Na corrida para a Câmara Federal, a disputa por legendas está num afunilamento tenso. As 10 cobiçadas cadeiras bancada federal virou um xadrez de alta voltagem. No sistema proporcional, não basta ser bom de voto: é preciso que a legenda atinja o impagável Quociente Eleitoral (QE) — a divisão do total de votos válidos pelo número de vagas disponíveis. Traduzindo para o bom português dos bastidores: quem não faz legenda vira mero doador de voto, e a briga afunila para ver qual partido emplaca cadeiras diretas e quem vai sobreviver à roleta-russa do cálculo das sobras (a famosa regra do 80/20).
No Espírito Santo para fazer um deputado federal é necessário 200 mil votos.
Nos corredores partidários, a Federação União Progressista entra em campo com pose de rolo compressor. A projeção interna é ousada: fazer “barba, cabelo e bigode” para abocanhar uma bancada volumosa em Brasília. O grupo aposta alto em nomes como Marcelo Santos, Da Vitória, Amaro Neto e Dr. Bruno Resende — uma verdadeira seleção de puxadores de votos que promete inflar o Quociente Partidário do grupo.
Do outro lado do espectro, a disputa é pura tensão:
O dilema do PL e a “carta” Neucimar: A grande atração dos liberais atende pelo nome de Lucas Polese. A matemática dos bastidores aponta que, se Polese romper a barreira mágica dos 100 mil votos, ele não apenas garante a sua vaga como arrasta o Quociente Partidário lá para cima, abrindo um segundo assento na “sobra das urnas”. Quem já está de sorriso de orelha a orelha com essa possibilidade é o ex-deputado Neucimar Fraga, pronto para abocanhar a cadeira reboque.
Podemos e Republicanos no corpo a corpo: O Podemos montou uma chapa pesada com a dupla Serginho Vidigal e Gilson Daniel para tentar garantir vaga própria sem depender de caridade matemática. Já o Republicanos coloca à prova a capacidade de tração eleitoral de Erick Musso e Manato em uma disputa interna de vida ou morte.
A disputa na esquerda e no PSB: No PT, a briga pela preferência do eleitorado raiz divide João Coser e Jack Rocha cabeça a cabeça. Já o PSB joga suas fichas em uma chapa de renovação e densidade local, tentando viabilizar Manu e Dr. Victor na marra do quociente.
Com o relógio correndo e a cláusula de desempenho individual exigindo no mínimo 10% do QE para cada candidato assumir, a pergunta de um milhão de reais é: qual cacique vai servir de “escada” para eleger os rivais e quem vai ver a vaga voar no detalhe do cálculo das sobras? A apuração promete ser um teste para cardíaco.










