Denúncia expõe irregularidades e supersalário em secretaria de Vila Velha

A Secretaria de Meio Ambiente (SEMMA) da Prefeitura de Vila Velha volta a ser alvo de polêmica e denúncias. Desta vez, as acusações partem do advogado e servidor público Ivan Arpini, que afirma ter reunido provas de irregularidades envolvendo a atual subsecretária e secretária interina da pasta, Isabela Igreja. O caso reacende críticas à condução da secretaria, já questionada anteriormente por nepotismo, quando o primo do prefeito Arnaldinho Borgo, Ricardo Klippel Borgo, ocupou o cargo de secretário antes de pedir exoneração, em julho de 2025.

Segundo Arpini, que também é policial penal, a denúncia surgiu após a divulgação de um vídeo em suas redes sociais. No material, ele apresentou áudios atribuídos a Isabela, então subsecretária, pedindo que um “despachante ambiental” intermediasse um pagamento via PIX a uma empresa de móveis, em troca da liberação de uma empresa multada pela SEMMA.

“Denunciei um esquema imoral, ilegal, obscuro e não republicano. Ela me processou dizendo que eu estava mentindo, mas levei ao processo provas de que realmente havia solicitação de PIX e tratativas para beneficiar empresários”, afirmou.

Denúncia expõe irregularidades e supersalário em secretaria de Vila VelhaAlém da suposta cobrança de propina, Arpini aponta acúmulo de cargos e a formação de um supersalário que, segundo contracheques obtidos, ultrapassaria R$ 42 mil brutos em alguns meses. Em agosto de 2025, Isabela acumulava os cargos de subsecretária (R$ 9.883,10), secretária interina (R$ 13.016,90 complementares) e gerente interina, função que lhe garantia produtividade de R$ 5.276,54.

Com acréscimos de auxílio-alimentação, férias e 13º proporcional, a remuneração chegou a R$ 42.915,92 brutos — valor próximo ao teto constitucional e superior ao salário do próprio prefeito. “Isso é um tapa na cara da sociedade: uma pessoa acumulando funções e pagando produtividade para ela mesma. Só comissionado de alto escalão recebendo mais de R$ 42 mil por mês”, criticou Arpini.

Após a repercussão da denúncia, a subsecretária deixou oficialmente a função de gerente interina no início de setembro e nomeou outro servidor para o cargo. No entanto, segundo o denunciante, a medida ainda permite que ela retome a função e a gratificação caso não seja efetivada como secretária titular.

“É um jogo administrativo para que, de qualquer jeito, ela continue garantindo benefícios pessoais, em total desrespeito à moralidade e à transparência que deveriam pautar a gestão pública”, disse.

O caso se soma ao histórico de questionamentos envolvendo a SEMMA. Ainda neste ano, Ricardo Klippel Borgo, primo do prefeito, pediu exoneração do cargo de secretário após acusações de nepotismo. O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) afirma estar atuando em diversos municípios capixabas contra esse tipo de prática, com base na Súmula Vinculante nº 13 do Supremo Tribunal Federal (STF), que proíbe a nomeação de parentes até o terceiro grau para cargos de confiança na administração pública.

O outro lado

A subsecretária de Meio Ambiente de Vila Velha e secretária interina da pasta, Isabela Igreja Rosa da Silva, procurou a reportagem para esclarecer as acusações feitas pelo advogado e servidor público Ivan Arpini. Ela afirma que sua atuação está dentro da legalidade e que ocupa apenas a função de subsecretária, acumulando interinamente a chefia da secretaria após a saída do titular.

“Estou na subsecretaria de Meio Ambiente desde 2021 e, por decisão da gestão, permaneci também respondendo pela gerência de fiscalização, o que é legal, mas sem acumular remuneração. Na prática, só o gerente recebe produtividade, e esta semana deixei oficialmente esse cargo. Hoje respondo como subsecretária e interinamente como secretária de Meio Ambiente”, explicou.

Sobre os valores de seu contracheque, a subsecretária esclareceu que a quantia questionada pelo denunciante corresponde ao pagamento da primeira parcela do 13º salário e férias, recebidos no mês de seu aniversário. “Esses valores não são salário e não ultrapassam o teto municipal. Meu vencimento está dentro do limite estabelecido por lei”, destacou.

Ela também rebateu a denúncia relacionada a um processo administrativo citado por Ivan. Segundo Isabela, a empresa multada recorreu com base no artigo 11 da Lei 525/2011, que permite a redução da penalidade e a conversão do valor remanescente em doação de bens ou prestação de serviços. “No caso específico, o valor de aproximadamente R$ 9 mil foi convertido em imóveis para uso dos servidores da secretaria, por meio de termo de doação assinado legalmente pela empresa”, esclareceu.

A subsecretária afirma que, após o primeiro vídeo publicado por Ivan, apresentou cópia do processo, áudios e demais provas à Delegacia de Defraudações, que instaurou inquérito e encaminhou o caso ao Ministério Público. “Ele recebeu uma medida cautelar para retirar os vídeos do ar, com multa diária caso descumprisse, e desde então começou a me atacar. O valor que ele alega que estou retirando é, na verdade, a multa que lhe foi aplicada pela Justiça”, concluiu.

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