Um alerta importante foi dado por especialistas em saúde: as amputações de pernas e pés decorrentes do diabetes ainda são um problema grave no Brasil. Dados analisados pela Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente (SOBRASP) mostram que, somente no primeiro semestre de 2024, mais de 5.710 procedimentos desse tipo foram realizados no Sistema Único de Saúde (SUS). No ano passado, o número total chegou a 11.326.
Essas amputações são, em sua maioria, o desfecho trágico de uma complicação conhecida como “pé diabético”, que surge quando a doença não é controlada adequadamente. O diabetes pode causar danos aos nervos e à circulação, especialmente nos membros inferiores, levando a feridas que não cicatrizam e infecções.
Um cenário que vai além das fronteiras
O contexto brasileiro reflete uma tendência global. De acordo com a Federação Internacional de Diabetes (IDF), o Brasil ocupa uma posição preocupante no ranking mundial, com 16 milhões de pessoas vivendo com a doença – um número que coloca o país atrás apenas de gigantes como China, Índia e Estados Unidos. No mundo, estima-se que 1 em cada 9 pessoas tenha diabetes.
Os sinais silenciosos que merecem atenção
Duas condições são as principais vilãs por trás dessas complicações: a neuropatia diabética (que afeta os nervos) e a doença vascular periférica (que compromete a circulação). Juntas, elas podem causar uma série de sintomas que, se identificados cedo, podem fazer toda a diferença.
Fique atento se perceber:
-
Perda de sensibilidade ou formigamento nos pés.
-
Dores ou sensação de queimação, principalmente à noite.
-
Pele muito seca ou com rachaduras.
-
Feridas que demoram a fechar.
-
Tonturas ao se levantar.
“A chave é o diálogo claro”, afirma a médica vascular Ana Terezinha Guillaumon, membro da SOBRASP. “É preciso que os profissionais de saúde expliquem a doença, seus sintomas e riscos com palavras simples. Alertar para cuidados como usar sapatos confortáveis e examinar os pés diariamente é fundamental para evitar complicações.”
Prevenção: pequenos hábitos, grandes resultados
A boa notícia é que muito pode ser feito para evitar que o diabetes avance para um estágio crítico. O controle rigoroso da glicemia é o pilar principal, mas os especialistas destacam que atitudes simples no cotidiano são poderosas aliadas.
A receita para a qualidade de vida inclui:
-
Examinar os pés todos os dias em busca de qualquer machucado, bolha ou vermelhidão.
-
Cuidado redobrado ao cortar as unhas e evitar retirar as cutículas, para prevenir inflamações.
-
Hidratar bem a pele para evitar rachaduras que podem se tornar portas de entrada para infecções.
-
Manter uma alimentação balanceada e praticar atividades físicas regularmente.
-
Não andar descalço e optar por calçados macios e confortáveis.
Um chamado para o futuro
A médica Ana Terezinha Guillaumon faz ainda um alerta para as novas gerações: “O diabetes não afeta apenas idosos. Cada vez mais, vemos crianças e jovens entrando nessas estatísticas alarmantes. Por isso, as famílias precisam redobrar a atenção com a alimentação e os hábitos dos seus filhos”.
O cenário é crítico, mas a mensagem final é de esperança e ação. Com políticas públicas eficazes, conscientização e cuidados diários, é possível mudar o jogo e garantir que menos pessoas enfrentem desfechos graves como a amputação. A prevenção, afinal, começa com um simples olhar para os próprios pés.









