Remédio que ajuda respirar pode afetar a visão

Com a chegada do outono e das primeiras ondas de frio, aumentam no Brasil os casos de rinite, sinusite, asma, bronquite, DPCO (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) e outras condições respiratórias. Com elas, cresce também o consumo de corticoide — medicamento frequentemente indicado para controlar inflamações e crises do sistema respiratório.

De acordo com o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, o que não entra na discussão da saúde pública é a regulamentação dos corticoides que potencializam a disseminação de duas doenças oculares incapacitantes – catarata e glaucoma.

O especialista ressalta que o problema não está no uso supervisionado dos corticoides, mas na banalização do medicamento. No Brasil, comenta, bombinhas, sprays nasais, colírios e remédios orais são comprados sem receita médica por milhões de brasileiros e estes medicamentos contêm corticoide. Muitos abusam no uso porque o alívio do desconforto é imediato e a venda é livre. O problema é que, por acaso, uma metanálise de 12 estudos publicada no Journal of Ophthalmology conclui que corticoide aumentou em 2 vezes o risco de catarata nos participantes.

Sequelas – Catarata e Glaucoma

A transformação do cristalino sob o efeito de corticoides ocorre em uma sequência de alterações celulares e químicas que forçam as células da lente a migrar para o lugar errado e acumular resíduos opacos.

O oftalmologista explica que o corticoide altera as enzimas do humor aquoso, líquido que preenche o globo ocular e dificulta sua circulação. Por isso, aumenta a pressão intraocular que lentamente vai danificando as células do nervo óptico e, sem dor ou qualquer outra alteração visível, provoca glaucoma, segunda maior causa de perda irreparável da visão.

Embora milhões de brasileiros usem corticoides continuamente, poucos realizam acompanhamento ocular preventivo. Pacientes de maior risco deveriam monitorar regularmente: 60+; idosos; asmáticos; diabéticos; pacientes reumatológicos; transplantados; alérgicos; pessoas com doenças respiratórias crônicas.

Enquanto o inverno lota hospitais com crises respiratórias e inflamações, outra ameaça avança às cegas lentamente — sem febre, sem tosse e quase sem sintomas iniciais. A catarata aparece primeiro nos faróis que incomodam à noite, nas letras que começam a embaçar e no brilho excessivo das telas. Para muitos brasileiros, a perda gradual da transparência dos olhos pode começar justamente dentro do armário de medicamentos usados para atravessar o frio.

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