A costura política que alinhava o PSD à pré-candidatura de Lorenzo Pazolini (Republicanos), ao Governo do Estado desmoronou de forma definitiva. A direção estadual do Republicanos fechou as portas e não pretende retomar diálogos com o PSD após o posicionamento público de Renzo Vasconcelos, presidente da legenda no Espírito Santo. A aliança, que previa a indicação de um nome alinhado ao ex-governador Paulo Hartung como vice na chapa majoritária, foi totalmente desfeita.
Exigências do PL aceleram racha entre Renzo e Pazolini
O estopim para a ruptura ocorreu após o anúncio de Renzo Vasconcelos de que o acordo prévio não resistiu às imposições do PL, liderado no Espírito Santo pelo senador Magno Malta. O Republicanos concordou em se aliar à sigla do pré-candidato presidencial Flávio Bolsonaro, aceitando os termos exigidos para a composição da chapa de Pazolini.
Segundo Renzo — que alinhou a decisão após conversas diretas com Paulo Hartung e o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab —, o PSD não aceitará vetos.
“Não vamos aceitar condições de Magno Malta, de que Paulo Hartung ou Sérgio Meneguelli não possam ser candidatos ao que quer que seja. Se o Republicanos aceitou, dialogando individualmente, iremos exaurir diálogos com outras frentes. Conversaremos com todos”, pontuou o dirigente.
A fala não repercutiu bem na cúpula republicana. Fontes de ES Hoje confirmam que o presidente estadual da sigla, Erick Musso, o pré-candidato Lorenzo Pazolini e o deputado federal Evair de Melo fecharam as portas para o PSD de forma irrevogável — a menos que a declaração seja retratada. No pragmatismo do tabuleiro eleitoral, os 55 segundos de tempo de TV do PSD deixaram de ser trunfo imediato do bloco republicano.

O fator Paulo Hartung e os bastidores das Eleições 2026 no ES
O movimento expôs as estratégias do ex-governador Paulo Hartung. O sinal verde do PSD para o anúncio de sua possível candidatura ao Governo do Estado — contrariando a sinalização anterior de apoio a Pazolini — encontrou silêncio por parte de Hartung, alimentando a máxima de que quem cala, consente.
Embora o movimento de Hartung tivesse como meta principal desidratar o projeto de reeleição do governador Ricardo Ferraço (MDB), as articulações deixam claro que PH não representa a totalidade do PSD. Como entidade partidária, a prioridade da legenda é a expansão institucional, o fortalecimento de bancadas e a manutenção do protagonismo, ainda que isso não atenda de forma integral às ambições isoladas de seus principais quadros.
Negociações abertas com Ricardo Ferraço e Helder Salomão
Diante do impasse com a direita, o PSD deu início a conversas individuais com outras frentes políticas. O partido abriu diálogo direto tanto com o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) quanto com o deputado federal Helder Salomão (PT).
Sem compromisso fixado com a oposição republicana, o PSD avalia diferentes caminhos para as Eleições 2026 no Espírito Santo:
- Lançar uma chapa puro-sangue na disputa majoritária;
- Registrar candidatura avulsa ao Senado Federal;
- Focar na estruturação das chapas para deputado estadual e federal;
- Coligar-se formalmente com o bloco governista (MDB/PSB) ou com a frente progressista (PT).
Como fica o cenário eleitoral capixaba?
A reconfiguração das alianças desenha três blocos consolidados no estado:
- Bloco Governista: Enfileira o MDB de Ricardo Ferraço ao lado de PSB, Podemos, Progressistas e União Brasil.
- Bloco Progressista: Aglutina a pré-candidatura do PT de Helder Salomão com PV, PCdoB, Rede Sustentabilidade e PSOL.
- Bloco da Direita/Oposição: Mantém Lorenzo Pazolini apoiado pelo Republicanos, PL e com aproximação do Novo e legendas conservadoras. Nesse arranjo, o PSD e Paulo Hartung passam a figurar no centro da balança de poder do Espírito Santo, com passe valorizado e capacidade de redistribuir o tempo de rádio, TV e fatias do fundo eleitoral para os polos com os quais decidirem marchar.










