O rompimento entre o prefeito de Vila Velha e presidente do PSDB, Arnaldinho Borgo, e o deputado federal Victor Linhalis era uma realidade evidente há pelo menos um semestre, mas vinha sendo disfarçado porque representa mais um custo político na biografia de Arnaldinho. Para o prefeito canela-verde, a cisão expõe o reiterado padrão de alianças desfeitas ao longo de sua trajetória.
Segue o fio…
Quando se elegeu em 2020 tendo Victor Linhalis como vice, Arnaldinho mantinha relação próxima com Bruno Lorenzutti — todos então filiados ao Podemos. Com o apadrinhamento do prefeito, Linhalis conquistou a vaga na Câmara dos Deputados em 2022. Em 2024, Lorenzutti trocou o Podemos pelo MDB e abriu mão da reeleição para ser o vice de Arnaldinho em um projeto costurado pelo próprio mandatário. Contudo, na reta final, Arnaldinho recuou e formou chapa com Cael Linhalis (PSB), pai de Victor.
Na sequência, Arnaldinho e Victor tentaram tomar o controle do Podemos capixaba das mãos do deputado Gilson Daniel. Sem sucesso nas instâncias nacionais, o prefeito se desfiliou e rompeu com o dirigente. Depois de sondar PSD, Progressistas e a fusão PRD-Solidariedade, assumiu a presidência estadual do PSDB.
No comando tucano, tentou viabilizar candidatura ao Governo do Estado — rompendo com o grupo governista no qual a sucessão já tinha o nome de Ricardo Ferraço definido — ao ensaiar aliança com Lorenzo Pazolini e o Republicanos. A articulação naufragou, obrigando-o ao recuo estratégico para não renunciar à prefeitura.
Entrando de onde o pai saiu
No PSDB, Linhalis acabou sem espaço em uma chapa federal e precisou buscar vaga no PSB aos 45 do segundo tempo — o mesmo PSB que havia cedido a vice em Vila Velha antes das movimentações tucanas.
Com a campanha eleitoral nas ruas e candidaturas autorizadas, Arnaldinho expôs o distanciamento de Victor Linhalis. O prefeito passou a indicar apoio à candidatura de Emanuela Pedroso (Manu do PSB) para a Câmara dos Deputados.
Em evento do PSDB nesta segunda-feira (17), reunindo os postulantes à Assembleia Legislativa ao lado de Ricardo Ferraço (MDB) e Renato Casagrande (PSB), a ausência de Linhalis foi notada. Sem convite, o deputado federal cumpriu agendas administrativas. No dia anterior iniciou as suas atividades de rua, como o adesivaço do Comitê Dr. Victor – que reuniu apoiadores e adesivou cerca de 300 veículos em Vila Velha, menos o prefeito e ex-aliado.

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Pelas campanhas
Entrada sem convite: O lançamento da pré-candidatura de Marcelo Santos a deputado federal reuniu mais de 2 mil pessoas. O candidato ao Senado, Renato Casagrande (PSB), não estava na lista oficial de convidados — mas também não foi desconvidado. Quando Casagrande chegou ao local, o deputado federal Evair de Melo, que estava a caminho, preferiu dar meia-volta. Marcelo Santos já havia declarado apoio a Rose de Freitas e Casagrande, enquanto Evair mantinha conversas com a chapa do Republicanos.
Leitura fluminense: O ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (Republicanos) recebeu de um aliado o livro Campanhas, Casos & Cases, escrito pelo estrategista capixaba Fernando Carreiro, de 41 anos. Ao elogiá-lo (“Que garoto novo e com tanta experiência”), ouviu do interlocutor: “Você ainda vai ouvir falar muito dele”.
Desafio metropolitano: O gargalo da campanha de Rose de Freitas (MDB) ao Senado continua sendo a Grande Vitória. A emedebista não compareceu aos eventos organizados por Arnaldinho Borgo em Vila Velha nem ao encontro liderado por Marcelo Santos na capital.










