O consumo de álcool em pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um tema complexo e intrigante que levanta questões fundamentais sobre a relação entre as dificuldades sensoriais e a sociabilidade. Será que o álcool atua como um camuflador dessas dificuldades?
O psiquiatra Gilson Giubert Filho explica que o TEA não suporta uma quantidade maior de estímulos. Associado a isso, há uma dificuldade de compreender os estímulos, de uma forma geral.
“O natural é que tornem-se mais retraídas e muito sensíveis ao que ocorre à sua volta. A limitação das possibilidades de interação e os prejuízos de uma interação mal sucedida gera uma diminuição nas possibilidades de ocupar um lugar social. Quanto maior for o grau dos sintomas, mais limitado se torna o escopo de ocupações sociais”, informa ele.
O psiquiatra diz que ocorrem casos em que o álcool e outras substâncias psicoativas minoram a angústia, ansiedade e a depressão que ocorre na pessoa com TEA. Desta forma, pode haver uso abusivo em função do transtorno.
Porém, há o risco, como em qualquer pessoa que busca o alívio emocional em álcool e outras substâncias psicoativas, do desenvolvimento do uso abusivo e suas consequências. “Com as limitações de percepção interna e externa do indivíduo com TEA, isso pode ser desastroso”.
Medicamentos são necessários para o alívio dos sintomas do indivíduo com TEA, mas a psicoterapia é a forma mais adequada de se vencer algumas limitações, tomar consciência de todas as dificuldades de possibilidades, assim como desenvolver estratégias para lidar consigo próprio, com o meio ambiente, principalmente no que diz respeito a interações sociais, afirma Giubert.









