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Diabetes matou mais de 1,1 mil pessoas no Espírito Santo em 2022

14 de novembro é o Dia Mundial da Diabetes, uma data criada em 1991, e que é no aniversário de Sir Frederick Banting, co-descobridor da insulina, juntamente com Charles Best. A doença é crônica e impede o organismo a produzir insulina ou empregá-la adequadamente.

A insulina é o hormônio produzido pelo pâncreas responsável pela manutenção do metabolismo da glicose. Sua falta provoca déficit na metabolização da glicose e, consequentemente, a diabetes. A doença caracteriza-se pelas altas taxas de açúcar no sangue de forma permanente.

É possível conviver com o mal, mas a diabetes também pode levar à morte. De janeiro de 2020 a 5 de outubro de 2022, o estado registrou 4527 mortes decorrentes da diabetes. O número veio crescendo ao longo dos anos: em 2020 foram 1516 óbitos, subindo para 1892 no ano seguinte e pessoas. Neste ano, o Espírito Santo já registrou 1119 vítimas da doença.

A endocrinologista e metabologista, Priscila Pessanha Faria, explica que os hábitos atuais da população são responsáveis pelo grande aumento no número de casos. “O aumento do consumo de alimentos industrializados, fast food, comidas processadas, e também o estilo de vida mais sedentário são grandes responsáveis pelo aumento de peso das pessoas e pela obesidade que é um grande fator de risco para a diabete”.

O aumento no número de pessoas obesas também é uma preocupação dos profissionais da saúde em relação à diabetes. Os relatórios públicos da Cobertura Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) de adultos, mostram que no Espírito Santo, em 2021 foram acompanhados aproximadamente 150 mil adultos, desses, 32,7% estavam com sobrepeso e 35,61% estavam com obesidade.

Tipos
A diabetes se manifesta principalmente de três formas, e a tipo 1 – cerca de 5 a 10% dos casos – é causada pela destruição das células produtoras de insulina, em decorrência de defeito do sistema imunológico em que os anticorpos atacam as células que produzem a insulina. Já a tipo 2 resulta da resistência à insulina e de deficiência na sua secreção e atinge cerca de 90% dos diabéticos.

As crianças e jovens também são acometidos pela doença, principalmente pela Diabetes tipo 1. No Espírito Santo a média de internações no SUS por conta de diabetes no período de janeiro de 2017 a julho de 2022, foi de 723 pacientes de 0 a 14 anos, segundo a Secretária de Estado de Saúde (SESA-ES).

A Diabetes Gestacional que é a diminuição da tolerância à glicose, diagnosticada pela primeira vez na gestação, podendo ou não persistir após o parto.

De acordo com a 10ª edição do Atlas de Diabetes da International Diabetes Federation (IDF), em todo o mundo 537 milhões de adultos vivem com a doença. No Brasil já são 15,7 milhões de pessoas entre 20 e 79 anos diabéticos.

O custo dos gastos com saúde relacionados à diabetes no Brasil é o terceiro maior do mundo, com 42,9 bilhões de dólares. Além disso, 18 milhões de adultos (11,9%) têm tolerância diminuída à glicose, o que os coloca em alto risco de desenvolver diabetes tipo 2.

Comportamento e prevenção

Os principais fatores de risco para o desenvolvimento da diabetes, de acordo com a endocrinologista e metabologista, Priscila Pessanha, são o histórico familiar, sobrepeso, obesidade e sedentarismo. Ela alerta que, quem se enquadrar a esses fatores precisa ficar de olho nos sintomas e realizar exames laboratoriais periódicos para averiguar as taxas.

“O quadro clínico da diabetes é muito silencioso, então as pessoas acabam não dando muita atenção. Os principais sintomas para identificar a doença são o aumento na vontade de urinar, aumento da sede, sensação de boca seca e também a perda de peso excessiva sem motivo aparente”, aponta a especialista.

Diabetes matou mais de 1,1 mil pessoas no Espírito Santo em 2022Além desses sintomas mais comuns citados pela endocrinologista, há pacientes relatam outras evidências da doença, como é o caso da operadora de caixa, Cirlene Gama, que foi diagnosticada com a doença no tipo 2, em 2019, aos 38 anos. “Descobri fazendo exames de rotina. Os meus sintomas eram enjoos, dor de cabeça forte, tontura, muita sede, boca seca, visão turva, cansaço excessivo e falta de ar”.

Após o diagnóstico, ela conta que os seus hábitos precisaram mudar: “O que mudou foi que tive que aprender a moderar minha compulsão por doces, e também aprender que nem tudo que quero comer me faz bem. Além do remédio, que tomo uma vez ao dia, evito comer coisas gordurosas ou com muito açúcar e também faço exercício físico com mais frequência e tento fazer minha mente entender que tenho diabetes, que é o mais difícil”.

Uma dieta saudável, atividade física e evitar o uso de tabaco podem prevenir ou retardar o diabetes tipo 2. Além disso, a doença pode ser tratada e suas consequências evitadas ou retardadas com medicamentos, exames regulares e tratamento de complicações.

Doutora Priscila aponta que o tratamento da doença é personalizado. “Para diabéticos do tipo 1 o uso da insulina é indispensável, então assim que ocorre o diagnóstico já é receitado o uso. Para pacientes do tipo 2 vai depender do avanço da doença, em alguns casos damos início com medicação via oral e mudança nos hábitos para estabilizar a glicemia, em outros já é indicado o uso da insulina. Na diabetes gestacional o tratamento também é feito com o uso da insulina”.

Infartos e outras complicações

O tratamento do diabetes significa manter uma vida saudável, para evitar as diversas complicações que surgem em consequência do mau controle da glicemia. As altas taxas de açúcar no sangue, por tempo prolongado, podem causar sérios danos, que podem chegar de forma silenciosa e irreversíveis.

Diabetes matou mais de 1,1 mil pessoas no Espírito Santo em 2022Quando a doença atinge grandes artérias e veias, são chamadas de complicações macrovasculares. “O diabético tem uma chance de eventos cardiovasculares de até 4 vezes mais em relação aos outros pacientes. Há risco de acidentes vasculares cerebrais isquêmicos (AVCs), infartos agudos do miocárdio e alguns outros eventos que também podem acontecer, mas esses dois são os mais importantes”, explica Priscila Pessanha.

Outra complicação que a doutora aponta são as chamadas microvasculares, que afetam pequenas artérias e veias. “Pode ter retinopatia diabética e levar à cegueira, complicações neuropáticas, onde a pessoa passa a não ter sensibilidade, sobretudo nos membros inferiores por ter uma certa dormência, então ela pode fazer alguns machucados que viram úlceras, levando a amputações”.

Além de todos esses agravantes, tem a nefropatia, que são alterações renais que levam a insuficiência renal e mais à frente a necessidade de hemodiálise. Os homens ainda podem apresentar dificuldade de ereção e perda de libido, também por conta da diabetes.

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