O presidente Lula participa da 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura. Após um hiato de 12 anos, o evento foi retomado, reunindo agentes culturais, coletivos, mestres e mestras das culturas populares, povos tradicionais, representantes da sociedade civil e gestores públicos em Aracruz.
O presidente anuncia ainda a entrega de mais 89 unidades do MovCeus, equipamentos culturais itinerantes, adaptados com biblioteca, estúdio audiovisual, recursos tecnológicos, oficinas e cinema ao ar livre, levando infraestrutura cultural a localidades historicamente desassistidas. Acompanhe.
Cerimônia de abertura

A cerimônia de abertura do evento foi marcada por uma apresentação cultural com a entrada de estandartes representando as cinco regiões do país. O Hino Nacional Brasileiro foi interpretado pela cantora Luedji Luna.

Assinatura de decretos
Entre os decretos assinados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva estão a reestruturação do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC), que volta a funcionar como espaço de participação da sociedade nas decisões sobre a cultura no país, e a criação da Política Nacional para as Culturas Tradicionais e Populares. A nova medida estabelece, pela primeira vez, uma política nacional voltada exclusivamente à valorização, proteção e fortalecimento das culturas tradicionais e populares brasileiras.

Discurso
Críticas à gestão Bolsonaro e defesa da Cultura
Durante o discurso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que artistas sofreram ataques e desinformação relacionados à Lei Rouanet nos últimos anos. Lula também citou o caso envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro ao comentar críticas sobre financiamento cultural no país.
“Quem imaginava que aquele menino, que parecia a pessoa mais santa da família Bolsonaro, estivesse pegando R$ 159 milhões para fazer um filme do pai?”, disse ao mencionar a polêmica envolvendo o financiamento do filme biográfico “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O presidente relembrou ainda que, em diferentes períodos, o setor cultural perdeu autonomia administrativa dentro do governo federal. Segundo Lula, os governos do PT foram os únicos a defender a existência de um ministério exclusivo para a Cultura.
Durante a fala, Lula também criticou a gestão Bolsonaro e afirmou que houve desmonte de ministérios e políticas públicas voltadas para áreas sociais, culturais e de direitos humanos.
“Muitas vezes, as pessoas reclamam que faltam coisas a serem feitas. E sempre vai faltar, porque quanto mais a gente fizer, mais as pessoas vão querer conquistar. E quanto maior for esse desejo, mais nós teremos que aprender a criar novas soluções. O que não incomoda é a sociedade reivindicar, cobrar e lutar pelos seus direitos. O que incomoda, de verdade, é não termos competência para fazer tudo o que a sociedade brasileira precisa e tudo o que a cultura merece neste país. A educação nos ensina, mas a cultura nos torna revolucionários.”
Lula alerta para fake news e uso da inteligência artificial
Ao falar sobre o avanço da tecnologia e o impacto da desinformação no período eleitoral, Lula fez um alerta sobre o uso da inteligência artificial e o excesso de informações consumidas diariamente pela população.
“A nossa cabeça não tem capacidade de processar tudo o que a gente recebe. É preciso ser seletivo e saber distinguir o que é verdade e o que é mentira”, afirmou.
O presidente destacou que a inteligência artificial pode trazer avanços importantes em áreas como saúde, educação, engenharia e indústria, mas criticou o uso da tecnologia na política para disseminação de fake news.
“A inteligência artificial é um bem muito grande para a humanidade na questão da saúde, educação, engenharia e fabricação de produtos. Mas a inteligência artificial não poderia servir para a política. Na política, você não pode comprar mentira, votar em mentira ou votar em coisa abstrata. Você está votando em alguém que vai governar o seu país, a sua cidade e o seu estado”, declarou.
Presidente defende reforço na proteção das fronteiras
Lula também citou o planejamento de um projeto voltado à proteção das fronteiras brasileiras e defendeu o fortalecimento da segurança nacional.
Segundo ele, o Brasil precisa ampliar sua capacidade de proteção territorial diante da dimensão estratégica do país, que possui extensa fronteira terrestre e marítima, além de recursos naturais considerados valiosos.
“Esse país tem que resolver seu problema com segurança. Um país com 16.800 quilômetros de fronteira seca, com 8.000 quilômetros de fronteira marítima, com a maior floresta tropical do mundo, com 12% da água doce do planeta, com tanto minério de ferro, ouro e minerais críticos, não pode ficar desguarnecido como está”, afirmou.
O presidente também mencionou declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre territórios internacionais e relacionou o tema à necessidade de proteger a Amazônia e a soberania brasileira.
“Depois que o Trump disse que a Groenlândia é dele, que o Canadá e o Canal do Panamá são dele, quem é que diz que ele não pode pensar que a Amazônia é dele? Nós temos que assumir a responsabilidade de cuidar desse país”, declarou Lula.
Governo destaca ampliação dos pontos de cultura
Ao defender a valorização das culturas populares e tradicionais, Lula comemorou a ampliação do número de pontos de cultura ativos no país e a retomada de investimentos no setor cultural.
“Quando assumimos a Presidência, em 2023, havia pouco mais de 4 mil pontos de cultura sem dinheiro para funcionar. Pequenos em expressão numérica, mas gigantes na capacidade de resistir aos desmontes promovidos pelo governo anterior. Em apenas três anos e meio, tecemos juntos essa imensa teia: hoje são 16 mil pontos e pontões de cultura espalhados por mais de 2.200 municípios do Brasil”, declarou.
Segundo o presidente, os espaços culturais fortalecem manifestações presentes em periferias, favelas, assentamentos rurais, quilombos e territórios indígenas, reunindo expressões que vão das culturas de matriz africana ao hip hop e outras manifestações contemporâneas.
Durante a fala, Lula também destacou a aprovação, na Câmara dos Deputados, da Lei de Mestras e Mestres da Cultura Tradicional e Popular, aprovada em outubro de 2025.
“Quando aprovada pelo Senado, essa lei vai garantir reconhecimento, auxílio financeiro e apoio aos detentores de conhecimentos legados pelos nossos antepassados”, afirmou.
Lula ainda ressaltou que o governo oficializou, no fim de março, a inclusão de mestres e mestras das culturas tradicionais populares na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO).
“Essa é uma justa e legítima demanda histórica dos movimentos sociais e representa mais um passo na proteção e valorização formal das pessoas que mantêm vivas as raízes da identidade cultural brasileira”, finalizou.










