Fuzil apreendido em Vila Velha iria para facção ligada ao TCP

Um fuzil avaliado em cerca de R$ 50 mil foi apreendido pela Polícia Civil no último sábado (13), na Praia de Itaparica, em Vila Velha. Durante a operação, um homem de 34 anos foi preso transportando o armamento de alta letalidade. Com alcance de até 600 metros e capacidade para atravessar paredes, a arma poderia reforçar o poder de fogo de facções criminosas e até ser usada em confrontos contra as forças de segurança. De acordo com a corporação, a ação impediu uma negociação ligada ao Terceiro Comando Puro (TCP), facção criminosa do Rio de Janeiro.

O fuzil calibre 5.56 foi encontrado durante uma operação conduzida pelo Departamento Especializado em Narcóticos (Denarc), com apoio da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core). Além do armamento, os policiais apreenderam três carregadores.

Arma de alto poder destrutivo

Segundo o delegado-geral da Polícia Civil (PCES), Jordano Bruno, a apreensão fortalece o trabalho das forças de segurança em todo o território capixaba ao retirar de circulação um armamento de alto poder destrutivo e reduzir os riscos de confrontos armados.

“Uma vez que a gente retira esse tipo de armamento dessas facções, a gente reduz enormemente a capacidade dessas pessoas realizarem homicídios, principalmente através dos famosos ataques, em razão da disputa territorial entre as facções”

Ao comentar a apreensão, o delegado destacou os riscos que um armamento desse porte representa quando está nas mãos do crime organizado. “Um equipamento como esse, na mão de uma organização criminosa, de uma facção, tem uma capacidade de precisão e letalidade muito alta. Isso acaba, por vezes, impactando diretamente no número de homicídios e mortes, mas também gera uma insegurança muito grande para os moradores, para a população local, quando vê esses traficantes andando em via pública exibindo esse tipo de armamento ou simplesmente postando em redes sociais”.

O delegado também chamou atenção para o medo que uma arma desse porte pode causar entre os moradores, já que a presença de um armamento de alta letalidade nas mãos de criminosos aumenta a sensação de insegurança na região. “A pessoa saber que no bairro existe alguém com um armamento desse traz uma insegurança muito grande. Também é um armamento que eventualmente pode ser utilizado no enfrentamento às forças de segurança pública. Então, é uma forma de garantir a plena e total atuação das forças de segurança pública em qualquer local, em qualquer território capixaba, sem que haja nenhum tipo de confronto armado, como via de regra ocorre”, citou.

Fuzil apreendido em Vila Velha iria para facção ligada ao TCP
A apreensão fortalece o trabalho das forças de segurança em todo o território capixaba ao retirar de circulação um armamento de alto poder destrutivo e reduzir os riscos de confrontos armados.

Fuzil avaliado em R$ 50 mil

Jordano Bruno mencionou que o equipamento é um fuzil 5.56. “É um equipamento que está em plenas condições de uso, avaliado no mercado entre R$ 50 mil e R$ 60 mil. Esse equipamento tem capacidade de precisão de até 600 metros. Então, isso demonstra o perigo de uma arma dessa na mão de um criminoso. Sem falar que, devido à potência desse fuzil, ele consegue atravessar tranquilamente paredes e latarias de veículos, o que o torna extremamente letal, podendo até mesmo atravessar uma ou duas pessoas.”

O delegado destacou que a apreensão é considerada muito significativa e faz parte de uma das prioridades da Segurança Pública e da Polícia Civil. Segundo ele, sempre que houver informações sobre armas de grosso calibre e de alta letalidade, como o fuzil apreendido, as equipes irão priorizar ações para retirar esse tipo de armamento das mãos de criminosos.

Investigação sobre a origem e o destino da arma

Segundo o chefe do Departamento Especializado em Narcóticos (Denarc), delegado Ricardo Almeida, a ação conseguiu impedir uma negociação de armas de fogo ligada ao Terceiro Comando Puro (TCP), facção criminosa originária do Rio de Janeiro.

“O suspeito preso não tinha registro criminal. Ele confessou que recebeu R$ 2.500 para fazer o transporte desse armamento de uma comunidade na região de Bangu, no Rio de Janeiro, a comunidade Vila Aliança, que possui atuação do TCP. Ele veio até o Estado e iria repassar esse armamento para criminosos locais”.

Ainda de acordo com Ricardo Almeida, as investigações continuam para identificar qual seria o destino final do armamento e em qual área de atuação do TCP, no Espírito Santo, ele seria entregue. “Em relação à ponta da oferta, vamos trabalhar em conjunto com as agências de segurança do Rio de Janeiro para fazer a investigação quanto à origem da arma”.

A origem do armamento também está sendo investigada pela Polícia Civil. “Esse armamento é de fabricação nacional e a numeração dele está raspada. Então, vamos encaminhar esse fuzil para a Polícia Científica, a fim de realizar os exames necessários para tentar revelar a numeração e possibilitar o rastreamento de sua origem”, explicou o delegado.

Segundo o delegado, o suspeito preso no Espírito Santo é morador da comunidade Vila Aliança, no Rio de Janeiro, mas trabalha em uma empresa de telecomunicações e mantinha vínculo profissional no Estado.

“De acordo com o delegado, o suspeito confirmou ter recebido o dinheiro de um integrante de facção criminosa para transportar o armamento. Apesar de negar qualquer vínculo com o grupo, ele alegou que aceitou a proposta porque precisava ajudar a quitar uma dívida da irmã com um agiota. A versão apresentada por ele ainda será apurada durante as investigações”.

O delegado ainda completou que, por se tratar de uma atividade comercial, na modalidade transportar, ele acabou sendo autuado no artigo 17 do Estatuto do Desarmamento, que prevê pena superior à do crime de porte ilegal de arma. A pena varia de seis a doze anos.

Fuzil apreendido em Vila Velha iria para facção ligada ao TCP
Delegado-geral da Polícia Civil (PCES), Jordano Bruno e chefe do Departamento Especializado em Narcóticos (Denarc), delegado Ricardo Almeida.

Transporte no contexto de atividade comercial ilegal

Ao mencionar o caso, o delegado explicou uma das estratégias usadas por facções criminosas para transportar armas e drogas sem levantar suspeitas. “Não é uma simples oferta de oportunidade; muitas vezes há algum tipo de pressão para que aceitem. Por se tratar de uma pessoa acima de qualquer suspeita, fica muito mais fácil ela chegar até aqui. Ela não está sendo rastreada, monitorada, está fora do radar da polícia para poder trazer um equipamento como esse”.

Ricardo Almeida relatou que o suspeito saiu de carro da região de Bangu, no Rio de Janeiro, na manhã de sábado, e seguiu para o Espírito Santo. Ao chegar ao Estado, ele se hospedou em um hotel na Praia de Itaparica, em Vila Velha.

“Chegou à tarde. Acabou sendo abordado nas proximidades do hotel e foi uma opção da investigação realizar a abordagem para evitar que ele conseguisse fazer essa entrega. Queríamos evitar qualquer risco de que essa arma fosse parar nas mãos de faccionados locais. Provavelmente, se caísse nas mãos desses criminosos, seria utilizada invariavelmente em ataques ligados ao tráfico.”

O delegado afirmou ainda que o suspeito já havia se hospedado no Estado e seguia para realizar a entrega do armamento. Segundo as investigações, a negociação do fuzil já havia sido concluída anteriormente, cabendo a ele apenas o transporte da arma até o destino final.

“O armamento estava desmontado, em três partes, dentro de uma bolsa. Mas em uma desmontagem de primeiro escalão, que chamamos de desmontagem sem necessidade de ferramentas. Estava dividido, sem a coronha e com o cano separado. Em cerca de um minuto, o criminoso já conseguiria colocá-lo em pronto emprego.”

O delegado fez questão de esclarecer que o suspeito e o armamento já estavam no Estado. Segundo ele, essa era uma informação que já estava sob monitoramento do setor de inteligência.

“O dia, a hora, o minuto e o segundo em que ele faria a entrega nós não sabíamos. Então, havia um risco enorme de ele sair do hotel de madrugada, à noite ou em qualquer outro horário, ou de alguém ir até o hotel para receber esse armamento, sem que conseguíssemos retirá-lo de circulação. Por isso, era muito arriscado aguardar o momento do encontro, já que não sabíamos o local, nem quem seria a pessoa que receberia o armamento.”

Ricardo Almeida esclareceu ainda que a decisão foi priorizar a apreensão da arma, mesmo sem que fosse possível identificar ou localizar o comprador naquele momento. O objetivo era impedir que o armamento chegasse ao destinatário final, que provavelmente não seria um líder da facção criminosa. A suspeita é de que outro intermediário, também aliciado pela organização, seria enviado para receber o armamento e levá-lo até a área de atuação do grupo.

O nome do hotel onde o suspeito estava hospedado não foi divulgado, pois a informação integra a investigação em andamento.

Por que a polícia não esperou o comprador

Fuzil apreendido em Vila Velha iria para facção ligada ao TCP
Equipamento é um fuzil 5.56, de alta capacidade de letalidade. “É um equipamento que está em plenas condições de uso, avaliado no mercado entre R$ 50 mil e R$ 60 mil.

O delegado afirmou que não seria possível simplesmente esperar o comprador aparecer. Segundo ele, operações desse tipo exigem uma análise cuidadosa, principalmente quando envolvem armamentos de grande poder de fogo.

De acordo com o investigador, em situações envolvendo outro tipo de material, o risco poderia até ser avaliado. No entanto, diante da apreensão de um fuzil, a decisão foi agir imediatamente, sem margem para arriscar.

“Ele saiu pela manhã do Rio de Janeiro. Como trabalha aqui, faz frequentemente esse deslocamento entre Rio de Janeiro e Espírito Santo. Estamos investigando essa negociação há cerca de dez dias. Ele foi preso por volta das 15h ou 16h. Do Rio de Janeiro até aqui são aproximadamente sete horas de viagem. Mas volto a frisar: quando estamos diante de uma pessoa transportando algo tão perigoso quanto esse armamento, não dá para ficar aguardando a sorte. Temos que atuar de forma rápida”.

Ligação com o TCP e prisão preventiva

O delegado reforçou que o armamento veio de uma facção do Rio de Janeiro, o TCP, que alimenta grupos em diversos estados do Brasil e que possui integrantes também no Espírito Santo. “Essa franquia criminosa fornece equipamentos, drogas, logística, tecnologia, dinheiro e diversas outras coisas prejudiciais à sociedade. Entre essas preocupações, uma das principais é justamente esse tipo de armamento. Uma vez que retiramos esse tipo de material de circulação, trazemos mais tranquilidade para a sociedade e para que as forças de segurança possam continuar atuando”.

O suspeito foi preso de forma preventiva e será encaminhado ao presídio. “Em razão da gravidade do crime e do envolvimento com facção criminosa, representamos pela prisão preventiva. Espero que seja decretada. O crime é comércio ilegal de arma de fogo, na modalidade transportar. A pena é de seis a doze anos de reclusão, o dobro da pena do simples porte ilegal de arma”, finalizou.

Polícia Civil apreende fuzil avaliado em R$ 50 mil e prende suspeito em Vila Velha

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