O bispo da Diocese de Colatina, Dom Lauro Sérgio Versiani Barbosa, se somou a voz crescente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) contra o Projeto de Lei do Licenciamento Ambiental, aprovado pelo Congresso Nacional. A proposta, segundo ele, representa um “retrocesso perigoso” na legislação que regula o desenvolvimento com responsabilidade ambiental no Brasil.
Em pronunciamento público feito esta semana, Dom Lauro foi direto ao criticar o texto do projeto, que segundo ele, “flexibiliza e favorece justamente o desequilíbrio que nós estamos vivendo no nosso país há muito tempo, nessa agressão ao ambiente, à ecologia”.
A preocupação, sustentada por outros membros da Igreja Católica e instituições da sociedade civil, ganha força no momento em que o Brasil contabiliza prejuízos bilionários com enchentes, secas severas e queimadas descontroladas em várias regiões.
A crítica também carrega uma mensagem de alerta moral e espiritual. “Tudo que nós não precisávamos era justamente um projeto de lei que facilitasse o licenciamento ambiental em condições especiais, favorecendo interesses gananciosos e prejudicando o bem comum”, lamentou o bispo.
As declarações ecoam os princípios da encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco, que completa dez anos defendendo uma “ecologia integral” e o combate à cultura do descarte ambiental em nome do lucro imediato.
O posicionamento da CNBB, segundo Dom Lauro, é também um chamado à mobilização da sociedade brasileira em defesa do que ainda resta dos biomas nacionais. “Esperemos que esse projeto não prospere. Esperemos que a sociedade realmente levante a sua voz e proteste, como está fazendo também a Igreja Católica, através da CNBB, através de vários organismos ligados à questão ambiental”, disse.
A crítica acontece num momento simbólico: o Brasil se prepara para sediar, em 2025, a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP), em Belém (PA), e se apresenta ao mundo como liderança ambiental.
O bispo lembrou que esse cenário exige coerência entre discurso e prática. Para ele, sancionar o PL seria caminhar na contramão do que se espera de uma nação que abriga a maior floresta tropical do planeta. O apelo, agora, está nas mãos da Presidência da República, que decidirá se atende ao coro crescente que pede o veto ao projeto.










