O bruxismo é um distúrbio muitas vezes silencioso, mas que pode causar danos significativos à saúde bucal e ao bem-estar. O cirurgião-dentista Lorenzo Benetti, especialista em dor orofacial, disfunção temporomandibular (DTM) e bruxismo, explica os principais sinais, causas e formas de controle desse hábito que atinge milhões de pessoas no Brasil.
O que é o bruxismo?
Segundo o especialista, o bruxismo é caracterizado por um movimento repetitivo dos músculos da mastigação — e nem sempre envolve o contato entre os dentes. Pode ocorrer tanto durante o sono quanto ao longo do dia, muitas vezes de forma inconsciente. “Por ser silencioso e gradual, muitos pacientes só descobrem o problema quando começam a sentir dor ou notam um desgaste nos dentes”, afirma Benetti.
Principais sintomas
Entre os sintomas mais comuns estão a sensibilidade dentária, dor na face, estalos na mandíbula, sensação de cansaço no rosto, dores de cabeça frequentes e até zumbido no ouvido. Em casos mais graves, pode haver dificuldade para mastigar e até episódios de travamento da mandíbula.
Bruxismo noturno x diurno
O bruxismo pode se manifestar de duas formas: noturna e diurna. A forma noturna está relacionada a distúrbios do sono e microdespertares. Já a diurna costuma estar associada ao estresse, ansiedade e momentos de tensão ou concentração intensa. “Embora pareça inofensivo, o bruxismo tem impacto direto na saúde bucal e na qualidade de vida”, destaca o dentista.

Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico é feito por meio de avaliação clínica, observando sinais como desgaste dentário, retração gengival e hipertrofia dos músculos da mastigação. Exames complementares podem ser utilizados para maior precisão.
O bruxismo não tem cura definitiva, já que não é considerado uma doença, mas um hábito parafuncional. No entanto, ele pode ser controlado. O tratamento pode envolver o uso de placas oclusais personalizadas, técnicas de relaxamento, fisioterapia, psicoterapia e, em alguns casos, ajuste da mordida ou uso de medicamentos.
Quem pode ser afetado?
Adultos entre 20 e 40 anos são os mais afetados, principalmente por estarem mais expostos ao estresse e à sobrecarga emocional. No entanto, o bruxismo também pode ocorrer em crianças e idosos. “Cada caso deve ser avaliado de forma individual”, reforça Benetti.
Quando procurar um especialista
Dores frequentes na mandíbula, estalos, dor de cabeça ao acordar e dentes mais sensíveis são sinais de alerta. “O bruxismo é silencioso, mas seus efeitos são reais. Quanto antes o tratamento começar, melhores são os resultados”, finaliza o especialista.









