Hipertensão mata mais homens de meia-idade, apesar de ser mais comum entre mulheres

A hipertensão arterial, doença que atinge cerca de 30% dos adultos no Brasil, tem apresentado um comportamento desigual entre homens e mulheres — e com impacto mais grave entre eles na meia-idade. Dados do Núcleo de Inteligência e Conteúdo (NIC), do Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios de São Paulo (SindHosp), mostram que, entre 50 e 59 anos, o número de mortes por doenças hipertensivas é 25% maior entre homens do que entre mulheres.

Embora elas ainda representem a maioria dos casos — 56,4% das internações —, os óbitos femininos se concentram em idades mais avançadas, especialmente acima dos 80 anos. Já entre homens, a mortalidade ocorre mais cedo.

Entre 2020 e 2024, na faixa de 50 a 59 anos, foram registradas 7.327 mortes de homens por doenças hipertensivas, contra 5.863 de mulheres. Na faixa de 60 a 69 anos, os números sobem para 14.202 óbitos masculinos e 11.878 femininos.

Especialistas apontam que o comportamento dos homens em relação à saúde ajuda a explicar o cenário. “Eles procuram menos atendimento médico, fazem menos exames preventivos e abandonam o tratamento com mais frequência”, afirma o cardiologista Vagner Ferreira. Segundo ele, a doença costuma ser diagnosticada tardiamente nesse grupo, muitas vezes já com complicações.

Conhecida como uma condição silenciosa, a hipertensão pode evoluir por anos sem sintomas, mas está diretamente ligada a problemas graves como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência renal.

O avanço da doença também tem relação com hábitos de vida. O médico Willyan Soares destaca que fatores como estresse, sedentarismo e obesidade têm contribuído para o aumento de casos, inclusive entre adultos mais jovens. “A mudança no estilo de vida, com alimentação equilibrada e atividade física, é fundamental para o controle da pressão”, explica.

O alerta ganha ainda mais relevância no contexto do Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial, data voltada à conscientização sobre diagnóstico e tratamento.

Para o presidente do SindHosp, Francisco Balestrin, os dados indicam a necessidade de ampliar políticas públicas voltadas também à população de meia-idade. “O cenário exige estratégias de prevenção que considerem diferenças de gênero e incentivem o cuidado precoce”, afirma.

O tempo médio de internação por complicações da hipertensão é de quatro dias, refletindo a gravidade dos quadros, muitas vezes associados a falhas no acompanhamento da doença.

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