Frio dá mais sono? Entenda como a melatonina influencia o cansaço nos dias gelados

Com a chegada dos dias mais frios, muita gente percebe uma mudança na rotina: a vontade de ficar mais tempo na cama aumenta, a disposição diminui e o cansaço parece surgir mais cedo. Embora pareça apenas uma consequência das baixas temperaturas, a ciência mostra que o fenômeno está ligado a alterações biológicas provocadas pela redução da luz solar.

No centro desse processo está a melatonina, hormônio produzido pela glândula pineal, no cérebro. Conhecida como o “hormônio do sono”, ela ajuda a regular o relógio biológico e informa ao organismo quando é hora de descansar.

Segundo a farmacêutica e cientista Izabelle Gindri, doutora em Engenharia Biomédica pela University of Texas at Dallas (UTD), a diminuição da luminosidade típica do inverno interfere diretamente na produção da substância.

“A redução da exposição à luz solar provoca alterações na dinâmica de produção da melatonina. Quando a luminosidade diminui, especialmente ao anoitecer, a retina envia sinais ao cérebro que estimulam a liberação do hormônio. Em períodos de menor incidência solar, esse processo pode ocorrer por mais tempo, favorecendo um estado prolongado de sonolência”, explica.

O que acontece com o corpo no frio?

Mesmo com a presença constante de iluminação artificial, o organismo humano continua sensível às mudanças naturais entre claro e escuro. Por isso, durante os meses frios, é comum ocorrer uma desaceleração fisiológica que favorece o repouso e a conservação de energia.

Embora os seres humanos não hibernem, o frio pode desencadear respostas adaptativas semelhantes, como aumento do tempo de sono, redução da motivação para atividades físicas e maior sensação de fadiga ao longo do dia. O conjunto desses sintomas é frequentemente chamado de letargia sazonal.

Além da melatonina, outro fator contribui para essa sensação de desânimo. “A menor exposição ao sol também afeta a produção de serotonina, neurotransmissor associado ao humor e à sensação de bem-estar”, destaca Izabelle.

Quando a sonolência merece atenção

Em casos mais intensos, as alterações sazonais podem estar associadas ao Transtorno Afetivo Sazonal (TAS), condição caracterizada pelo surgimento de sintomas depressivos em determinadas épocas do ano.

Entre os sinais mais comuns estão sonolência excessiva, aumento do apetite, dificuldade de concentração e perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas. O problema é mais frequente em regiões de latitudes elevadas, onde a redução da luz solar durante o inverno é mais acentuada.

Como reduzir os efeitos do frio

Algumas medidas simples podem ajudar a minimizar a sonolência e melhorar a disposição durante os meses mais frios:

  • Aproveitar a luz natural, especialmente nas primeiras horas da manhã;
  • Manter a prática regular de atividades físicas;
  • Estabelecer horários fixos para dormir e acordar;
  • Evitar o uso excessivo de telas e luzes intensas à noite.

Entender a relação entre luz solar, melatonina e relógio biológico ajuda a explicar por que o corpo parece pedir mais descanso no inverno. Embora o frio convide ao repouso, hábitos saudáveis podem ajudar a manter o equilíbrio do organismo e a disposição ao longo do dia.

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