Um projeto de lei em tramitação na Câmara Municipal de Cariacica propõe transformar a experiência de cinema para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), ao obrigar salas a oferecerem, no mínimo, uma sessão mensal adaptada, com ambiente ajustado às necessidades sensoriais desse público. A proposta prevê redução do volume do som, iluminação parcial durante a exibição, liberdade de circulação e ausência de publicidade comercial, além da identificação das sessões com o símbolo do autismo.
De autoria do vereador Jocemir da Enfermagem (Podemos), o texto estabelece que o Poder Executivo será responsável por regulamentar a medida. A iniciativa parte do reconhecimento de que pessoas com TEA enfrentam barreiras específicas em ambientes tradicionais de cinema, que podem comprometer o acesso ao lazer e à cultura.
Estudos sobre o transtorno indicam que entre 40% e 80% das crianças com TEA apresentam alterações no processamento sensorial, o que afeta diretamente a forma como percebem estímulos do ambiente, como sons, luzes e movimentos.Esse fator é apontado como um dos principais desafios em espaços como salas de cinema, onde o volume elevado, a escuridão total e os estímulos intensos podem provocar desconforto, ansiedade e até dor física.
Pesquisas também mostram que a sensibilidade sensorial é uma das características mais marcantes do TEA, podendo gerar reações exageradas ou dificuldades de adaptação a estímulos comuns do cotidiano. Luzes fortes, sons altos e ambientes com muitos estímulos simultâneos podem ser percebidos de forma mais intensa, tornando experiências culturais inacessíveis sem adaptações específicas.
No caso da acústica, estudos apontam que o som tem impacto direto no comportamento e no bem-estar de pessoas com autismo, podendo influenciar desde o nível de conforto até respostas emocionais e comportamentais. Já alterações sensoriais mais amplas, que envolvem visão, audição e outros estímulos, podem comprometer a interação social e a permanência em ambientes coletivos.
Na justificativa do projeto, o autor destaca que essas adaptações buscam garantir o direito ao acesso à cultura em igualdade de condições, conforme previsto no Estatuto da Pessoa com Deficiência. O texto também ressalta que comportamentos como movimentos repetitivos, necessidade de sair da sala ou maior sensibilidade a estímulos fazem parte das características do TEA e devem ser considerados na construção de ambientes mais inclusivos.
A proposta ainda enfatiza que a medida pode ampliar o acesso ao lazer não apenas para pessoas com TEA, mas também para seus familiares, ao oferecer um ambiente mais acolhedor e adaptado às diferentes necessidades sensoriais.









