A internação do cantor Diogo Nogueira após um quadro de laringite bacteriana grave chamou atenção para uma condição que, embora comum em versões leves, pode evoluir e comprometer seriamente a voz e até a respiração.
Segundo o otorrinolaringologista José Vicente Boleli Scardini Alves, a laringite bacteriana é uma inflamação da laringe e das pregas vocais causada por bactérias. Apesar disso, ele explica que a maioria dos casos de laringite aguda costuma ter origem viral.
“A principal manifestação é a rouquidão, que aparece em mais de 85% dos casos. O paciente também pode apresentar fadiga vocal, tosse, dor de garganta e alteração da qualidade da voz”, detalha o especialista.
De acordo com o médico, os sintomas normalmente duram entre três e oito dias nos quadros leves e moderados. Nesses casos, o tratamento costuma ser conservador, com repouso vocal, analgésicos e umidificação das vias aéreas.
A laringite bacteriana pode ser classificada como aguda, quando dura menos de três semanas, ou crônica, quando os sintomas persistem por mais de três semanas. Segundo o especialista, a doença provoca alterações na voz, como rouquidão e disfonia, mas não necessariamente leva à perda completa da voz.
Além da rouquidão, considerada o sintoma mais comum, os pacientes também podem apresentar diminuição da resistência vocal, abaixamento do tom normal da voz, tosse, dor de garganta e fadiga vocal.
Nos quadros leves e moderados, o paciente normalmente mantém a capacidade de falar, apesar da qualidade vocal comprometida. Também podem surgir sintomas típicos de infecções respiratórias superiores, como tosse, coriza e irritação na garganta.
No entanto, algumas situações exigem atenção redobrada. “Os sinais de gravidade incluem dificuldade respiratória, respiração acelerada, ruído agudo ao respirar e sinais de obstrução das vias aéreas. Nesses casos, a avaliação médica precisa ser imediata”, alerta.
Segundo o médico, esses sintomas podem indicar complicações mais graves, como epiglotite e supraglotite, doenças que também afetam estruturas da região da garganta e podem comprometer a passagem de ar.
O especialista destaca ainda que pacientes imunocomprometidos, diabéticos e fumantes têm maior risco de desenvolver complicações ou precisar de retratamento. O uso contínuo de inibidores de bomba de prótons — medicamentos utilizados para refluxo e problemas gástricos — também aparece associado em parte dos casos analisados.
Quando há suspeita de infecção bacteriana, o recomendado é realizar cultura laríngea para identificar o agente causador e iniciar antibioticoterapia direcionada. O tratamento, nesses casos, costuma durar cerca de dez dias.
A maioria dos quadros agudos, porém, é viral e não necessita de antibióticos, sendo tratada apenas com medidas conservadoras e acompanhamento clínico.
Por orientação médica, Diogo Nogueira cancelou compromissos profissionais e segue afastado temporariamente dos palcos para recuperação da voz.









