Goggi arquiva pedido de cassação de Professor Jocelino e pede desculpas por áudio vazado com palavrões

O presidente da Câmara Municipal de Vitória, Anderson Goggi, anunciou nesta quarta-feira (22) que irá arquivar o pedido de cassação do mandato do vereador Professor Jocelino (PT), protocolado pela Prefeitura de Vitória. A declaração foi feita durante a sessão ordinária, um dia após um áudio em que o parlamentar aparece fazendo um desabafo com palavras de baixo calão, gravado logo após o encerramento da sessão de terça-feira (21), viralizar nas redes sociais e ganhar repercussão nacional.

Ao iniciar seu pronunciamento, Goggi reconheceu a repercussão do episódio, admitiu o uso de palavrões no momento de indignação e pediu desculpas às pessoas que se sentiram ofendidas. Em seguida, confirmou que sua decisão será pelo arquivamento da representação apresentada pelo Executivo.

“Eu preciso relatar para a cidade de Vitória, até porque viralizamos em nível nacional. Muitas pessoas falaram: ‘Você não vai ter coragem de falar isso’. Eu não vim para a política para me esconder. Se eu estiver errado, também não tenho dificuldade em me retratar, porque pessoas acertam e pessoas erram”, afirmou.

Arquivamento em defesa do Parlamento

O principal anúncio do discurso foi a decisão de não dar prosseguimento ao pedido de cassação encaminhado pela Prefeitura. Segundo Goggi, sua posição é de que eventuais conflitos envolvendo manifestações de vereadores devem ser discutidos primeiro na esfera judicial e somente depois, caso haja decisão definitiva, analisados pelo Legislativo. “Meu posicionamento, desde ontem, foi pelo arquivamento da denúncia do Executivo. Dessa forma eu trato o Parlamento”, declarou.

O presidente afirmou que já comunicou seu entendimento ao vereador Professor Jocelino, aos demais parlamentares e ao próprio Executivo. “Já estou anunciando aqui para a Procuradoria e para os meios de comunicação: na prerrogativa de presidente, eu irei arquivar em defesa do Parlamento. Não tenho dificuldade”, disse.

Durante a fala, Goggi também declarou solidariedade ao vereador petista, apesar de afirmar que a questão deve seguir o caminho judicial.

“Sou totalmente solidário ao vereador Professor Jocelino por um único motivo: entendo que ele tem que tratar isso em outra esfera, não aqui dentro. Se essa questão for superada na Justiça, aí sim ela poderá ser trazida para este Parlamento. Porque hoje é com Jocelino. Amanhã é com quem? Com outros vereadores?”, questionou.

Áudio viral e pedido de desculpas

Ao comentar o áudio que circulou nas redes sociais, Goggi confirmou que fez um desabafo ao fim da sessão e explicou que a reação ocorreu em meio à tensão provocada pela chegada do pedido de cassação durante a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Segundo o presidente, a sessão discutia uma das matérias mais importantes para o planejamento financeiro do município quando foi procurado por parlamentares que pediram uma intervenção junto ao Executivo para retirar o processo.

“O dia de ontem foi um dos mais importantes para o município de Vitória. Estávamos votando a Lei de Diretrizes Orçamentárias, que vai nortear o município no próximo ano. Quando terminou a sessão, por conta do que aconteceu, eu fiz um desabafo. Xinguei. Não tenho vergonha de dizer que xinguei”, afirmou.

Ele relatou que recusou qualquer tentativa de negociação política em torno do caso. “Vieram até a mesa e disseram que, se eu não ligasse para a Prefeitura pedindo a retirada do processo contra o vereador Jocelino, eles sairiam do plenário. Esse tipo de conversa eu não toco. Eu não compro essa política. Não aceito esse tipo de conversa e não farei”.

Defesa da independência da Câmara

Goggi afirmou que sua reação foi motivada pela preocupação de que a votação da LDO fosse comprometida por um tema que, em sua avaliação, deveria ser tratado fora do Legislativo.

“O motivo da nossa indignação foi porque estávamos votando uma peça orçamentária importante para o município. Nós não podemos condicionar os interesses da cidade a esse tipo de movimento”.

Ao encerrar o pronunciamento, o presidente reafirmou que pretende preservar a autonomia do Legislativo municipal e declarou que manterá essa postura até o fim do mandato à frente da Mesa Diretora.

“A mesma forma que entrei nesta presidência, irei sair com a minha vida e minha conduta de forma limpa, transparente, preservando este Parlamento e dando voz a todos os vereadores. Tem coisas que eu não negocio com ninguém, nem com o Executivo, nem com o Parlamento, nem com qualquer pessoa”, concluiu.

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