Haddad defende Alckmin vice de Lula, reedita 2022 e diz que Tebet tem mais raiz que Tarcísio em SP

Agora pré-candidato ao Governo de São Paulo, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad projetou uma campanha eleitoral muito semelhante à vivida em 2022, defendeu que Geraldo Alckmin (PSB) se mantenha como vice de Lula (PT) nas eleições e cutucou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao dizer que, até hoje, ele não tem familiaridade com o estado.

Na manhã desta sexta-feira (20), Haddad concedeu uma entrevista coletiva a jornalistas em um hotel na região central da capital paulista. Em seu primeiro dia oficialmente fora do Ministério da Fazenda, ele declarou que se reunirá com quadros políticos do estado para discutir as eleições de 2026 e que vai buscar especialistas para dar início ao plano de governo o quanto antes.

“Eu tenho obsessão com o plano. Não gosto de assumir nenhuma função sem apresentar um plano consistente para o estado”, declarou.

Embora tenha evitado falar sobre o perfil que busca para um vice, afirmou que acha “natural” que Alckmin se mantenha na vice de Lula. Na noite de quinta (19), o presidente disse que a vaga estava aberta para o pessebista, mas que ele também poderia escolher disputar o Senado.

“Eu sou a pessoa mais entusiasta do fato de que os dois compõem uma chapa muito importante para o Brasil. Agora, nós vamos ver como as coisas estão decantando, vamos ver como é que terminam as conversas com todos os setores da sociedade. Quero ouvir a opinião do governador Alckmin, quatro vezes governador de estado de São Paulo, sobre as nossas chances aqui e qual é a melhor composição para lograrmos êxito na eleição”, afirmou Haddad.

O petista acrescentou que Alckmin ajudou muito na eleição de Lula em 2022 e observou que, de alguma forma, a disputa atual será muito parecida com a de quatro anos atrás –o próprio Haddad enfrentará Tarcísio nas urnas novamente.

“Nós vamos fazer uma campanha parecida com 2022 aqui em São Paulo. Se Lula foi o candidato a presidente, eu fui candidato a governador. E nós nos entendemos muito bem. Agora muda um pouco a situação porque ele é presidente da República. Não sei se ele vai estar com escritório em São Paulo como teve em 2022, porque o QG [da campanha] era em São Paulo. Provavelmente, a campanha vai ficar mais centrada em Brasília até por questão logística. Mas eu não vejo razão para ser muito diferente da [campanha] de 2022.”

Haddad, que resistiu meses à ideia de sair candidato ao Governo de São Paulo, disse que ninguém o verá dizendo que partiu para o sacrifício com a candidatura. “Uma pessoa que fez a campanha de 2016, a campanha de 2018, a campanha de 2022, você vai colocar em dúvida a disposição de luta dessa pessoa?”, questionou.

Na sequência, ele declarou que se recorda da demora de Tarcísio, em 2022, em definir se sairia candidato por São Paulo, que não é o seu estado de origem – o governador é carioca -, e alfinetou o adversário ao dizer que ele continua não tendo familiaridade com o estado.

“Outro dia eu vi alguém do Tarcísio falar ‘como é que vocês vão votar em uma senadora forasteira’, se referindo a Simone Tebet. Ela tem muito mais raízes em São Paulo, infinitamente, do que o Tarcísio. Tem duas filhas que moram há anos em São Paulo, vem toda semana.”

Também na noite desta quinta, Lula confirmou que Tebet, ministra do Planejamento, mudará seu domicílio eleitoral de Mato Grosso do Sul para São Paulo com o intuito de se candidatar ao Senado. Filiada ao MDB, que apoia Tarcísio no estado, ela é cotada como possível candidata pelo PSB.

Sobre a derrota em 2022, Haddad declarou que o seu campo político enfrenta “dificuldade de penetração no interior”, mas comentou, mais de uma vez, que o seu resultado foi o melhor da esquerda no estado. Acrescentou, ainda, que “o empresariado brasileiro não tem do que reclamar dos governos progressistas” e que o governo do PT “respeita contratos” – em resposta a questionamentos sobre se reverteria a privatização da Sabesp, uma das bandeiras da gestão Tarcísio.

O pré-candidato ao governo evitou falar do futuro político, já pensando no cenário eleitoral de 2030, e disse que é importante exercer bem a função para a qual foi designado no momento.

“Eu não posso citar exemplos, mas vi acontecer muito de uma pessoa que sentou numa cadeira importante e começou a pensar na próxima… É um erro.”

Embora tenha evitado dar uma tônica de como será a campanha contra Tarcísio, ele argumentou que “50% do investimento do estado de São Paulo tem participação federal” e que espera manter a coalizão fechada na campanha de 2022 – que incluiu, além da federação entre PT, PC do B e PV, a federação PSOL e Rede, o PSB e o PDT.

“Não fiz ainda as conversas que pretendo realizar nos próximos dias com o Márcio França, com o Caio França, com o Alckmin, com a Tabata [Amaral], com o [Guilherme] Boulos, com a Érika [Hilton], com o Juliano [Medeiros, ex-presidente do PSOL], com a Marina [Silva], muitas pessoas estão pré-agendadas comigo”, afirmou.

O ex-ministro acrescentou que não tem preconceito com o apoio de partidos conservadores desde que princípios e valores sejam respeitados.

“Respeitado o plano geral que nós vamos elaborar para o estado, eu não tenho nenhuma dificuldade em conversar com esses setores, se eles estiverem dispostos a mudar o estado para melhor.”

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – JULIANA ARREGUY 

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