Mudanças bruscas de temperatura podem agravar doenças respiratórias; veja como se proteger

As oscilações de temperatura registradas ao longo do dia no Espírito Santo podem representar um risco para pessoas com doenças respiratórias. A combinação de manhãs frias, tardes quentes e noites de temperatura mais baixa favorece a irritação das vias aéreas e pode desencadear crises de asma, rinite, sinusite e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), principalmente em grupos mais vulneráveis.

O alerta é da pneumologista Jéssica Polese, que explica que o ar frio e, muitas vezes, mais seco, interfere nos mecanismos naturais de defesa do sistema respiratório. Antes de chegar aos pulmões, o ar precisa ser aquecido e umidificado, processo que pode causar desconforto em pessoas com maior sensibilidade.

“A mudança de temperatura não cria uma gripe ou um resfriado, porque essas doenças são causadas por vírus. O que ela pode fazer é irritar a mucosa respiratória, favorecer uma crise em quem já tem uma doença alérgica ou pulmonar e tornar os sintomas mais intensos”, esclarece a especialista.

Segundo a médica, crianças, idosos e pacientes com doenças respiratórias crônicas merecem atenção especial, pois apresentam maior dificuldade para se adaptar às variações do clima e podem evoluir mais rapidamente para quadros graves. Entre os idosos, o risco aumenta quando há doenças cardiovasculares associadas.

Casos aumentam no período mais frio

Além das mudanças de temperatura, o inverno também favorece a circulação de vírus respiratórios. A tendência de manter portas e janelas fechadas durante os dias frios reduz a ventilação dos ambientes e facilita a transmissão de doenças.

Dados da Secretaria da Saúde do Espírito Santo (Sesa) mostram que, em 2024, foram registradas 15.926 internações pelo Sistema Único de Saúde (SUS) relacionadas às doenças respiratórias monitoradas pelo órgão. Desse total, 9.704 hospitalizações — mais de 60% — ocorreram entre os meses de abril e setembro.

Jéssica Polese ressalta que diversos fatores contribuem para esse aumento.

“Não é apenas o termômetro que explica o aumento das queixas respiratórias. Nesse período, temos uma combinação de ar mais seco, ambientes fechados, circulação de vírus e contato com poeira, ácaros e mofo retirados de casacos e cobertores que ficaram guardados. Para um paciente asmático ou alérgico, vários gatilhos podem aparecer ao mesmo tempo”, afirma.

Como diferenciar alergia e infecção

Coriza, espirros e congestão nasal logo após mudanças de temperatura ou de ambiente costumam estar relacionados a reações alérgicas, especialmente quando não há febre nem comprometimento do estado geral.

Já sintomas como febre persistente, dores no corpo, cansaço intenso e piora progressiva podem indicar uma infecção respiratória. Ainda assim, a pneumologista alerta que apenas uma avaliação médica pode definir o diagnóstico, já que diferentes doenças apresentam sintomas semelhantes nos primeiros dias.

Medidas simples ajudam na prevenção

Para reduzir os impactos das oscilações de temperatura, a recomendação é vestir roupas em camadas, que possam ser retiradas ou colocadas conforme a variação do clima, manter boa hidratação e higienizar casacos e cobertores antes de utilizá-los.

A lavagem nasal com soro fisiológico também pode contribuir para manter as vias aéreas hidratadas. Já pacientes com asma ou outras doenças respiratórias crônicas devem seguir corretamente o tratamento prescrito, mesmo quando estiverem sem sintomas.

“Um erro frequente é abandonar o tratamento de controle porque o paciente passou alguns dias bem e recorrer apenas à medicação de alívio quando a crise aparece. A doença respiratória crônica precisa ser acompanhada continuamente. Estar sem sintomas não significa que o tratamento possa ser interrompido por conta própria”, alerta.

Quando procurar atendimento

A especialista orienta buscar atendimento médico diante de sinais como falta de ar, chiado persistente, dor no peito, febre que não melhora, coloração arroxeada nos lábios, confusão mental ou dificuldade para realizar atividades simples.

Segundo ela, crianças pequenas e idosos precisam de avaliação ainda mais rápida, pois nem sempre conseguem expressar o agravamento dos sintomas.

“Quando a pessoa começa a fazer esforço para respirar, não consegue completar uma frase, apresenta sonolência fora do habitual ou percebe que a medicação prescrita já não oferece o alívio esperado, não é o momento de aguardar em casa. A avaliação precoce pode evitar que um quadro respiratório evolua para uma situação mais grave”, conclui.

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