A ampliação do Teste do Pezinho no Sistema Único de Saúde (SUS), que prevê o rastreio progressivo de novas patologias em todo o território nacional, avança com a inclusão de condições raras e graves como a Atrofia Muscular Espinhal (AME). A mudança faz parte da Nova Triagem Neonatal estabelecida por lei federal, garantindo que recém-nascidos de todo o país tenham acesso ao diagnóstico precoce gratuito. No Espírito Santo, o painel atualizado com dez doenças segue o fluxo de atendimento da rede pública estadual, tendo o Laboratório da Apae Vitória como a grande referência no cumprimento da medida.
A inclusão da AME, da Imunodeficiência Combinada Grave (SCID) e da Agamaglobulinemia no exame de rotina visa identificar disfunções genéticas antes mesmo do aparecimento dos primeiros sintomas, permitindo que o tratamento comece logo nas primeiras semanas de vida.
Onde fazer o Teste do Pezinho e o prazo ideal no Espírito Santo
Embora a diretriz de ampliação seja nacional, a execução do serviço acontece de forma descentralizada nos municípios capixabas. O exame é simples — feito a partir de gotinhas de sangue retiradas do calcanhar do bebê — e deve ser realizado, preferencialmente, entre o 3º e o 5º dia de vida.
No Espírito Santo, a estrutura de atendimento conta com centenas de postos espalhados pelos 78 municípios. As famílias podem realizar a coleta gratuitamente em:
-
Unidades Básicas de Saúde (UBS): Nos bairros de cada município.
-
Maternidades Públicas: Antes da alta hospitalar do recém-nascido.
-
Apae Vitória: Sede do Laboratório de referência credenciado pelo Ministério da Saúde.
Anualmente, a rede capixaba realiza mais de 43 mil exames. A Apae Vitória é responsável não apenas pela análise do sangue, mas também por coordenar a busca ativa caso o teste dê alterado, convocando a família para os exames confirmatórios e iniciando o tratamento ambulatorial rápido.
O impacto do diagnóstico precoce em doenças silenciosas
O foco da campanha Junho Lilás, que mobiliza o setor da saúde neste mês, é conscientizar os pais de que a ausência de sintomas ao nascer não significa ausência de patologias. Muitas das doenças raras triadas têm evolução rápida nos primeiros dias de vida.
“Muitas dessas doenças têm evolução rápida e silenciosa. Quando não identificadas a tempo, podem causar sequelas irreversíveis, comprometer o desenvolvimento da criança e até levar à morte”, explica a direção social da Federação das Apaes do Espírito Santo (Feapaes-ES).
Segundo a Dra. Izabelle Felix Nascimento, coordenadora do Serviço de Triagem Neonatal do Espírito Santo, o tempo entre a coleta e o resultado é o que dita o sucesso do tratamento. Para enfermidades genéticas, cada dia sem medicação ou acompanhamento adequado pode representar a perda de marcos fundamentais do desenvolvimento infantil.

O que o Teste do Pezinho detecta atualmente no SUS?
O painel do SUS no Estado está estruturado para identificar as seguintes condições:
-
Fenilcetonúria;
-
Hipotireoidismo Congênito;
-
Anemia Falciforme e outras hemoglobinopatias;
-
Fibrose Cística;
-
Hiperplasia Adrenal Congênita;
-
Deficiência de Biotinidase;
-
Toxoplasmose Congênita;
-
Atrofia Muscular Espinhal (AME);
-
Imunodeficiência Combinada Grave (SCID);
-
Agamaglobulinemia.
Ao padronizar a triagem dessas dez doenças no ecossistema de saúde local, a rede do SUS busca mitigar os impactos das doenças raras, oferecendo suporte terapêutico desde o início da vida civil do cidadão.









