“Se o meu rim servir, eu dou para você.” A frase, dita de forma espontânea por Valtanir Mateus, de 54 anos, parecia apenas uma demonstração de carinho entre dois amigos de longa data. Meses depois, ela se transformou em realidade. Após uma série de exames, avaliações médicas e autorização judicial, Valtanir doou um dos rins para Edmilson Domingos Lomar, que há seis anos dependia da hemodiálise para sobreviver. O transplante foi realizado no Hospital Evangélico de Vila Velha (HEVV) justamente em 20 de julho, Dia do Amigo.
Naturais de Iúna, os dois se conheceram há mais de 30 anos, quando trabalhavam juntos na construção civil e na lavoura. A amizade permaneceu mesmo com a distância. Depois que Edmilson descobriu uma doença renal, consequência do diabetes, precisou se mudar para Linhares para realizar sessões de hemodiálise três vezes por semana enquanto aguardava um transplante. Quando soube da situação do amigo, Valtanir não hesitou em oferecer ajuda.
“Conheço ele há mais de 30 anos. Nós sempre convivemos juntos e, quando soube que ele precisava de um rim, falei: ‘Se der certo, eu vou doar para você’. Graças a Deus, deu certo. Minha família me apoiou desde o primeiro momento, disse que eu estava fazendo uma coisa boa.”, conta o doador.
Emocionado, Edmilson ainda se surpreende com o gesto. “Uma pessoa andar quase 200 quilômetros para ajudar alguém que nem é da família, que nem tem o mesmo sangue, é uma coisa que me emociona demais. Eu só tenho gratidão. Ganhei um rim, mas também ganhei uma história que vou levar para a vida inteira”, afirma.
Segundo a coordenadora da Centro de Transplantes do HEVV, Samara Ferreira, a doação entre pessoas vivas é uma possibilidade prevista na legislação brasileira, desde que sejam cumpridas todas as etapas de avaliação clínica, compatibilidade e jurídica para garantir a segurança do doador e do receptor. “Cada caso passa por uma análise criteriosa antes da autorização para o transplante. Histórias como essa mostram que a doação em vida pode representar uma nova oportunidade para pacientes que aguardam por um transplante e reforçam a importância da conscientização sobre a doação de órgãos”, destaca.
Mais do que devolver a saúde, o transplante marcou uma amizade construída ao longo de três décadas. Coincidentemente realizado no Dia do Amigo, o procedimento simbolizou um vínculo que foi além das palavras. “Hoje a minha alegria é saber que pude ajudar um amigo”, concluiu Valtanir.










