Lideranças, gerentes e seguranças do tráfico de drogas. O inquérito concluído pela Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) resultou em 19 pessoas indiciadas, das quais cinco estão foragidas. Os indiciados fazem parte de uma das maiores organizações criminosas do estado, o Terceiro Comando Puro (TCP), que atua com tráfico de drogas, principalmente no bairro Cruzamento, em Vitória. A apresentação dos indiciados foi feita nesta quinta-feira (10).
De acordo com o coordenador do Centro de Inteligência e Análise Telemática (Ciat), delegado Alan Moreno de Andrade, a Operação Krampus, teve início no final de dezembro de 2023, com o objetivo de combater o tráfico de drogas no bairro Cruzamento, que é associado ao Terceiro Comando Puro (TCP), liderado pelos irmãos Vera.
Alan Moreno de Andrade destaca que a principal liderança atuante no estado se tratava de Luan Gomes Faria, o “Luan Vera”, de 32 anos, capturado em novembro de 2023, no bairro Nova Palestina, em Vitória. Luan era considerado um dos traficantes mais procurados do Espírito Santo.
“Quando as investigações começaram, pela hierarquia do tráfico de drogas, estava o Luan como chefe. Abaixo dele vinha a gerência, que na ocasião era o Deivid Nogueira Machado Pirola, depois seguia pela segurança e contenção e, por último, o grupo que ficava na venda”, detalhou.
Além de Deivid, que era gerente do bairro do Cruzamento, a associação criminosa contava ainda com: Luiz Claudio Porfirio de Souza (Ceifador), Ricardo de Almeida Conceição (Negona), Riquelme Trindade do Santos (Coyote) e Douglas Florentino Firmiano da Silva (Peza) como gerentes.
“Esses grupos criminosos costumam ter mais de um gerente. Isso porque se por acaso um for preso ou morto, eles têm alguém para colocar no ‘posto’ na falta de outro.”
Veja a estrutura:

O delegado ressalta que, além do bairro Cruzamento, a equipe atuou em outras regiões, como: Itararé, Ilha de Santa Maria e Morro do Macaco. “A operação contemplou todos esses bairros, mas durante o estudo e análise, vimos que o bairro do Cruzamento não recebia operação policial há um tempo e merecia uma atenção”, explicou.
Comunicação
Alan Andrade pontua que o principal meio de comunicação do grupo criminoso era o WhatsApp, onde os integrantes trocam mensagens sobre contenção no morro e possíveis ataques.

Associação criminosa com adolescente
Ainda segundo o delegado e coordenador do Ciat, o grupo aliciava menores de idade para fazer parte do Terceiro Comando Puro. “Geralmente eram meninos entre 12 e 13 anos. Isso porque nessa idade eles têm mais disposição, menos medo e se por acaso forem pegos, não terão tempo de prisão como adultos. Esses adolescentes começam comprando refrigerante em um bar, daí acabam entregando uma droga para algum usuário na rua, vão crescendo até ganharem ‘respeito’”, explicou.
“Irmão Vera” no RJ
Alan Andrade frisa ainda que, Bruno Gomes Faria, o “Nono”, está residindo no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro.
“Nós sabemos que ele está lá. Já realizamos operação, mas, infelizmente, ainda não conseguimos capturá-lo. Nessa residência que fomos, encontramos objetos pessoais como documentos que indicam a presença dele naquele local”.
Bruno (Nono) é considerado pela polícia a 2ª pessoa mais procurada. “Sabemos que a prisão dele é de grande importância e impacto. Ele faz comandos do Rio de Janeiro aqui para o Espírito Santo, além de enviar armas e drogas, por isso, pedimos ajuda da população com qualquer informação que possa ajudar à polícia”, declarou.

Tentativa de homicídio de “Irmão Vera” na prisão
Questionado sobre o ataque no dia 10 de fevereiro deste ano, na Penitenciária de Segurança Máxima 2 (PSMA 2), em Viana, na Grande Vitória, Alan Andrade esclareceu que grupos rivais se enfrentaram. “Não se tratava de detentos da mesma facção. Eram integrantes de um grupo rival que fazem parte do Primeiro Comando de Vitória (PCV), que são novos integrantes do PCV. Naquele momento eles queriam impor poder.”
Na ocasião, 20 detentos se envolveram em uma confusão onde Luan Gomes Faria, o Kamu, e Gabriel Gomes Faria, o Buti, lideranças da facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP) estavam presentes e foram atingidos.
Indiciados
O delegado pontua a lista dos denunciados que vão responder pelos crimes de organização criminosa, tráfico de drogas e associação para o tráfico, com agravantes previstos na legislação específica. Até o momento, 14 deles encontram-se presos.
01) Wesley Tiago Silveira (vulgo Dino TCP) – 26 anos
02) Luiz Cláudio Porfírio de Souza (vulgo Ceifador) – 25 anos
03) Deivid Nogueira Machado Pirola (vulgo Baleado / NOG) – 22 anos
04) Douglas Florentino Firmiano da Silva – 26 anos
05) Ricardo de Almeida Conceição (vulgo Negona) – 26 anos
06) Riquelme Trindade dos Santos (vulgo Coyote) – 20 anos
07) Evandro dos Santos Franklin (vulgo E.F Express) – 31 anos
08) Lucas Felipe Franco (vulgo Rajada) – 28 anos
09) Maykon Araújo de Almeida (vulgo Neguim Favela) – 39 anos
10) João Vitor Ferreira – 33 anos
11) Lucas Gomes Matos (vulgo LC) – 21 anos
12) Marcelo Júnior Nascimento Santos Pereira (vulgo Branquinho) – 21 anos
13) Márcio de Oliveira da Cruz (vulgo Ferrugem) – 27 anos
14) Filipe Florentino Paulino (vulgo Caio Castro) – 28 anos



Foragidos
Ainda segundo o delegado, a equipe pede ajuda da população para encontrar os foragidos.
01) Rulicley Florentino Firmiano da Silva (vulgo 3R) – 29 anos
02) Enzo Pedrosa Faasen – 24 anos
03) Jorge Otávio de Souza Silva – 23 anos
04) Uerick Pereira da Silva (vulgo WK3) – 20 anos
05) Christian Augusto da Silva (vulgo Laranja) – 20 anos


A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) reforça que a operação foi realizada por meio do Centro de Inteligência e Análise Telemática (Ciat), com apoio da Subsecretaria de Inteligência (Sei) da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp).









