Congelamento de óvulos é alternativa para mulheres que desejam adiar a gravidez 

Em junho celebra-se o Mês Internacional da Infertilidade, importante ação para se discutir sobre as causas da infertilidade e as possibilidades de tratamentos. Uma alternativa para mulheres que desejam adiar a gravidez é através do congelamento de óvulos. O congelamento de óvulos no Brasil existe desde 1980, mas foi somente a partir de 2012 que o procedimento se estendeu às mulheres que não tinham problemas para engravidar, mas queriam somente adiar a gestação.

Com essa mudança, as mulheres passaram a ter a oportunidade de ter filhos usando seus próprios óvulos, mesmo com uma idade mais avançada, num momento da vida em que isso poderia comprometer a qualidade e a quantidade de óvulos, se engravidassem de forma natural. 

Apesar dos altos preços e das poucas clínicas públicas, esse novo cenário também fez com que o Brasil registrasse um crescimento nos números de reprodução assistida. Segundo o Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), da Anvisa, em 2023 foram congelados 107.830 embriões no País, um aumento de mais de 32% em comparação com 2020, que registrou 81.452 procedimentos.

O congelamento de óvulos é a técnica mais amplamente utilizada hoje para a preservação da fertilidade da mulher. No Brasil, dados recentes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre o  procedimento demonstram uma demanda crescente de mulheres que desejam adiar a gestação. Entre 2020 e 2021, foram realizados mais de 21 mil ciclos, com 154.630 óvulos congelados.

O congelamento de óvulos é a técnica mais amplamente utilizada hoje para a preservação da fertilidade da mulher. No Brasil, dados recentes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre o  procedimento demonstram uma demanda crescente de mulheres que desejam adiar a gestação. Entre 2020 e 2021, foram realizados mais de 21 mil ciclos, com 154.630 óvulos congelados. 

Congelamento de óvulos é alternativa para mulheres que desejam adiar a gravidez 
Paula Marin, ginecologista e obstetra

O tratamento apresenta-se como a opção para as mulheres que desejam adiar a maternidade por razões sociais ou médicas. Paula Marin, médica, especialista em reprodução assistida com experiência na área de preservação da fertilidade, explica que o congelamento de óvulos pode ocorrer por vontade da mulher, ou seja, de maneira eletiva, ou por indicação médica, em casos de urgência.

“Nos casos de pacientes com câncer, por exemplo, que vão ser submetidas à quimioterapia e à radioterapia, tratamentos que depletam de forma abrupta a reserva ovariana, temos o exemplo de preservação da fertilidade por indicação médica e de urgência”, explica.

Após poucas horas, os embriologistas limpam as células ao redor dos óvulos e os congelam pela técnica de vitrificação, a técnica de congelamento rápido. Eles são levados em tanques de nitrogênio líquido e lá podem permanecer por anos.

“É rápido e mais simples do que a maior parte das mulheres imagina! São geralmente 10 a 12 dias de estimulação ovariana, de uso de medicamentos para os folículos ovarianos crescerem, e essa aplicação é feita pela própria mulher em casa. Ela continua sua rotina nesse período, segue trabalhando, e encaixa 2 ou 3 visitas à clínica para ultrassonografias rápidas. A aspiração dos folículos ocorre normalmente no 12º a 14º dia do ciclo de estímulo. Esse é o único dia em que a mulher deve realmente ficar em repouso e se afastar do trabalho. Poucas horas depois da coleta, os óvulos são analisados e então congelados. Ou seja, o ciclo completo dura cerca de 12-14 dias”, detalha Paula. 

Taxa de sucesso após o descongelamento

Congelar não é garantia de gravidez no futuro, mas muitas vezes pode ser o melhor possível a ser feito num determinado momento da vida, em que a gravidez realmente não é possível. O congelamento deve ser encarado com um plano B. É uma oportunidade que a mulher tem para gerenciar de forma proativa sua fertilidade e não só esperar e observar passivamente sua reserva ovariana declinar.

As chances de ter um bebê no futuro dependem fundamentalmente de dois fatores: o número de óvulos congelados e a idade em que o congelamento aconteceu. De forma geral, mulheres até 35 anos têm 80-85% de chance de ter um bebê se tiverem 15 óvulos congelados, uma boa meta. Se ela tiver 10 óvulos, cerca de 70%. Acima dos 35 anos, nós começamos a aconselhar um número maior de óvulos para congelar, uma vez que a qualidade deles vai diminuindo de forma significativa. Uma mulher com 37 anos que congela 20 óvulos terá 75% de chance de ter um bebê.

Após poucas horas, os embriologistas limpam as células ao redor dos óvulos e os congelam pela técnica de vitrificação, a técnica de congelamento rápido. Eles são levados em tanques de nitrogênio líquido e lá podem permanecer por anos.

“É rápido e mais simples do que a maior parte das mulheres imagina! São geralmente 10 a 12 dias de estimulação ovariana, de uso de medicamentos para os folículos ovarianos crescerem, e essa aplicação é feita pela própria mulher em casa. Ela continua sua rotina nesse período, segue trabalhando, e encaixa 2 ou 3 visitas à clínica para ultrassonografias rápidas. A aspiração dos folículos ocorre normalmente no 12º a 14º dia do ciclo de estímulo. Esse é o único dia em que a mulher deve realmente ficar em repouso e se afastar do trabalho. Poucas horas depois da coleta, os óvulos são analisados e então congelados. Ou seja, o ciclo completo dura cerca de 12-14 dias”, detalha Paula. 

Taxa de sucesso após o descongelamento

Congelar não é garantia de gravidez no futuro, mas muitas vezes pode ser o melhor possível a ser feito num determinado momento da vida, em que a gravidez realmente não é possível. O congelamento deve ser encarado com um plano B. É uma oportunidade que a mulher tem para gerenciar de forma proativa sua fertilidade e não só esperar e observar passivamente sua reserva ovariana declinar.

As chances de ter um bebê no futuro dependem fundamentalmente de dois fatores: o número de óvulos congelados e a idade em que o congelamento aconteceu. De forma geral, mulheres até 35 anos têm 80-85% de chance de ter um bebê se tiverem 15 óvulos congelados, uma boa meta. Se ela tiver 10 óvulos, cerca de 70%. Acima dos 35 anos, nós começamos a aconselhar número um maior de óvulos para congelar, uma vez que a qualidade deles vai diminuindo de forma significativa. Uma mulher com 37 anos que congela 20 óvulos terá 75% de chance de ter um bebê.

Thauane Lima
Thauane Lima
Bacharel em Jornalismo pela UFES

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