Muita gente já ouviu falar em varizes nas pernas, mas poucos sabem que elas também podem surgir na região pélvica. Nos homens, esse quadro pode evoluir com a varicocele, uma dilatação das veias que drenam os testículos, com mecanismo semelhante ao das varizes nos membros inferiores. Nesse caso, porém, as consequências podem ir além do desconforto e atingir a fertilidade.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia, a condição está presente em 15% a 25% dos homens. Mesmo assim, grande parte só descobre o problema ao investigar dificuldade para ter filhos.
O quadro costuma começar ainda na adolescência, impulsionado pelas mudanças hormonais e pelo desenvolvimento acelerado. Segundo o médico especialista em diagnóstico por imagem Cristiano Ferreira, do Angiolab Vitória, a origem está em uma alteração na circulação. “Homens com dificuldades circulatórias em pontos específicos do abdome podem apresentar congestão pélvica, afetando as veias próximas aos testículos”, explica.
Sem acompanhamento, o quadro pode afetar a fertilidade. A elevação da temperatura local prejudica a produção de espermatozoides. Ao mesmo tempo, a circulação comprometida favorece o acúmulo de substâncias nocivas e alterações hormonais, o que reduz a quantidade, a mobilidade e a qualidade das células reprodutivas.
Embora não atinja diretamente o pênis, o problema pode trazer reflexos como dor local, queda da libido e impacto no desempenho sexual. “Essas alterações também podem ter repercussões psicológicas”, acrescenta o médico.
Na maioria das vezes, não há sinais evidentes. Quando aparecem, incluem dor ou sensação de peso na região testicular, principalmente após esforço físico ou longos períodos em pé.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico envolve avaliação clínica, exames laboratoriais e, principalmente, exames de imagem. A ultrassonografia com Doppler tem papel importante nesse processo, pois permite visualizar o fluxo sanguíneo em tempo real e identificar alterações na circulação das veias testiculares e abdominais com mais precisão. “É um exame fundamental para confirmar o diagnóstico e avaliar a gravidade do quadro”, destaca Cristiano Ferreira.
O tratamento é indicado principalmente quando há dor, atrofia testicular ou impacto na fertilidade. A correção costuma ser cirúrgica, sendo a microcirurgia subinguinal considerada o padrão-ouro, com alta taxa de sucesso e recuperação rápida. Outra opção é a embolização, um procedimento minimamente invasivo, feito sem cortes, que também atua na correção da circulação local.
O diagnóstico correto faz diferença não só para entender o quadro, mas para definir o melhor caminho de tratamento.









