Marcha da Maconha em Vitória: debate na Câmara termina em bate-boca

A aprovação do projeto de lei que restringe a realização de atos públicos relacionados à Marcha da Maconha na Câmara Municipal de Vitória, nesta segunda-feira (22), terminou em forte bate-boca e troca de acusações em plenário. Logo após a votação da proposta — que visa proibir manifestações interpretadas como apologia ao uso de drogas ilícitas no município —, o vereador Professor Jocelino (PT) subiu à tribuna para direcionar duras críticas ao autor do projeto, o vereador Armandinho Fontoura (PL), e a outros parlamentares da capital capixaba.

Desafio em plenário: vereador propõe exame toxicológico a parlamentares

Durante o seu pronunciamento na sessão da Câmara de Vitória, Professor Jocelino subiu o tom contra as justificativas apresentadas pela ala conservadora da Casa e acusou adversários políticos de hipocrisia. Em um dos momentos mais tensos do discurso, o parlamentar desafiou os colegas a realizarem exames laboratoriais imediatamente.

“Fazer o exame, porque deve ter você, o rabo preso. E aí eu quero que faça o exame do seu nariz. Eu quero que faça o exame com você da sua maconha, porque você é que deve ser maconheiro enrustido”, declarou Jocelino em plenário, dirigindo-se diretamente a Armandinho Fontoura.

O petista também rejeitou pedidos de aparte de outros vereadores e estendeu o desafio nominalmente a mais um parlamentar de Vitória. “Vocês têm que parar com essa hipocrisia, com essa mentirada. Eu estou convidando David Ismael e Armandinho para ir agora, após a sessão, comigo, no primeiro laboratório. E vocês vão pagar, porque eu não vou pagar nada não. Vocês vão pagar o exame, vamos lá comigo, vocês dois. Faz também o exame não só da maconha, faz o exame de tudo de vocês. Completo, tudo”, disparou, afirmando estar totalmente tranquilo para realizar o procedimento.

Acusações de fake news e menção a eventos do final de semana

O clima de confronto na política capixaba também envolveu acusações sobre a conduta de equipes de assessores parlamentares. Jocelino rebateu afirmações anteriores de que seus próprios funcionários teriam participado de eventos associados ao debate de drogas na capital.

“Maconheiro enrustido é você. Armandinho quer botar nossa equipe no meio. Falou assim, vamos pegar a equipe. Mas sua equipe estava no Badazilda, final de semana. Fake news, ela estava no Badalilda. Fake news não, estava lá”, contestou o vereador. No mesmo discurso, o parlamentar fez referências a eventos ocorridos no último fim de semana na Grande Vitória e citou um manifesto LGBT, inserindo a participação de um pastor no contexto de suas críticas políticas.

Próximos passos: representação em órgãos de controle e críticas à Procuradoria

Além do embate verbal com os vereadores Armandinho Fontoura e David Ismael, o Professor Jocelino direcionou o descontentamento à condução técnica do processo legislativo dentro da Câmara de Vitória. O parlamentar criticou abertamente o parecer jurídico que chancelou a tramitação da proposta em plenário.

“A tonta procuradoria desta casa. Para essa casa parar de ficar passando vergonha nas instituições”, declarou o vereador no encerramento de sua fala. O parlamentar adiantou que o debate sobre a proibição de atos ligados à Marcha da Maconha em Vitória sairá do âmbito estritamente municipal e adentrará a esfera jurídica regional. “Irei fazer a notificação às instituições de controle de legalidade jurídica da nossa sociedade contra esse projeto”, concluiu.

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