Maio Roxo: alimentação simples e rica em fibras ajuda a proteger a saúde intestinal, dizem médicos

Arroz, feijão, legumes, frutas, aveia e sementes podem parecer escolhas comuns no prato do dia a dia, mas é justamente nessa alimentação básica que especialistas concentram hoje boa parte das orientações para manter a saúde intestinal em equilíbrio. No Maio Roxo, campanha de conscientização sobre as Doenças Inflamatórias Intestinais (DIIs), como a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa, o tema ganha ainda mais importância.

O aumento dos casos dessas doenças no Brasil tem reforçado o alerta não apenas para diagnóstico e tratamento, mas também para hábitos alimentares que favoreçam o bom funcionamento do intestino e o controle de processos inflamatórios ao longo do tempo.

Segundo a médica especialista em nutrologia, Mariana Wogel, um dos erros mais frequentes é acreditar que a saúde intestinal depende de suplementos caros, dietas restritivas ou soluções rápidas.

“O intestino responde muito mais à constância do que a medidas isoladas. Não é um shot, um suplemento ou um alimento específico que resolve tudo. O que faz diferença é a qualidade da rotina alimentar, com mais fibras, menos ultraprocessados e maior variedade de alimentos naturais”, afirma.

O básico bem feito

De acordo com a especialista, uma alimentação favorável ao intestino não precisa ser complexa. Preparações tradicionais e acessíveis costumam oferecer os nutrientes mais importantes para o equilíbrio intestinal, principalmente quando consumidas regularmente.

Entre os alimentos indicados para fazer parte da rotina estão:

  • feijão, lentilha e grão-de-bico;
  • aveia;
  • frutas ricas em fibras, como mamão, banana e laranja com bagaço;
  • verduras e legumes variados;
  • mandioca e batata-doce;
  • sementes como chia e linhaça;
  • iogurte natural, para quem apresenta boa tolerância.

A médica destaca, porém, que não existe uma fórmula única para todos os pacientes. “Alguns alimentos podem ser muito bem tolerados por uma pessoa e causar desconforto em outra. O básico bem feito costuma funcionar, mas sempre com observação da resposta do corpo”, explica.

Rotina alimentar influencia diretamente o intestino

Especialistas apontam que o intestino depende de hidratação adequada, consumo regular de fibras e hábitos alimentares equilibrados para funcionar corretamente. Em contrapartida, dietas ricas em ultraprocessados, açúcar, farinhas refinadas e pobres em vegetais tendem a prejudicar a microbiota intestinal e favorecer processos inflamatórios.

Para Mariana Wogel, o cuidado com o intestino deve começar antes mesmo do surgimento de sintomas mais intensos.

“A saúde intestinal não se constrói só quando surge um problema. Ela é resultado de repetição. O que a pessoa come todos os dias pesa mais do que aquilo que ela faz pontualmente para compensar excessos”, afirma.

Mudanças devem ser graduais

Apesar dos benefícios das fibras, a orientação é que a introdução desses alimentos seja feita de forma gradual. O aumento brusco, sem hidratação adequada, pode causar gases, distensão abdominal e desconfortos digestivos.

Entre as recomendações para melhorar a alimentação aos poucos estão:

  • incluir mais uma fruta ao longo do dia;
  • adicionar aveia no café da manhã;
  • manter feijão ou outras leguminosas nas principais refeições;
  • acrescentar legumes no almoço e jantar;
  • experimentar pequenas quantidades de chia ou linhaça.

“Não é necessário reformular toda a alimentação de uma vez. Pequenas mudanças sustentadas costumam funcionar melhor e são mais fáceis de manter”, orienta a especialista.

Restrições sem orientação podem prejudicar

Outro alerta feito pela médica é sobre o hábito de retirar alimentos da dieta sem acompanhamento profissional. Segundo ela, muitas pessoas eliminam leite, glúten, feijão, frutas e vegetais na tentativa de aliviar sintomas rapidamente, o que pode acabar empobrecendo a alimentação.

“O maior erro é buscar uma resposta isolada sem rever o padrão alimentar como um todo. Em alguns casos, a pessoa até sente alívio temporário, mas dificulta o cuidado no longo prazo”, afirma.

Nos casos de Doença de Crohn e Retocolite Ulcerativa, a especialista reforça que a alimentação precisa ser adaptada de acordo com a fase da doença, sintomas apresentados e tolerância individual, além do risco de desnutrição.

Maio Roxo reforça atenção à saúde intestinal

A campanha Maio Roxo busca ampliar a conscientização sobre as doenças inflamatórias intestinais e incentivar hábitos que contribuam para a prevenção e qualidade de vida dos pacientes.

Para Mariana Wogel, a principal mensagem é que o cuidado intestinal está diretamente ligado à rotina alimentar.

“Quando se fala em intestino, muita gente ainda procura uma solução rápida. Mas o que realmente protege é a rotina. Um prato simples, com feijão, legumes, frutas e menos ultraprocessados, continua sendo uma das estratégias mais consistentes para apoiar a saúde intestinal”, conclui.

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