O início da segunda quinzena de janeiro reservou intensas movimentações já visando 2026, apesar de haver muito ainda para acontecer. Acompanhe os principais acontecimentos e análises da semana.
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Divisão I
Cachoeiro de Itapemirim, Capital Secreta do Mundo, recebeu nessa terça-feira (14), a assinatura da ordem de serviço para obras de modernização e ampliação do aeroporto do município. Mais do que isso, o governador do Estado, Renato Casagrande (PSB), decolou com uma explícita divisão de protagonismo no Palácio Anchieta.
Divisão II
A cidade do Sul do Estado é terra do vice-governador Ricardo Ferraço (MDB). Logo, Casagrande, natural de Castelo, distante uns 40 km de Cachoeiro, aplicou nítida aproximação dos núcleos. “Eu e Ricardo Ferraço decidimos pelos investimentos”, disse o socialista para a imprensa, e ainda na presença do prefeito do município, Theodorico Ferraço (Progressistas), pai do emedebista.
Divisão III
Sedimentar e fortalecer Ricardo nas suas origens é estratégia para minar possíveis concorrentes. E o emedebista mexeu com os brios dos cachoeirenses em seu discurso a respeito das obras no terminal aeroportuário, orçadas em R$ 77 milhões. Avaliou que é preciso resgatar o protagonismo de Cachoeiro e da região Sul.
Divisão IV
O mote de campanha de Ricardo Ferraço, para 2026, talvez até já exista. A frase que vem repetindo ao longo de eventos, como fez também em sua terra, que é “Espírito Santo, o Brasil que dá certo”. Sem contar outro mantra: “Responsabilidade fiscal sem deixar de fazer os investimentos para que as pessoas possam prosperar”. Fato é que em janeiro de 2025, com um tempo seguro para planejamento, o governo começa a pensar no voo para a campanha do emedebista. Resta saber se vai aparecer para decolagem o que realmente define essa empreitada: o embarque do voto do eleitor capixaba.
Divisão V
Aos colegas Vitor Vogas, do ES360, e Letícia Gonçalves, Ricardo já chutou o balde e declarou que deseja, sim, disputar a eleição para o Palácio Anchieta.
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Pergunta que não quer calar
Será que a decisão de antecipar tanto o processo eleitoral tem a ver com o retorno de Paulo Hartung à vida partidária, visto que está prestes a se filiar ao PSD?
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Indireta I
Palavras surtem efeitos diretos, mas posturas podem ter significados ainda maiores. Em um momento no qual o governo do Estado passa por mudanças no primeiro escalão, para abrigar mais aliados do governador Renato Casagrande (PSB), o deputado federal Gilson Daniel (Podemos), nessa segunda-feira (13), se encontrou com o presidente estadual do Republicanos, Erick Musso.
Indireta II
A publicação do parlamentar, com a foto, é sucinta. “Recebendo a visita do amigo Erick Musso”. O colega retribuiu a gentileza. Nessa linha monossilábica, há possíveis significados indiretos. Em primeiro lugar, é necessário lembrar que o Podemos integra a base do Palácio Anchieta e que deseja ter mais espaço na gestão.
Indireta III
Na última sexta-feira (10), Gilson acompanhou Casagrande em agendas por Irupi e, naturalmente, entre um papo de chuva aqui e acolá, a questão do secretariado apareceu. Contudo, conforme publicado por ES Hoje, o Podemos é um “partido dividido”, visto que o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (Podemos), não morre de amores pelo deputado federal, presidente da legenda.
Indireta IV
Assim sendo, o encontro do parlamentar com Erick vem a reboque de pano de fundo no qual Arnaldinho teria jogado banho de água fria nas intenções do presidente do Podemos de ter alguém no governo. Motivo? Não deixar o deputado federal crescer.
Indireta V
Após expressiva votação, com acachapante triunfo, o prefeito canela-verde segue numa expoente e tem vontades mais ousadas em cargos eletivos, e até, quem sabe, comandar um partido – e o Podemos não pode ser descartado. Numa “Escolha de Sofia”, Casagrande, por ora, teve de optar por ficar com Arnaldinho, que ainda é cotado – assim como Gilson – para a disputa do Palácio Anchieta, no ano que vem.
Indireta VI
Ocorre que, assim como no futebol, a política tem dessas de aproveitar as chances de mercado. Se Gilson se sente preterido, há quem o queira, como o grupo do Republicanos, que deseja compor uma frente de centro-direita conservadora para 2026, tendo ainda o Progressistas. Este último, por sinal, tem pés fincados nas gestões de Lorenzo Pazolini (Republicanos), em Vitória, e de Casagrande.
Indireta VII
Em encontro anterior entre Podemos e Republicanos, como esta coluna registrou em 4 de junho de 2024, Erick comentou que a reunião havia sido um bate-papo cordial, que Gilson era amigo querido e que ele estava “à disposição para dialogar sobre qualquer que fosse o tema com o Podemos”. Logo, há interesses. Seis meses se passaram daquele fato. Muita coisa mudou. O deputado federal não disse adeus a Casagrande e muito menos anunciou guerra. Longe disso. Só que estar ao lado de um líder partidário, que antagoniza no cenário político atual com o socialista, é indicativo de que possibilidades estão em aberto para Gilson e que “tudo pode acontecer, inclusive nada.
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Aceno I
O atual presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (União Brasil), foi eleito, em 2022, com 41.627 votos que vieram de todos os 78 municípios do Espírito Santo. E de Guarapari vieram 152, estando em 42º lugar no ranking das cidades que mais lhe concederam sufrágios. Corta para 2025. Lá esteve o parlamentar presente, nessa quinta-feira (16), em evento de chamamento público para revitalização do antigo Radium Hotel, em Guarapari. Tudo isso iniciativa do governo do Estado, com a presença do governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), do vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) e do secretário de Estado da Saúde, Tyago Hoffmann (PSB), deputado estadual licenciado e que tem ampla base eleitoral na Cidade Saúde.
Aceno II
Essa trinca tem debatido e muito o processo de sucessão da Mesa Diretora, que será decidido assim que a Casa de Leis retornar do recesso, em fevereiro. Casagrande vê a Assembleia como estrutura fundamental para o processo eleitoral do ano que vem. Por isso, ele tem a consciência de que é necessário deixar tudo nos conformes para deixar engatilhado seu candidato ao Palácio Anchieta, que tende a ser Ricardo, se não houver qualquer tipo de mudança.
Aceno III
O governador sabe ainda de que necessita de uma Casa de Leis funcionando adequadamente para que seus investimentos e ações deem certo e que façam brilhar aliados, como Tyago, chefe da poderosíssima Sesa, cujas pretensões miram a Câmara dos Deputados. Se tudo der certo, o governador poderá ser colega do aliado de núcleo duro em Brasília, em 2027, visto que o chefe do Executivo tem ambição de ser senador.
Aceno IV
A leitura da presença de Marcelo é óbvia: prestigiar e demonstrar lealdade ao projeto idealizado por Casagrande, que tem a presença de outros aliados. Em Guarapari, diga-se de passagem, o político do União Brasil andou lado a lado com os interesses do Palácio Anchieta, quando estes apoiaram o deputado estadual Zé Preto (Progressistas), que saiu derrotado por Rodrigo Borges (Republicanos) numa batalha bastante acirrada pela Prefeitura da Cidade Saúde.
Aceno V
Nesses idos de janeiro, a tarefa de Marcelo é reduzir a desconfiança do entourage do governador, especialmente de Ricardo, para evitar qualquer tipo de traição, especialmente se o emedebista se tornar o chefe do Executivo estadual, com a provável renúncia de Casagrande para a disputa do Senado. Ao longo desta e da próxima semana, os deputados estaduais vão seguir passando ao Palácio Anchieta quais são suas preferências sobre quem deve comandar a Casa de Leis. Vandinho Leite (PSDB), muito próximo de Ricardo, tem vontade também de ser presidente.
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Futuro I
Em entrevista para ES Hoje, que será exibida na próxima terça-feira (21), o ex-prefeito da Serra Sergio Vidigal (PDT) revelou que foi convidado a assumir posto no governo Casagrande. Ele pediu tempo para avaliar.
Futuro II
O pedetista não descarta concorrer em 2026, mas garante que não será mais para deputado federal.
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Foto da semana
O prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (Podemos), recepcionou o deputado estadual Capitão Assumção (PL) nessa quarta-feira (15). Longe de nós querermos fazer qualquer ilação, mas recentemente o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), nomeou na gestão dele um antigo aliado do bolsonarista.
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