As 17 toneladas carne irregular que foram apreendidas pela Polícia Civil em uma empresa de Guarapari são transformadas em farinha e depois ração. Tratam-se de restos de animais, como ossos, sebo e miúdos.
Segundo o titular da Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon), o material era coletado como resto, sem as condições de higiene que os frigoríficos sérios fazem. “Os restos bovinos não eram coletados como se fossem destinados à alimentação humana. Desde o momento que arrecadavam até a armazenagem era feito de uma forma totalmente errada, inadequada de armazenamento”.
Segundo Passamani, a legislação estadual prevê que o produtor do resíduo, entre eles frigoríficos, açougues e supermercados, devem encaminhar os restos de animais direto para o destinatário final, que é a graxaria.
Na graxaria é feita uma farinha, que depois é transformada em ração. “Podem ter uma transportadora, para pegar de um local enviar para outro, mas a partir do momento que encaminham sem nota, sem rastreabilidade para um intermediário, eles podem responder por crime contra relação de consumo até uma associação criminosa se mostrar que participavam do processo”, afirmou o delegado.
Agora, a Polícia Civil vai investigar quais estabelecimentos estavam fornecendo restos de animais para a empresa, que foi interditada. É o mesmo local alvo de operação em 2022. Ou seja, eles voltaram a atuar com a mesma prática.
“Na época identificamos uma empresa que funciona em Guarapari e recolhia restos de animais sem origem. Pegavam partes bovinas não consumidas normalmente no país, como rins, pulmões, aorta, tendão e pênis bovino, para revender de forma clandestina. Conseguimos identificar alguns locais e os indiciamos. Depois disso, ficamos monitorando para que não voltassem a realizar essa prática aqui no Estado. Recebemos a informação de que eles foram para Campos, no Rio de Janeiro, onde o Ministério da Agricultura. junto com a Polícia Militar. fechou o estabelecimento deles. No início desse ano eles tentaram voltar para o estado”, afirmou o delegado.
O delegado afirma ainda que as ações foram acompanhadas. “Foi feito monitoramento e coleta preliminar de provas que comprovaram que estavam atuando em açougues e supermercados. Ralizamos coleta preliminar de provas, o Ministério da Agricultura e o Idaf agiram juntos para constatar que, mais uma vez, estavam armazenando subprodutos. Esse material deveria ser destinado, retirado do local e encaminhado diretamente para a graxaria, uma empresa que faz farinha para produzir ração de consumo animal. Eles recebiam como resto, mas não davam o destino correto que é a graxaria”.
Todo material foi recolhido dessa vez e deverá ser descartado de forma adequada. “Vamos tentar identificar mais uma vez para onde estão enviando esses subprodutos. Mas o material todo foi recolhido e determinamos a obrigação dele mesmo dar o descarte, tendo que pagar para dar o destino correto desse material no aterro sanitário”.
Os responsáveis não estavam no momento da apreensão, mas, de acordo com os investigadores, há indícios de que sejam as mesmas pessoas de 2022, e todos serão investigados novamente. “A intenção é terminar de fazer a produção de provas e pedir a prisão de todos eles, para que não voltem a fazer o que estão fazendo”.
População deve ficar atenta
O delegado faz um alerta para toda população. “Fiquem atentos à procedência dos produtos que vocês vão consumir, prefira àquelas marcas que você já conhece, já sabe a procedência e desconfie dos preços desses produtos”.









