Festa da Penha vira pauta de confronto entre Armandinho Fontoura e Karla Coser

“O que vimos recentemente durante a Festa da Penha […] não foi uma mensagem de paz, foi um discurso político travestido de homilia”, afirmou o vereador Armandinho Fontoura (PL), ao abrir o debate na sessão desta terça-feira (14) na Câmara Municipal de Vitória. O parlamentar direcionou críticas ao padre Kelder Brandão, acusando-o de utilizar o espaço religioso para atacar as forças de segurança pública durante uma missa nas festividades da Padroeira do Espírito Santo.

Na tribuna, Armandinho disse que o religioso “preferiu subir ao altar para atacar, de forma generalizada e irresponsável, as forças de segurança do Espírito Santo” e classificou como inadequadas declarações que, segundo ele, deslegitimam a atuação policial. “Quando um padre chama policiais de ‘serviçais da morte’, ele ultrapassa qualquer limite do bom senso. Isso não é crítica construtiva, isso é ataque ideológico, isso é desmoralização institucional”, afirmou. O vereador também declarou que discursos desse tipo, feitos “diante de fiéis, muitos deles vulneráveis”, contribuem para ampliar a desconfiança da população em relação às forças de segurança.

O parlamentar acrescentou que, embora reconheça a existência de problemas pontuais, defende a responsabilização individual de eventuais desvios. “Se há policial envolvido com corrupção, que seja investigado, julgado e punido com todo o rigor da lei. Agora, transformar casos isolados em regra […] isso não é justiça, isso é militância”, disse. Ele ainda afirmou que o Estado “precisa de apoio às forças de segurança” e criticou o que chamou de ausência de críticas ao crime organizado em discursos semelhantes.

Armandinho Fontoura também alegou em seus discurso que foi proibido de participar da bênção da padroeira pela organização da festa, sendo impedido de entrar na Catedral de Vitória, onde estava a imagem de Nossa Senhora da Penha e ocorria a missa de envio para a Romaria dos Homens.

A resposta veio em seguida, com a vereadora Karla Coser (PT), que fez a defesa do padre e contestou diretamente as declarações do colega. “Primeiro, vereador Armandinho, lave a boca pra falar de Padre Kelder. Pelo trabalho que ele faz, pelo trabalho que ele faz nas comunidades onde você não pode pôr o pé”, afirmou. Ela classificou o religioso como alguém que “representa tudo o que a gente acredita da Bíblia”.

Karla relatou que participou da romaria da Festa da Penha e negou ter buscado espaços reservados durante o evento. “Eu estava lá, não quis sentar no camarote. Eu estava no meio do povo. Não falto com a verdade, não”, disse. Em tom crítico, a vereadora acusou Armandinho de interesse em áreas restritas. “Quem está querendo sentar no cercadinho é você. Está chateado porque não sentou no cercadinho”, declarou, tendo apoio da vereadora Ana Paula Rocha (PSOL).

A parlamentar também fez críticas à presença de materiais de divulgação política ao longo do trajeto da festa religiosa, feita pelo parlamentar e outros políticos. “O que nós, católicos, tivemos que passar com a propaganda eleitoral de quem faz uso da fé para se promover foi constrangedor”, afirmou. Ela mencionou a instalação de placas e estruturas em pontos de destaque, como na descida da imagem da santa, nas proximidades do viaduto Caramuru. “Todo mundo tentando tirar uma foto e aquela placa […] foi vergonhosa”, disse se direcionando ao colega de parlamento que instalou um telão nas proximidades.

Durante sua fala, Karla também fez referência à ausência do vereador na caminhada. “Para entrar na igreja tem que chegar cedo. Já que você não pode participar da caminhada, por conta da tornozeleira que te impede, colocou lá seus outdoors”, afirmou. A vereadora relatou que participou parcialmente do percurso por conta de compromissos pessoais e por estar acompanhada da filha, mas destacou o caráter do evento. “Foi uma festa linda. A gente, que é católico, se emociona com a quantidade de pessoas na rua, com a devoção”, declarou.

O debate evidenciou o embate entre os parlamentares em torno do papel de lideranças religiosas, da atuação das forças de segurança e do uso de espaços públicos em eventos de grande mobilização popular. A Festa da Penha é considerada uma das principais manifestações religiosas do Espírito Santo e reúne milhares de fiéis todos os anos. A Festa da Penha 2026, em sua 456ª edição, reuniu aproximadamente 2,7 milhões de devotos ao longo dos oito dias de celebração. A Romaria dos Homens, reuniu 1,2 milhões de fiéis que percorreram 14 quilômetros sob chuva.  A Festa da Penha é considerada a terceira maior festa mariana do Brasil.

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