Expedição científica investiga biodiversidade em cadeia submarina a 1.200 km do ES

Uma nova missão científica no litoral capixaba promete ampliar o conhecimento sobre uma das regiões mais pouco exploradas do Atlântico Sul. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade deu início à 2ª expedição à cadeia de montanhas submarinas Vitória-Trindade, em parceria com o Centro de Biologia Marinha da Universidade de São Paulo e a Universidade Federal do Espírito Santo.

A operação segue até o dia 5 de abril, totalizando cerca de 20 dias de atividades em alto-mar, a aproximadamente 1.200 quilômetros da costa do Espírito Santo.

Leia também: Área submarina em território capixaba pode ser considerada a maior do Brasil

A bordo do navio de pesquisa DeepSea, cientistas e técnicos utilizam tecnologias avançadas para explorar áreas profundas e ainda pouco conhecidas. Entre os principais equipamentos estão os ROVs (veículos operados remotamente), capazes de alcançar grandes profundidades e registrar imagens detalhadas da fauna e do relevo submarino.

A iniciativa conta com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo e da Fundação Espírito-santense de Tecnologia, reunindo uma equipe multidisciplinar formada por pesquisadores, técnicos e profissionais de saúde.

Região estratégica para a biodiversidade

A cadeia Vitória-Trindade é considerada um dos principais hotspots de biodiversidade marinha do Brasil. Formada por montes submarinos e ilhas oceânicas, como o Arquipélago de Trindade e Martim Vaz, a região abriga espécies raras e alto índice de endemismo — ou seja, organismos que não existem em nenhuma outra parte do planeta.

Essas formações funcionam como verdadeiros “oásis” no fundo do oceano, influenciando correntes marinhas e criando condições ideais para a vida. Estudos recentes apontam que montes submarinos podem concentrar biodiversidade até cinco vezes maior do que áreas oceânicas vizinhas.

Além disso, o arquipélago é o principal sítio reprodutivo da tartaruga-verde (Chelonia mydas) no Brasil, espécie ameaçada globalmente e fundamental para o equilíbrio dos ecossistemas marinhos.

Monitoramento e conservação

A expedição integra o projeto de Biodiversidade e Conservação do Arquipélago de Martim Vaz, do Monte Colúmbia e do Monumento Natural das Ilhas de Trindade — unidades de conservação federais sob gestão do ICMBio.

O objetivo é ampliar o monitoramento ambiental dessas áreas, gerar dados científicos inéditos e subsidiar políticas públicas de preservação.

Além da pesquisa, a iniciativa também aposta na divulgação científica. A coordenação executiva conta com a participação da Voz da Natureza, organização voltada à popularização da ciência marinha.

Ciência em áreas ainda desconhecidas

Mesmo com sua importância ecológica, grande parte da cadeia Vitória-Trindade ainda permanece pouco estudada. A dificuldade de acesso, as profundidades extremas e o alto custo das expedições tornam esse tipo de pesquisa raro.

Por isso, iniciativas como essa são consideradas estratégicas não apenas para o Brasil, mas para a ciência global. O mapeamento dessas regiões pode revelar novas espécies, ajudar na compreensão das mudanças climáticas e fortalecer ações de conservação dos oceanos.

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