Uma pesquisa do 3º Panorama Setorial Fitness Brasil revelou que 75% das pessoas que praticam exercícios físicos no Brasil não têm acompanhamento nutricional. Mesmo sem supervisão especializada, 81% consomem suplementos alimentares. Esses dados ressaltam a necessidade de atenção ao uso indiscriminado dessas substâncias, que pode não apenas frustrar os objetivos esperados, mas também trazer sérios riscos à saúde.
A nutróloga Sandra Lúcia Fernandes afirma que a suplementação é clinicamente recomendada em situações específicas, como quando a dieta habitual não atende às necessidades nutricionais, especialmente em indivíduos com alta demanda física, como atletas. “Essas pessoas precisam suprir necessidades energéticas e promover a recuperação alimentar que inclui proteínas, aminoácidos e eletrólitos”, explica.
Outras condições que podem requerer suplementação são deficiências nutricionais diagnosticadas, necessidades específicas de grupos populacionais — como grávidas, lactantes, idosos, vegetarianos e veganos — dietas restritivas e problemas de saúde como osteopenia, osteoporose, anemia e distúrbios de absorção.
“Antes de iniciar qualquer rotina com suplementos, é fundamental buscar orientação profissional para avaliar a real necessidade disso, sempre com base em exames laboratoriais. O acompanhamento com especialista também evitará interações medicamentosas ou efeitos colaterais, além de maximizar os benefícios”, ressalta Sandra.
Ela também destaca a importância de optar por produtos de qualidade, de marcas confiáveis, lembrando que esses suplementos não substituem uma dieta equilibrada nem são soluções únicas para problemas nutricionais.
Ameaças à saúde
Os principais riscos associados ao uso de suplementos sem orientação incluem toxicidade e overdose, especialmente com vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) e minerais, que podem se acumular no organismo a níveis tóxicos, quando consumidos em excesso.
Outros possíveis efeitos adversos são interferências com medicamentos, reações alérgicas, problemas gastrointestinais e contaminação por substâncias nocivas. Segundo a especialista, essa incerteza existe porque a regulação da indústria de suplementos é menos rigorosa que a dos medicamentos, por exemplo, o que pode resultar em variações na qualidade e concentração dos ingredientes ativos.
Um risco menos debatido que a nutróloga aponta é a dependência psicológica. “A confiança excessiva em suplementos pode levar algumas pessoas a acreditarem que esses produtos são indispensáveis para sua saúde, mesmo quando não são necessários”, alerta a médica.
“Para garantir que os suplementos sejam absorvidos e utilizados de forma eficaz, é essencial seguir as orientações de dosagem e considerar o momento correto de consumo em relação às refeições e outros medicamentos”, salienta a nutróloga.
Efeito reverso
Do ponto de vista do desempenho físico, a professora de Educação Física Bárbara Gomes, coordenadora da Academia Razões do Corpo, explica que, embora a suplementação ajude a corrigir deficiências nutricionais, o uso inadequado pode causar desidratação, um problema grave para quem pratica atividades físicas. “A falta de água reduz a capacidade do corpo de regular a temperatura e manter a circulação sanguínea eficiente, além de aumentar o risco de cãibras e lesões”, detalha.
Outro problema associado à suplementação inadequada é a fadiga muscular. Quando a reposição de nutrientes essenciais não ocorre de forma eficiente, os músculos não conseguem se recuperar adequadamente após o esforço físico. “Isso pode levar à fadiga crônica, dificultando a realização de treinos consistentes e o ganho de massa muscular”, ressalta a instrutora física.
Ela ainda comenta que, de forma geral, aqueles suplementos que alteram o equilíbrio hormonal ou metabólico são alguns dos mais perigosos quando se fala em lesões. Essas substâncias podem deixar a saúde física mais frágil, tornando o corpo mais suscetível a fraturas e lesões.
Para quem busca melhorar o desempenho físico, Bárbara destaca a importância de uma dieta balanceada, sono de qualidade e a abstenção de drogas. “Os suplementos são ferramentas úteis, mas devem ser acompanhados por profissionais da saúde e da Educação Física para otimizar os resultados e reduzir os riscos à saúde”, conclui.









