O avanço da obesidade infantil no Espírito Santo tem colocado especialistas em saúde em alerta e reforçado um debate cada vez mais urgente entre pais, escolas e profissionais da área médica. Nesta quarta-feira (3), quando é celebrado o Dia da Conscientização contra a Obesidade Infantil, dados atualizados apontam que 33% das crianças capixabas de 0 a 9 anos apresentam excesso de peso, incluindo casos de sobrepeso, obesidade e obesidade grave. O cenário acende um sinal de atenção para a prevenção ainda nos primeiros anos de vida.
O problema, considerado um dos principais desafios de saúde pública no Brasil, também preocupa em escala global. De acordo com o Atlas Global da Obesidade e a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil pode ocupar, até 2030, a quinta posição entre os países com mais crianças e adolescentes obesos no mundo. O levantamento indica ainda que, sem ações efetivas de prevenção, as chances de reversão desse cenário seriam de apenas 2%.
Espírito Santo registra quase 80 mil crianças com excesso de peso
Os dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), consultados em 28 de maio de 2026, mostram que o problema já tem reflexos concretos no território capixaba. No Espírito Santo, foram contabilizados 79.589 registros de excesso de peso infantil entre crianças de até 9 anos.
Na prática, isso significa que 33 em cada 100 crianças capixabas nessa faixa etária convivem com algum grau de alteração nutricional relacionada ao peso, um dado que preocupa especialistas por seus impactos ao longo do desenvolvimento.
Segundo a pediatra e membro da Organização Nacional de Acreditação (ONA), Mariana Grigoletto, o aumento dos índices reforça a necessidade de monitoramento desde cedo.

“Os dados revelam que a obesidade infantil deixou de ser uma situação isolada e se tornou um importante desafio para a saúde pública. Além de ter consequências nos primeiros anos de vida, o excesso de peso na infância pode aumentar significativamente o risco de doenças crônicas na adolescência e na vida adulta, o que reforça a importância da prevenção e do acompanhamento precoce”, destaca a médica.
Obesidade infantil pode aumentar risco de doenças crônicas
Embora o levantamento nacional do SISVAN mostre que 62,8% das crianças brasileiras apresentam peso adequado (eutrofia) — o equivalente a cerca de 63 em cada 100 —, os números também revelam um ponto de atenção: aproximadamente 37% das crianças avaliadas apresentam algum grau de alteração nutricional, incluindo excesso de peso, obesidade ou obesidade grave.
Especialistas alertam que o excesso de peso na infância pode elevar o risco de condições de saúde ao longo da vida, como diabetes tipo 2, hipertensão arterial e doenças cardiovasculares, além de impactos emocionais e psicológicos, incluindo baixa autoestima e maior exposição a episódios de bullying.
A pediatra destaca que o acompanhamento médico é decisivo para identificar sinais precoces e orientar famílias.
“É fundamental que as crianças sejam acompanhadas por um pediatra. Quando identificamos alterações no peso e nos hábitos da criança logo no início, podemos intervir antes que a situação piore. Com as orientações certas, é possível evitar que a obesidade aconteça na vida adulta e diminuir os riscos de doenças relacionadas, tornando uma vida mais saudável ao longo do tempo”, ressalta doutora Mariana.

Como prevenir a obesidade infantil? Especialista orienta famílias
Entre as principais estratégias de prevenção da obesidade infantil, especialistas reforçam a importância da construção de hábitos saudáveis desde os primeiros anos de vida.
A recomendação envolve uma alimentação equilibrada, priorizando alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras e legumes, além da redução do consumo de ultraprocessados, refrigerantes e bebidas açucaradas, cada vez mais presentes no cotidiano infantil.
Outro fator essencial está relacionado à rotina das crianças. A prática regular de atividades físicas e a limitação do tempo excessivo diante de telas — como celulares, televisão e tablets — também aparecem entre as medidas consideradas fundamentais.
“Formar hábitos saudáveis desde cedo é um fator decisivo para evitar o desenvolvimento da obesidade e de outras doenças associadas. Embora a predisposição genética também possa influenciar no desenvolvimento da condição, os hábitos de vida e o ambiente em que a criança está inserida têm papel fundamental na prevenção e no controle da obesidade infantil”, complementa a médica.
Consumo de ultraprocessados cresce entre crianças
Dados do SISVAN mostram ainda uma mudança importante no padrão alimentar infantil. Segundo os indicadores nacionais, o consumo de alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas aumenta conforme as crianças crescem, indicando um agravamento gradual dos hábitos alimentares ao longo da infância.
Na avaliação da especialista, pequenas mudanças no cotidiano podem fazer diferença no futuro da saúde infantil.
“Na prática clínica, observamos que a obesidade infantil raramente acontece de forma isolada. Ela está diretamente relacionada aos hábitos alimentares, à rotina familiar e ao ambiente em que a criança vive. Pequenas mudanças consistentes no dia a dia, especialmente nos primeiros anos de vida, têm potencial de gerar um impacto duradouro na saúde física e emocional da criança”, finaliza Mariana Grigoletto.










