Vereador é acusado de humilhar servidora ligada à umbanda e caso vai parar na delegacia

Por Mary Martins*

Uma discussão acalorada no plenário da Câmara Municipal da Serra resultou em um boletim de ocorrência na delegacia. O episódio envolveu o vereador Antônio Carlos CEA e a servidora do Legislativo, Saionara Paixão, ligada ao movimento religioso Umbanda.

O embate teve como pano de fundo um debate político sobre a atualização do Regimento Interno da Casa, aprovada na semana anterior por meio do Projeto de Resolução nº 10/2025.

Entre as alterações, está a ampliação da nomenclatura da Comissão de Direitos Humanos, que passa a incluir novas categorias, como os Povos Tradicionais, e substitui a expressão “do Negro” por “Igualdade Racial”.

Durante a sessão que aprovou as mudanças, o vereador CEA se manifestou de forma crítica, questionando a relevância da comissão. Ele declarou que a comissão seria “completamente irrelevante” e que “todos somos iguais” perante a Constituição Federal.

As declarações foram interpretadas de forma negativa por representantes de movimentos sociais, especialmente de lideranças negras e de religiões de matriz africana, que já haviam se posicionado anteriormente contra declarações do parlamentar, alegando intolerância religiosa.

Na sessão dessa segunda-feira (12), o tema voltou à pauta quando o vereador Evandro de Souza Ferreira saiu em defesa de CEA. A intervenção provocou reação da servidora Saionara Paixão, que, de dentro da cabine de comunicação, manifestou-se contrariamente. A atitude foi repreendida por CEA e outros vereadores.

A tensão escalou quando o vereador dirigiu-se pessoalmente à servidora, resultando em um desentendimento verbal. Saionara afirmou ter se sentido “humilhada” e deixou o plenário, dirigindo-se posteriormente à delegacia para registrar ocorrência.

De acordo com informações de bastidores, os dois já haviam protagonizado um episódio anterior de conflito, também relacionado a acusações de intolerância religiosa, durante uma sessão solene em homenagem à Insurreição do Queimado.

Após o ocorrido, a sessão foi interrompida e, mesmo com a retomada dos trabalhos, o clima permaneceu tenso entre os parlamentares e os servidores presentes. A Câmara não se manifestou oficialmente sobre o episódio.

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