A ocupação do prédio da Caixa Econômica Federal, futuro endereço da Câmara Municipal de Vitória, dominou os debates na sessão dessa segunda-feira (9). O episódio, classificado por parlamentares como invasão e um ato criminoso, desencadeou uma reação imediata dos vereadores.
Eles agora se articulam para aprovar leis mais duras contra invasores de imóveis públicos e privados. O tom foi de repúdio generalizado, reforçando a ideia de que Vitória não pode ser palco de movimentos que afrontam a lei e a ordem.
O presidente da Câmara, vereador Anderson Goggi (Progressistas), foi a voz mais contundente ao apontar que a ação dos invasores não tem justificativa. “O que está acontecendo no Centro de Vitória é um crime, e criminosos é como vou denominar essas pessoas. Não sou contra moradia popular, pelo contrário, mas não é invadindo patrimônio público que se resolve o problema. Aquele prédio estava todo preparado para receber nossos servidores, com mobília, cabeamento e climatização. Agora, o que iremos encontrar lá?”, questionou Goggi, provocando o plenário.
Ele ainda acusou a burocracia da Caixa de ter contribuído para a situação, ao não ter concluído o processo de transferência do imóvel à Câmara. Goggi também lançou um desafio àqueles que apoiam ou relativizam invasões.
“Será que a régua só funciona para um lado? Eu quero ver o posicionamento da direita e da esquerda neste plenário. A política é feita por quem tem coragem, não por quem se esconde. Quem invade repartição pública merece ser responsabilizado. Se vier no diálogo, terá diálogo; mas se vier na força, encontrará resistência. Nós criamos a Polícia do Legislativo justamente para garantir a ordem”. Sua fala arrancou aplausos e deu o tom da sessão, deixando clara a intenção de transformar a indignação em medidas concretas.
A indignação foi compartilhada por outros parlamentares. O vereador Dárcio Bracarense (PL) destacou que já apresentou um projeto para punir invasores com multas pesadas, que aumentam conforme a gravidade da ação.
“Imaginem vocês fazerem a mudança para uma nova residência e, no meio do processo, alguém invadir porque ainda não foi ocupada. É o que aconteceu com a Câmara. A invasão é absolutamente criminosa. Nosso projeto estabelece multa simples para invasão, que dobra em caso de dano ambiental, quadruplica em caso de depredação e multiplica por dez se houver ameaça ou agressão. O caso da Caixa é exatamente isso: invasão, depredação e agressão contra trabalhadores”.
Já o vereador Davi Esmael (Republicanos), reforçou que a cidade não pode ser refém de movimentos que desrespeitam a lei. Ele mirou diretamente o Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM), apontado como responsável pela ação.
“O repúdio é total. Esse movimento não cabe em Vitória. Não podemos aceitar a invasão de áreas, especialmente de um imóvel que será sede do poder legislativo municipal. É preciso dar o nome correto às coisas: são invasores e não têm legitimidade alguma”, disse.
A repercussão na Câmara indica que o caso será um divisor de águas para endurecer as regras contra ocupações irregulares em Vitória. O discurso dos parlamentares apontou para a união de diferentes espectros políticos em defesa da propriedade pública e privada, deixando claro que, acima das divergências ideológicas, a preservação da ordem e da legalidade é prioridade.
Mais que uma polêmica momentânea, o episódio expôs uma linha vermelha que os vereadores não estão dispostos a deixar ser ultrapassada: o ataque ao patrimônio da cidade.









