Celebrrado nesta quinta-feira (17), o Dia Nacional da Vacinação serve como um alerta para um público especialmente vulnerável: os idosos. Dados do Ministério da Saúde revelam que a Campanha de Vacinação Contra a Gripe de 2025 atingiu apenas 43,96% das pessoas com 60 anos ou mais no Espírito Santo até junho, muito abaixo da meta de 90% estabelecida para este grupo prioritário.
A baixa adesão ocorre apesar das comprovações científicas de que a vacinação é uma das estratégias mais eficazes para reduzir hospitalizações e mortalidade na terceira idade. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 87% das mortes por COVID-19 durante a pandemia ocorreram em pessoas acima de 65 anos.
O enfraquecimento natural das defesas
O médico geriatra Roni Mukamal, especialista em medicina preventiva da MedSênior, operadora de saúde focada no público 49+, explica que o envelhecimento traz um processo natural chamado imunossenescência.
“Com o passar dos anos, o sistema imunológico passa por um processo natural de enfraquecimento que reduz a capacidade do organismo de reagir a infecções”, afirma o especialista. “Por isso, a estratégia de vacinação é fundamental, pois estimula o sistema imunológico a manter a produção de anticorpos.”
Um estudo publicado no American Journal of Managed Care confirma que pessoas com 60 anos ou mais têm maior probabilidade de desenvolver complicações graves decorrentes de doenças infecciosas, como pneumonia e influenza.
Preconceito e vacinas negligenciadas
Segundo Mukamal, a vacina da gripe (influenza) é uma das mais negligenciadas pelos idosos. “Ainda existe muito preconceito. Há, até hoje, a ideia equivocada de que a vacina ‘causa gripe’, o que não é verdade.”
O médico alerta que os riscos vão além dos sintomas comuns da gripe. Pesquisa da Universidade de Utrecht, na Holanda, identificou que o diagnóstico de gripe aumenta em até seis vezes a possibilidade de ocorrência de um ataque cardíaco.
“Além da influenza, outras vacinas essenciais são frequentemente esquecidas, como a tríplice bacteriana, a pneumocócica e contra a COVID-19”, complementa Mukamal.
Benefícios vão além da prevenção de doenças
A vacinação na terceira idade traz benefícios que ultrapassam a prevenção de doenças específicas. A imunização adequada ajuda a preservar a autonomia e a qualidade de vida, evitando interrupções na rotina que podem levar a longos períodos de recuperação e perda de funcionalidade muscular.
” Há infecções e doenças mais prevalentes neste público que podem levar à perda de mobilidade, internações e até a morte. Muitas dessas vacinas previnem justamente essas doenças e suas consequências”, ressalta o geriatra.
Novas tecnologias e desafios futuros
O especialista também destaca o avanço nas opções de imunização para idosos, como a vacina contra herpes zoster, recentemente disponibilizada no Brasil – ainda que apenas na rede privada.
“É uma vacina recente, com tecnologia moderna, capaz de estimular o sistema imunológico do idoso a produzir anticorpos e prevenir uma doença que pode ser extremamente dolorosa nessa faixa etária”, explica.
Com o rápido envelhecimento da população brasileira – projeções do IBGE indicam que pessoas com 60 anos ou mais representarão quase 30% da população até 2050 -, a vacinação “ao longo da vida” se torna uma estratégia de saúde pública cada vez mais crucial, conforme destaca a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
Onde se vacinar
Idosos podem procurar as unidades básicas de saúde para receber as vacinas disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS), seguindo o calendário do Programa Nacional de Imunizações (PNI). Quem busca imunizantes da rede privada pode encontrá-los em clínicas especializadas e farmácias.









