Cassado, Baiano do Salão nega acusações e compara seu caso ao de Daniel Alves

O vereador Baiano do Salão (Podemos), teve o mandato cassado na tarde desta terça-feira (20). Os vereadores de Vitória, por unanimidade, aprovaram as acusações de estupro de vulnerável e lesão corporal . A sessão contou com 21 edis – contudo o presidente da comissão processante, vereador Leonardo Monjardim (Novo), o acusado e o presidente da Casa, Anderson Goggi (Republicanos), não votam.

A palavra final foi do parlamentar, que assumiu a tribuna para se defender pessoalmente. Em um discurso de tom emotivo e combativo, o parlamentar negou categoricamente as acusações de abuso e lesão corporal, sustentando que a denúncia é fruto de “vingança” após o término de um relacionamento amoroso.

Para ilustrar o que classificou como “julgamento antecipado pela opinião pública”, o vereador comparou sua situação à de episódios de grande repercussão nacional e internacional envolvendo atletas profissionais.

“Fizeram isso com o Daniel Alves, teve com o Neymar. Todos os dias tem isso de ato de mulher por vingança. (…) Esse processo iniciou por vingança. Essa menina entrou com denúncia de lesão corporal, é uma vingança porque eu não queria ela. A acusação é frágil”, declarou o vereador.

O parlamentar direcionou críticas diretas à condução dos trabalhos na Casa e acusou colegas de buscarem dividendos eleitorais com o caso. Baiano do Salão afirmou que o presidente da comissão processante, vereador Armandinho Fontoura (PL), estaria utilizando o processo como “carro-chefe” para uma futura candidatura a deputado estadual. Segundo o acusado, um relatório de defesa contendo 89 páginas entregue por sua equipe sequer teria sido lido pelos parlamentares.

Disse ainda que participou de reuniões com parlamentares e ouviu de colegas que o resultado seria a cassação. “Eu ouvi várias vezes. Diziam que não tinha como votar diferente. Mas quando o processo na integra for analisado no TJES, eu tenho certeza que, como existe o sol, vocês verão a injustiça que estão fazendo”.

Em sua defesa, usou diversos personagens bíblicos, falas religiosas e disse que a denúncia contra ele foi feita por uma mulher que foi rejeitada. Disse ainda que reconhece que seu “único problema era mulher”. “Meu problema era mulher. Porque, aí eu gosto, mas respeito quem não. Hoje eu sei que se eu não tivesse terminado com a minha ex eu não estaria passando por isso”.

Detalhes do caso e desdobramentos

Durante seu pronunciamento, o vereador relatou o histórico do relacionamento com a denunciante, afirmando que a mulher passou a frequentar sua residência a partir de 2020 e que os conflitos começaram após o envolvimento dele com outra pessoa.

“Em 2020 encontrei essa mulher no Bairro da Penha e ela disse que era fã do meu trabalho e começamos a nos falar, trocar mensagens e se envolver. Nesse envolvimento ela ficava na minha casa em dias alternados e essa criança, como o próprio pai da criança falou em depoimento, nunca ficou em minha casa. Começou um inferno em minha vida. E eu me envolvi com outra mulher e um dia, depois de tomar duas cervejas, peguei no sono, ela olhou meu celular e começou a responder a uma mulher dizendo que ela estava se envolvendo com homem casado. Me acordou e me mandou ligar para a menina e dizer que iria terminar e eu disse que não. Porque gostava da outra e ela começou a me bater. Eu chamei minha filha para presenciar, porque ela usou uma faca. (…) Ela disse que iria me destruir. Esse processo iniciou por vingança”, disse.

Ele assegurou que o caso carece de provas materiais e afirmou ter convicção de que será absolvido quando o mérito for julgado na íntegra pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES).

Como parte da estratégia de defesa comunitária, o vereador apresentou ao plenário um abaixo-assinado com 800 assinaturas de moradores de sua região de atuação política. No encerramento de sua fala, revelou estar fazendo uso de medicação controlada devido ao desgaste emocional e anunciou que, diante do ocorrido, não pretenderá disputar a reeleição no pleito de 2028. Ele finalizou pedindo desculpas aos eleitores, familias e, sobretudo, aos filhos.

Cassado, Baiano do Salão nega acusações e compara seu caso ao de Daniel Alves
Daniel Alves – Foto: Instagram

Caso Daniel Alves

Daniel Alves foi acusado de agressão sexual e estupro por uma jovem de 23 anos. A denúncia alegava que o ex-jogador teria abusado da mulher no banheiro da boate Sutton, em Barcelona, na Espanha, na madrugada de 31 de dezembro de 2022. Daniel Alves foi preso preventivamente em janeiro de 2023. Em fevereiro de 2024, ele foi condenado em primeira instância a 4 anos e meio de prisão. Em 28 de março de 2025, o Tribunal Superior de Justiça da Catalunha anulou por unanimidade a condenação de Daniel Alves. Os magistrados entenderam que o depoimento da denunciante apresentava lacunas, contradições e inconsistências, e que apenas a palavra da vítima não era suficiente para sustentar a culpa.

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