Como é bom ter saúde, todas elas, mental, física, emocional, financeira. Estar equilibrado na vida contribui muito para isso. Mas, e quando falta um desses?
Vivemos num país, onde se plantando tudo dá, mas a fome dorme com milhares de brasileiros todas as noites. Não ter o que comer, vestir, não poder frequentar uma escola e absorver o conteúdo aplicado porque a barriga não para de roncar, são questões que gritam ao nosso lado, mas a correria não nos deixa perceber, ou é melhor fingir que não percebe, já que a solução não está comigo.
Natane Moysés é psicóloga e palestrante e afirma que não é tão fácil viver dessa forma. “Quando partimos do princípio de acesso básico a saúde, estamos dizendo que mesmo que a pessoa entenda que tem um transtorno ou alguma questão mental, ela não vai ter o apoio necessário de forma gratuita, ou não pode pagar por esse cuidado. Quando falamos sobre adoecimento mental algumas coisas ao longo da vida podem aumentar a probabilidade desse adoecimento como pobreza, desemprego, abuso e negligência, doenças físicas, negação de direitos e eventos da vida como falecimento de alguém, romper um relacionamento, violação dos direitos humanos, aumentam a probabilidade de adoecer”.
Nessas horas não basta enxergar, é preciso ver. Quantos não foram salvos pelo professor, que via para além de um aluno disperso em sala? “Se a gente não tem uma rede de educação, principalmente na periferia, o olhar do professor para ajudar a criança ou perceber que algo não está indo bem dentro do ambiente familiar dela, teremos menos facilidade de cuidar dessa criança”.
Saber ler os sinais do corpo é importante. Se conhecer, saber quando algo não está bem, contribui muito para que nós mesmos, tomemos o caminho certo na hora de procurar ajuda. “O adulto que busca a saúde por uma questão física, mas que na verdade está vinculada a uma questão mental, não terá ajuda correta. Ou uma doença crônica que impacta muito a saúde mental das pessoas, e não ter apoio, a possibilidade de perder essa pessoa, será maior. Buscar recursos fora da saúde, da educação oferecida, bom relacionamento familiar, alimentação de qualidade, atividade física ao ar livre, fazer o que gosta, descansar, trabalhar o autoconhecimento será melhor para a vida da pessoa”.
Quem tem condição financeira, é muito possível cuidar da saúde mental e físico. Para os que dependem das políticas públicas, e falta acesso a educação básica, fica sempre mais difícil ter acesso. “Com isso a pessoa corre o risco de sofrer maus tratos, humilhações, porque não tem o básico de conhecimento para buscar uma ajuda inicial e começar um tratamento. Mesmo sabendo que pode demorar, existem aqueles que nem com prazo mais longo conseguem ajuda por não ter o acesso ao primário para a sobrevivência”.









