Estudantes do 8º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Placidino Passos participaram de ação voltada à conscientização sobre valorização da mulher, prevenção e enfrentamento à violência feminina. A atividade foi conduzida pela delegada Amanda da Silva Barbosa, da Divisão Especializada de Atendimento à Mulher e à Criança e ao Adolescente da Polícia Civil do Espírito Santo, vinculada à 13ª Delegacia Regional. A iniciativa ocorreu após solicitação da própria unidade escolar de Aracruz, que buscou promover informação e orientação aos estudantes sobre diferentes formas de violência e sobre a importância do reconhecimento e da denúncia de agressões muitas vezes naturalizadas socialmente.
Segundo a delegada, a participação não integrou uma programação institucional fixa da Polícia Civil, mas atendeu a um convite da escola. “Na verdade esta palestra não faz parte de um programa da Polícia Civil, e sim um convite que eu recebi da escola para poder compartilhar informações sobre esse assunto tão importante, que é a violência contra a mulher, e que infelizmente está cada vez mais presente na sociedade”, afirmou.
Durante o encontro, Amanda da Silva Barbosa compartilhou experiências vividas em sua atuação na chefia policial, relatando casos de mulheres atendidas após sofrerem agressões praticadas por companheiros. A partir desses relatos, destacou a necessidade de mobilização de diferentes setores sociais para fortalecer redes de apoio e ampliar a conscientização sobre mecanismos de proteção.
Ao abordar fatores culturais relacionados à permanência em relações abusivas, a delegada falou sobre padrões sociais impostos às mulheres. “Em nossa sociedade existe um modelo para nós mulheres, e não importa o quão instruída você seja, ou quão bem-sucedida. Se não tiver um par, é como se tivesse alguma coisa errada, porque isso vem de uma cultura que vende a ideia do amor romântico, de que precisamos estar em um relacionamento para sermos felizes. Ou seja, se estou sozinha, estou incompleta. E em função disso, muitas pessoas enfrentam relacionamentos abusivos e violentos, porque o nosso meio embutiu em sua cabeça que ela precisa de alguém para ser feliz. Temos que ter em nossa mente e coração que nós, mulheres, somos perfeitamente capazes de ser felizes, plenas e realizadas mesmo estando solteiras. Relacionamento não é, necessariamente, sinônimo de felicidade, porque se assim o fosse, não existiriam separações”, declarou.
A palestra também apresentou aos estudantes informações sobre diferentes formas de violência contra a mulher, incluindo agressões físicas, morais, psicológicas e verbais. Durante a explanação, a delegada destacou o chamado ciclo de violência presente em muitos relacionamentos abusivos. “Não consigo entender uma mulher que ouve xingamentos de seu parceiro, que diz que a ama, e no outro dia está tudo bem. Há alguma coisa errada. É um ciclo de violência, porque o mesmo homem que grita e se esperneia, é o mesmo que depois pede perdão e que fala que vai mudar. Essa mudança não será repentina, e só acontecerá se tivermos empenho”, afirmou.
De acordo com o diretor da escola, Carlos Augusto, a ação foi organizada para ampliar o acesso à informação dentro do ambiente escolar e fortalecer o conhecimento dos estudantes sobre direitos, proteção institucional e prevenção. “Nós buscamos fortalecer o conhecimento sobre os direitos das mulheres, os mecanismos de proteção disponíveis e o papel das instituições no enfrentamento dessa problemática, contribuindo para a construção de uma cultura de respeito e proteção”, explicou.









