Flávio Bolsonaro se nega a revelar voto em fim da 6×1 e não explica repasses de Vorcaro

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, se negou a dizer se votará contra o projeto do governo Lula (PT) que acaba com a escala 6×1. A PEC (proposta de emenda à Constituição) será votada na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado nesta quarta-feira (2).

Flávio é suplente na CCJ, então só poderia votar em caso de ausência de senadores titulares do bloco parlamentar que pertence, composto pelo PL, Avante e Novo. O senador disse que estará em viagem de campanha no Rio Grande do Sul e cogitou participar da votação de forma remota -o que não será possível, dado que a sessão desta quarta será exclusivamente presencial.

O presidenciável defende uma PEC alternativa, proposta pela bancada bolsonarista do PL, que estabelece um novo regime de trabalho, com pagamento por hora trabalhada -contrário ao texto do governo. Ainda assim, Flávio evitou dizer que votaria contra a PEC endossada pelos governistas, que tem apelo popular e tem sido usada como vitrine eleitoral de Lula.

“Amanhã vou estar no Rio Grande do Sul. Mas acho que vai poder votar remotamente. […] A nossa defesa é a alternativa melhor que estamos dando de liberdade total do trabalhador poder fazer a própria escala”, disse.

Diante de reiteradas perguntas sobre votar sim ou não à PEC do governo, Flávio respondeu apenas que votaria “a favor da nossa proposta”, em referência ao texto do PL. “Primeiro vota a nossa proposta, depois vê o que faz. Vocês estão querendo arrancar uma palavra da minha boca, o que vocês querem é a resposta que eu não vou dar para vocês”, disse aos jornalistas.

A proposta do fim da escala 6×1 sem redução de salário é uma das principais bandeiras da campanha à reeleição de Lula. Aprovada na Câmara no primeiro semestre, ela estava travada no Senado, mas teve avanço nos últimos dias e deve ser analisada na CCJ. O governo pressiona pela votação também no plenário, mas a oposição quer que isso aconteça apenas após a eleição.

A oposição, liderada pelo PL, protocolou 14 emendas para alterar a PEC aprovada pela Câmara dos Deputados. Uma delas propôs manter a jornada de 44 horas semanais na Constituição e deixar uma eventual redução a critério de negociação coletiva ou contrato por hora. Essa ideia segue o modelo defendido por Flávio.

Nesta terça, durante passagem pelo Senado, Flávio também se recusou a responder a respeito de novos repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, ao filme Dark Horse, revelados pela revista piauí. “Essas informações eu não tenho como saber porque eu não trato disso. Tem que perguntar para a produtora. Desculpa”, disse.

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – CAROLINA LINHARES

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