Levantar-se da cadeira é um movimento tão automático que a maioria das pessoas nem pensa sobre ele. Mas, depois dos 60 anos, essa ação simples pode funcionar como um importante indicador da saúde física e da capacidade funcional — ou seja, da habilidade de uma pessoa para realizar tarefas diárias e cuidar de si mesma de forma independente e segura.
Na prática clínica, geriatras e fisioterapeutas utilizam testes rápidos para avaliar força muscular, equilíbrio e mobilidade. Eles ajudam a identificar precocemente alterações que, muitas vezes, ainda não são percebidas pelo próprio paciente, permitindo intervenções antes que ocorram quedas, perda de independência ou hospitalizações.
“O objetivo não é saber apenas se a pessoa consegue levantar-se da cadeira, mas observar como ela faz esse movimento: se precisa apoiar as mãos, se perde o equilíbrio ou se demonstra dificuldade ou lentidão. Essas informações oferecem pistas importantes sobre sua capacidade funcional”, explica o geriatra e superintendente do Programa Bem Envelhecer da MedSênior, Roni Mukamal.
Ele explica que levantar-se da cadeira exige, ao mesmo tempo, um conjunto de capacidades: força muscular, especialmente nas coxas e nos glúteos; equilíbrio; coordenação motora; mobilidade das articulações; e capacidade cardiorrespiratória.
“Quando alguma dessas funções começa a diminuir, o corpo costuma compensar de diferentes maneiras, como utilizar os braços para impulsionar o movimento, inclinar excessivamente o tronco ou realizar várias tentativas antes de conseguir ficar em pé. Esses sinais podem indicar redução da massa muscular, condição conhecida como sarcopenia, fragilidade física ou perda da capacidade funcional”, esclarece o médico.
Testes reconhecidos mundialmente
Entre os testes mais utilizados na geriatria está o Teste de Sentar e Levantar da Cadeira em 30 Segundos. Nele, a pessoa permanece sentada em uma cadeira, com os braços cruzados sobre o peito, e deve levantar-se e sentar-se o maior número de vezes possível durante meio minuto. O exame leva apenas 30 segundos, não exige equipamentos sofisticados e fornece informações importantes sobre a força muscular dos membros inferiores e a funcionalidade.
Outro teste bastante conhecido é o Timed Up and Go (TUG). Com o tempo cronometrado, o paciente se levanta da cadeira, caminha aproximadamente três metros, faz o percurso de volta e se senta novamente. O tempo necessário para completar a atividade auxilia na avaliação da mobilidade e do risco de quedas.
Segundo o especialista, esses testes são amplamente utilizados em consultórios, ambulatórios e programas de promoção do envelhecimento saudável porque permitem acompanhar a evolução do paciente ao longo do tempo.
O que os resultados podem mostrar
Uma piora no desempenho não significa, necessariamente, que exista uma condição grave. Na maioria das vezes, indica que o organismo está perdendo força e capacidade funcional — alterações que podem ser revertidas quando identificadas precocemente.
“Quanto antes identificamos essa redução da funcionalidade, maiores são as chances de recuperar força, equilíbrio e autonomia com exercícios físicos, fortalecimento muscular, alimentação adequada e acompanhamento multiprofissional”, destaca o médico.
Embora esses testes sejam importantes ferramentas de avaliação, é fundamental lembrar que cabe a um profissional de saúde habilitado estabelecer o diagnóstico e prescrever o tratamento, quando necessário.
Sinais que merecem atenção
Conseguir levantar-se da cadeira sem dificuldade está diretamente relacionado à realização de diversas atividades do dia a dia, como sair da cama, usar o banheiro, subir escadas, caminhar pela casa e participar de atividades sociais. Por isso, preservar essa capacidade significa manter a independência e a qualidade de vida.
“O foco da geriatria moderna não é apenas tratar condições de saúde, mas preservar a funcionalidade. Mais importante do que viver muitos anos é viver esses anos com autonomia”, reforça Roni Mukamal.
Alguns sinais merecem atenção:
- Necessidade frequente de apoiar as mãos para levantar
- Dificuldade progressiva para sair do sofá ou da cama
- Sensação de fraqueza nas pernas
- Redução da velocidade para caminhar
- Desequilíbrio ou tropeços frequentes
Medo de cair, mesmo sem ter sofrido quedas
Autonomia e segurança nas atividades cotidianas
Na MedSênior, a saúde física e a capacidade funcional são acompanhadas por uma equipe multiprofissional, que conta com geriatra ou médico de referência e, quando necessário, com o suporte do Núcleo de Autonomia e Independência (NAI).
“O NAI é uma estrutura voltada ao suporte, ao treinamento e ao acompanhamento de beneficiários que apresentam dificuldades de mobilidade ou comprometimento da autonomia. Além disso, funciona como um espaço de orientação e prevenção de quedas, proporcionando mais segurança ao idoso”, explica Roni.
No núcleo, os participantes desenvolvem atividades voltadas à manutenção ou à recuperação da autonomia para tarefas cotidianas, desde aquelas realizadas dentro de casa até deslocamentos externos, caminhadas em vias urbanas e uso do transporte coletivo. Para isso, os espaços contam com rampas, escadas e até um ônibus adaptado para simular situações reais enfrentadas pelos idosos no dia a dia, permitindo treinar embarque, desembarque, equilíbrio e mobilidade em um ambiente seguro e supervisionado.
“Atividades que parecem simples para a maioria das pessoas podem se tornar extremamente desafiadoras após uma queda, uma perda muscular expressiva ou um comprometimento do equilíbrio. O treinamento adequado ajuda o idoso a preservar ou recuperar a confiança e a funcionalidade, atuando de forma preventiva ou corretiva”, conclui.










