No mês em que se comemora o Dia do Boi (24/04), não se celebra apenas a força da pecuária, mas também um marco de transformação histórica para o Brasil, que, em 2025, tornou-se o maior produtor mundial de carne bovina, ultrapassando os Estados Unidos.
No último ano o Brasil viu sua produção disparar, atingindo 11,1 milhões de toneladas em abates fiscalizados, um crescimento expressivo de 7,2% em relação a 2024, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Quando somamos os abates informais, o volume nacional salta para a marca impressionante de 12,3 milhões de toneladas, conforme a Athenagro.
No mercado doméstico, a carne bovina segue em alta na dieta do brasileiro. O consumo médio anual no país gira em torno de 30 quilos por pessoa, conforme a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
A nutricionista e professora da Afya Ipatinga, Juliana Cristina de Vasconcellos Benatti, informa que o consumo de carne vermelha deve ser feito com moderação por alguns grupos de pessoas, e que é indicado o consumo de até 350 a 500 gramas de carne vermelha por semana, já pronta, o que corresponde, em média, a 2 a 3 porções semanais.
“Pessoas com risco cardiovascular devem priorizar cortes magros e manter o consumo moderado. Indivíduos com histórico ou alto risco de câncer colorretal precisam reduzir a ingestão de carne vermelha e evitar carnes processadas. Já pacientes com doença renal crônica, especialmente em estágios mais avançados, necessitam de um controle individualizado da ingestão de proteínas. No caso de pessoas com sobrepeso, é importante considerar o teor calórico, principalmente dos cortes mais gordurosos, enquanto aqueles com hiperuricemia ou gota devem manter o consumo sob moderação. Por outro lado, há grupos que podem se beneficiar do consumo adequado, como idosos, gestantes, pessoas com anemia e praticantes de atividade física”.
A força da pecuária é refletida em todo o território nacional, com o Mato Grosso mantendo sua liderança isolada, contendo 14,4% do rebanho total, enquanto estados como Bahia, Pará e Tocantins registraram os maiores saltos absolutos de crescimento no efetivo de animais.
“Existe uma diferença importante entre os cortes, principalmente em relação ao teor de gordura, especialmente a saturada, e ao valor calórico. Cortes magros, como patinho, coxão mole, coxão duro, lagarto, músculo, alcatra sem gordura e filé mignon, são mais indicados para o consumo no dia a dia. Já opções mais gordurosas, como picanha, costela, fraldinha, cupim, contra filé com gordura e acém com gordura, devem ser consumidas com menor frequência. Para fazer escolhas mais saudáveis, vale priorizar cortes magros, retirar a gordura aparente antes do preparo, evitar frituras e também reduzir o consumo de carnes muito tostadas, já que o preparo em altas temperaturas pode levar à formação de compostos potencialmente carcinogênicos”, complementa a especialista.
Principais benefícios da carne bovina
A nutróloga e professora da Afya Itajubá, Vanessa Cambraia, explica que a carne bovina pode ser uma opção nutritiva dentro de uma alimentação equilibrada, especialmente para pessoas que incluem alimentos de origem animal na dieta.
“É importante destacar que não existe uma única forma correta de se alimentar: cada indivíduo segue um padrão alimentar que pode variar conforme cultura, preferências, necessidades clínicas e estilo de vida. Para aqueles que consomem carne, ela pode trazer alguns benefícios relevantes quando ingerida com moderação”.
Entre os principais benefícios destacam-se:
- Auxilia na manutenção e no ganho de massa muscular: por ser fonte de proteína de alto valor biológico, contribui para a construção e recuperação muscular, sendo útil tanto para praticantes de atividade física quanto para idosos.
- Contribui para a ingestão de ferro: a carne bovina contém ferro heme, que possui alta biodisponibilidade, ajudando a compor uma dieta adequada em ferro, especialmente em grupos com maior necessidade.
- Favorece a saúde do sistema nervoso: é rica em vitamina B12, essencial para o funcionamento neurológico e para a formação das células sanguíneas.
- Apoia o sistema imunológico: fornece zinco, mineral importante para a resposta imune do organismo, ajudando o corpo a se defender contra infecções e doenças.
- Ajuda no aporte de nutrientes essenciais: nutrientes como ferro e vitamina B12 podem ser mais difíceis de obter em dietas sem fonte animal, o que torna a carne uma opção prática para quem a consome.
“O mais importante é que a alimentação seja individualizada, equilibrada e adequada às necessidades de cada pessoa, respeitando suas escolhas alimentares”, conclui a nutróloga.









