações na glândula, também podem provocar sintomas semelhantes. A avaliação médica é necessária para identificar a causa.

O diagnóstico pode envolver exames de sangue, como o PSA (Antígeno Prostático Específico), que mede uma substância produzida pela próstata, além do exame de toque retal. Quando há suspeita da doença, o médico pode solicitar outros procedimentos, incluindo a biópsia, que consiste na retirada de pequenas amostras de tecido para análise.

O Ministério da Saúde e o Inca fazem uma distinção entre diagnóstico precoce e rastreamento. O primeiro envolve a investigação de sinais, sintomas e alterações que possam indicar a doença. Já o rastreamento consiste na realização de exames em pessoas que não apresentam sintomas.

Os órgãos não recomendam que todos os homens sem sintomas sejam submetidos indiscriminadamente a exames de rotina, porque os procedimentos podem trazer benefícios, mas também riscos, como resultados falso-positivos, ansiedade, exames invasivos e tratamentos desnecessários. A orientação é que cada homem converse com um profissional de saúde sobre os riscos e benefícios antes de decidir pela realização dos exames.

No Sistema Único de Saúde (SUS), os homens podem procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para receber orientação, relatar alterações e obter encaminhamento, quando necessário. A investigação e o acompanhamento devem considerar as condições individuais de cada paciente.

A campanha Novembro Azul busca ampliar esse diálogo e estimular os homens a procurar os serviços de saúde. Além do câncer de próstata, a mobilização chama atenção para a importância dos cuidados preventivos e do acompanhamento regular da saúde masculina.

No Espírito Santo, a Lei Estadual 10.230/2014 instituiu novembro como o Mês de Combate ao Câncer de Próstata, com a denominação Lei Aloísio Santos. A legislação prevê ações de divulgação e conscientização, incluindo a possibilidade de iluminação azul em prédios públicos. A norma foi posteriormente consolidada pela Lei Estadual 11.212/2020.

Ao retomar a experiência pessoal com a morte do pai, Marcelo Santos relacionou a campanha à necessidade de combater o preconceito e incentivar os homens a procurar atendimento médico. A mensagem do presidente da Assembleia ao encerrar a publicação foi: “Prevenção não pode esperar!”

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