A neuralgia do trigêmeo é um tipo de dor, conhecida como dor neuropática, que acontece por alguma compressão, geralmente do nervo trigêmeo no cérebro. O ator George Clooney, que tem a doença, a definiu como “intensa e incapacitante”, que afeta a qualidade de vida”.
Além dele, Johnny Depp e Márcia Cross também convivem com a doença. Longe da fama e de todos os recursos para ter mais qualidade de vida está Eliane de Fátima, de 53 anos, que parou até de trabalhar.
Diagnosticada no ano 2000, ela faz tratamento no Hospital Evangélico e sonha em ter uma vida normal. “Descobri que tinha neuralgia no antigo Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Industriários (IAPI). Eu tomo duas medicações e, mesmo assim, tenho crises. Nesses dias, realizar tarefas simples, como escovar os dentes, fica impossível”, afirma.
O neurocirurgião Paulo Mariano explica sobre essa doença que poucos conhecem. “É uma compressão que acontece por algum vaso, normalmente uma artéria que encosta no nervo trigêmeo. Quando essa artéria encosta no nervo trigêmeo, ela provoca uma descarga no nervo e essa descarga é sentida como uma dor, normalmente uma dor excruciante no lado do rosto acometido. Então, o que seria essa neuralgia? É uma dor muito intensa de um lado do corpo, que acontece geralmente em crises. O paciente pode ter uma crise que dura, às vezes, uma hora, duas horas, três horas, e pode vir várias vezes no dia, ou mais espaçado, uma vez por dia, ou uma vez por mês. É uma dor do nervo”.
A neuralgia é mais comum em mulheres. A cada três mulheres, dois homens tem a doença. “A faixa etária de aparecimento do início da doença é em torno de 60, 70 anos, sendo o mais comum. Mas pode acontecer com qualquer idade. Pode acontecer com pacientes mais jovens, com 30, 40 anos, só que é menos comum”.
Para Eliane, a doença travou a vida. “Eu gosto muito de trabalhar, já trabalhei em casa de noivas, fazia minhas faxinas, tinha alegria de viver, hoje em dia eu me privo de algumas coisas. Eu não vou em lugares com muito vento, porque meu médico me disse que é ruim. Também evito lugares muito populosos, porque tenho medo de ter uma crise”.
Cirurgia
Existem algumas formas de realizar a cirurgia. “Nós temos o balão do trigêmeo, que é uma cirurgia percutânea, menos invasiva, que a gente introduz uma agulha pelo rosto do paciente, no crânio, para atingir o nervo. Essa agulha pode agir de duas maneiras: você pode fazer uma radiofrequência, como se fosse queimar o nervo, e poder parar de doer, bloqueando o sinal da dor. Outra opção é insuflar um balãozinho do lado do nervo, que dá uma compressão no nervo, que também faz o nervo diminuir o sinal da dor, parar o sinal da dor”, diz o médico.
Ele destaca que essas duas formas de cirurgia são boas para o paciente. “São procedimentos menos invasivos, que podem ser feitos até com paciente acordado, com uma sedação, que garantem uma melhora da dor por alguns anos, às vezes, até mesmo para a vida inteira”.
O especialista destaca que em alguns casos, o procedimento pode não ser tão eficiente, e ai outra forma de operar é indicada. “Quando esse tratamento do balão, ou da rizotomia, que é uma agulha percutânea, falham, aí nós temos realmente que partir para uma cirurgia mais agressiva, que seria uma craniotomia. A gente abre a cabeça do paciente na região de trás, onde fica esse nervo, e separa o vaso do nervo. Colocamos um entreposto, um músculo da própria pessoa, ou um tecido chamado de teflon entre o vaso e o nervo, para esse vaso não encostar no nervo e não dar o disparo da dor”.
Tratamento
O tratamento da neuralgia normalmente é clínico e medicamentoso. “Existe um remédio chamado de carbamazepina, que é uma medicação que controla bem essas crises de dor do paciente. Então, a maioria dos pacientes respondem bem ao tratamento medicamentoso e ficam tomando esse medicamento por alguns anos ou, até mesmo, a vida inteira. Quando o tratamento clínico falha, o paciente não consegue tomar o remédio porque tem muito efeito colateral ou o remédio não está resolvendo a dor, aí temos várias opções para tratamento, mais agressivas e opções menos agressivas”.
A pior dor
“Os pacientes que sofrem da neurologia costumam dizer que é a dor mais intensa que existe na face da terra, que é a pior dor do mundo. As mulheres falam que é muito pior que a dor do parto. Se as crises forem muito frequentes, pode chegar a piorar a qualidade de vida do paciente a ponto de ele não conseguir fazer nada. Ele pode ficar praticamente inválido devido à dor. Imagina você sentindo uma dor tão intensa o tempo todo ou várias vezes no dia?”.
Eliane afirma que não tem condições de fazer a cirurgia. “Meu sonho é operar, mas pelo SUS não é possível. Eu tenho muita vontade de viver, voltar a trabalhar, mas as crises me impedem”.









