Semana agitada com os desdobramentos de Brasília e as questões relacionadas à sucessão do Palácio Anchieta. Acompanhe os principais destaques de análises e fatos!
Um lado e outro I
As manifestações em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ocorreram no último fim de semana em diversas capitais do País, inclusive no Espírito Santo, com destaque para a tradicional travessia pela Terceira Ponte, entre Vila Velha e Vitória. Embora o ato em solo capixaba não tenha alcançado a mesma expressividade de anos anteriores, contou com participação significativa, sinalizando que o bolsonarismo e o conservadorismo seguem presentes no cenário político.
Um lado e outro II
Entre os nomes conhecidos da direita que marcaram presença, estavam o senador Magno Malta (PL), acompanhado da filha Maguinha — aposta pessoal para o Senado —, os deputados federais Gilvan da Federal (PL) e Evair de Melo (Progressistas), além do presidente estadual do Republicanos, Erick Musso. Por outro lado, chamou atenção a ausência do prefeito da Capital, Lorenzo Pazolini (Republicanos), cuja escolha reflete uma postura mais pragmática — tema que merece análise à parte.
Um lado e outro III
Enquanto lideranças conservadoras participavam da manifestação, Pazolini optava por prestigiar a final da Copa Espírito Santo, realizada no Estádio Kleber Andrade, em Cariacica. O evento esportivo reuniu o Vitória, time do coração do prefeito, e o Porto Vitória. A presença do chefe do Executivo municipal, além de demonstrar apreço pessoal, cumpriu papel institucional, uma vez que o alvianil conta com patrocínio da Prefeitura. O governador Renato Casagrande (PSB) também esteve presente na decisão.
Um lado e outro IV
Outro ponto que merece atenção foi o tom simbólico do ato bolsonarista do último domingo (3), que incluiu homenagens a Israel e a Donald Trump, este último em evidência após anunciar sobretaxas a produtos brasileiros, como o café, relevante para a economia capixaba. Diante desse contexto, Pazolini pode ter considerado o risco político de associar-se diretamente ao movimento, evitando assim críticas por parte de setores econômicos locais e munição para adversários.
Um lado e outro V
As questões ideológicas, como se viu nesse fim de semana, estarão no centro do debate nas eleições do próximo ano. Tendem a influenciar tanto o pleito proporcional quanto as disputas majoritárias, como a corrida ao Senado. No entanto, a eleição para o governo estadual costuma ser fortemente influenciada por eleitores de perfil centrista, muitos dos quais evitam manifestações públicas de apoio ou reprovação a figuras mais polarizadoras, como Lula ou Bolsonaro, fenômeno conhecido como “espiral do silêncio”. É justamente esse segmento silencioso que se torna decisivo e cobiçado por todos os candidatos.
Um lado e outro VI
A principal lição que emerge é clara: a direita bolsonarista e conservadora continua mobilizada, com capacidade de articulação e potencial para eleger representantes. Contudo, a relativa dimensão dos atos desse fim de semana reforça a percepção de que o eleitor moderado e discreto será o verdadeiro fiel da balança nas eleições para o governo e até para a Presidência da República.
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Versão I
O senador Magno Malta (PL) pediu desculpas ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil/AP), nessa quinta-feira (7). Magno chegou a ficar acorrentado na mesa da maior Casa do Congresso. Segundo a colunista Bela Megale, de O Globo, Magno teria dito a Alcolumbre que ainda exagerou na medida para defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro. Bela Megale relatou que nas conversas com Alcolumbre, os oposicionistas buscaram desfazer qualquer mau-estar com o presidente do Senado e reforçaram a mensagem de que irão apoiá-lo e que “estão juntos”. Ele, porém, deixou claro que não vai pautar impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal.
Versão II
Para ES Hoje, a assessoria de Magno Malta disse que “não houve nada disso”. Afirmou que “O Globo publicou uma foto fora de contexto; que o senador soube que Alcolumbre perdeu a tia que o criou e foi solidário diante de sua perda. Malta mantém postura firme nas pautas que defende, mas nunca deixou de ter bom relacionamento com todos”. Recado dado.
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Construção de imagem I
Neste período pré-eleitoral é inegável que tem ocorrido um processo de modernização da imagem do vice-governador do Estado, Ricardo Ferraço (MDB). Se antes era lembrado exclusivamente por seu domínio sobre temas econômicos, agora se empenha em demonstrar versatilidade e uma postura mais acessível, característica que o governador do Estado, Renato Casagrande (PSB), exibe com naturalidade.
Construção de imagem II
Os acontecimentos de terça-feira (5) e de quarta (6) ajudam a ilustrar essa nova construção de imagem. Sem abandonar seu DNA técnico e a sólida ligação com o setor produtivo, Ricardo concedeu entrevista à CNN Brasil para tratar dos impactos do chamado “tarifaço” no Brasil, com atenção especial aos reflexos na economia capixaba. Foi um gesto de continuidade em sua trajetória, mas, ao mesmo tempo, alinhado com o esforço de atualização.
Construção de imagem III
Em outra frente, reafirmou seu envolvimento com a segurança pública, pauta sensível e de grande apelo. Debatendo os desdobramentos da Operação Trivium, Ricardo assumiu protagonismo ao se apresentar como um dos articuladores do programa Estado Presente. A estratégia é clara: consolidar a imagem de liderança que protege e atua de forma concreta em temas que preocupam o cidadão comum. Esse posicionamento é essencial para conquistar a confiança popular.
Construção de imagem IV
Ainda nessa linha de aproximação, gravou um vídeo descontraído ao lado do prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB), comemorando os 30 dias sem registros de homicídios no município. O gesto teve peso simbólico e político: além de comunicar resultados na segurança, mostrou sintonia com uma das principais lideranças da Grande Vitória, um aliado de primeira hora em sua articulação para o Palácio Anchieta.
Construção de imagem V
Ricardo também marcou presença em agendas de peso para o setor produtivo, como a abertura da MEC Show e a posse da nova diretoria da Ademi. Em paralelo, compartilhou momentos de sua rotina pessoal, como uma ida à academia, destacando, com bom humor, que “deixou pago” o treino do dia. Tudo para reforçar a imagem de um político ativo, disciplinado e, sobretudo, comum, “gente como a gente”.
Construção de imagem VI
Esse esforço em revelar novas facetas tem como objetivo mostrar que está em sintonia com os tempos e, principalmente, com o eleitorado. Trata-se de uma tentativa legítima de se aproximar da população fora do período eleitoral, enfrentando o desafio histórico das instituições públicas de parecerem distantes e frias. Em tempos de hiperexposição, mostrar-se presente, e não apenas quando se precisa de voto, tornou-se uma exigência da vida pública.
Construção de imagem VII
Ricardo busca tudo isso em um momento estratégico: tenta se consolidar como o nome único do grupo de Casagrande para a sucessão estadual. A empreitada pode não ter êxito? Sim, é possível. Mas não se pode negar que o vice-governador está se movimentando e apostando alto em sua reinvenção política. Independentemente do desfecho, o movimento é evidente: Ricardo Ferraço quer ser mais do que o técnico da economia. Quer ser lembrado como liderança completa, multifacetada e, principalmente, presente. Agora é combinar isso com o eleitorado. E o eleitorado aceitar.
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Foto da semana

O prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), acompanhado do presidente estadual do Republicanos, Erick Musso, recebeu, nessa semana, a visita do ex-deputado estadual Carlos Von (PL).
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Desejamos um feliz dia dos pais ótima semana!










