Ricardo frente a frente com Pazolini na disputa pelo Espírito Santo

A nova pesquisa do Instituto Perfil, publicada por ES Hoje, nesta segunda-feira (31), traz sinais importantes para a disputa pelo Governo do Espírito Santo e também para as duas vagas ao Senado.

No cenário para governador, Lorenzo Pazolini (Republicanos) segue na frente, com 35,06%, enquanto Ricardo Ferraço (MDB), que vem para a reeleição, aparece com 32%. Helder Salomão (PT) tem 8,5%.

O número, por si só, já mostra um cenário mais apertado. Mas a comparação com a rodada anterior do próprio Instituto Perfil torna a movimentação ainda mais interessante. Em julho, num cenário que incluía também Paulo Hartung, Pazolini aparecia com 32,06%, enquanto Ricardo tinha 24,28%.

Mais importante ainda é olhar para o confronto direto no segundo turno. Naquela rodada, Pazolini tinha 38,94%, contra 36,28% de Ricardo. Agora, a situação se inverteu: Ricardo aparece com 41%, enquanto Pazolini registra 38,22%.

Ricardo, portanto, conseguiu finalmente ficar frente a frente com o ex-prefeito de Vitória, e até superá-lo no confronto de segundo turno.

Não é, porém, uma vantagem confortável. Muito pelo contrário. A diferença é de apenas 2,78 pontos percentuais e, considerando a margem de erro da pesquisa, o cenário é de empate técnico.

Ricardo mais conhecido

Um dos movimentos que pode ajudar a explicar essa aproximação é o fato de Ricardo Ferraço estar, agora, efetivamente na cadeira de governador. Ricardo passou a ter agenda própria, viagens, entregas, eventos e toda a exposição institucional proporcionada pelo cargo. Aos poucos, deixa de ser visto apenas como o nome escolhido para suceder Renato Casagrande e passa a ser identificado como o governador do Espírito Santo.

Ainda há, contudo, um caminho considerável pela frente. A própria pesquisa perguntou aos entrevistados se eles sabiam o nome do atual governador. Apenas 45,22% acertaram. Outros 29,94% erraram e 24,83% não souberam ou não responderam.

Ou seja, mais da metade dos entrevistados ainda não conseguiu identificar corretamente quem ocupa o Palácio Anchieta. Para Ricardo, o número pode ser visto como problema e oportunidade ao mesmo tempo. Problema porque demonstra que sua imagem ainda não está plenamente consolidada. Oportunidade porque há uma parcela considerável do eleitorado que ainda poderá conhecê-lo melhor ao longo da campanha.

Pazolini se consolidou

Do outro lado, Lorenzo Pazolini mostra força. Mesmo sem ter mais o holofote cotidiano da Prefeitura de Vitória, permanece na liderança do cenário estimulado e praticamente empatado com Ricardo Ferraço no segundo turno.

Isso demonstra que Pazolini deixou de ser apenas um personagem da política da Capital. Hoje, ele está consolidado como o principal adversário do grupo político que vem comandando o Estado.

A pesquisa espontânea reforça esse cenário. Quando nenhum nome é apresentado ao eleitor, Pazolini aparece com 18%, contra 14,44% de Ricardo Ferraço. Renato Casagrande ainda é lembrado por 10,11% dos entrevistados, mesmo não estando na disputa pelo Governo.

É um dado importante porque a pesquisa espontânea demonstra quem já está, de alguma maneira, na cabeça do eleitor. E Pazolini continua aparecendo na frente.

Sinal vermelho

Há, entretanto, um sinal vermelho importante para o QG republicano. Pazolini tem hoje 13,39% de rejeição, enquanto Ricardo Ferraço registra 7,78%. Helder Salomão aparece com o maior índice entre os candidatos, 18,56%.

O dado ganha ainda mais relevância quando comparado à pesquisa anterior. Em julho, Pazolini tinha rejeição de apenas 4,78%, enquanto Ricardo registrava 8,22%.

Agora, o cenário praticamente se inverteu. A rejeição de Pazolini cresceu de maneira expressiva, enquanto a de Ricardo apresentou pequena redução. É possível levantar como hipótese que parte desse movimento esteja relacionada à aproximação de Pazolini com o PL e à maior associação de seu projeto ao campo bolsonarista. Mas isso é algo que a pesquisa, isoladamente, não permite afirmar.

De toda forma, é um número que precisa ser observado de perto. Em eleição majoritária, intenção de voto é apenas uma parte da equação. Rejeição também estabelece teto. E, neste momento, o teto de Pazolini parece mais baixo do que o de Ricardo.

Eleição começou?

A eleição ainda não começou para muita gente. Talvez o dado mais interessante da pesquisa esteja justamente fora dos cenários estimulados. Na pergunta espontânea para governador, 45,39% dos entrevistados não souberam ou não responderam.

É quase metade da amostra. O número traduz uma sensação que ainda é perceptível nas ruas: para muita gente, a eleição ainda nem começou direito. Quando os nomes são apresentados, o eleitor consegue fazer uma escolha. Quando precisa apontar sozinho em quem pretende votar, quase metade ainda não tem uma resposta.

Isso significa que, embora Pazolini e Ricardo já estejam posicionados como os dois principais nomes da disputa, existe muito voto a ser conquistado. A campanha ainda tem espaço para mudar bastante coisa.

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