Especialista alerta: “Estamos literalmente ingerindo plástico”

O dia 5 de junho é dedicado à conscientização sobre o meio ambiente e os impactos causados pela poluição. Uma das maiores ameaças atuais é o plástico, presente em acessórios pessoais, itens de decoração, eventos e embalagens de alimentos. O que parece belo e prático no momento da compra pode se tornar um grave problema ambiental. A Organização das Nações Unidas (ONU) alerta que, se nada for feito, até 2050 os oceanos poderão conter mais plástico do que peixes. Em entrevista ao portal ES Hoje, uma especialista reforça que ainda há tempo para reverter esse cenário.

Segundo a ONU, cerca de 400 milhões de toneladas de plástico são produzidas anualmente no mundo — uma prática que compromete tanto a saúde humana quanto o meio ambiente. No Brasil, aproximadamente 13 milhões de toneladas de plástico são descartadas nos oceanos a cada ano.

O plástico já está presente na água, nos alimentos e até no ar. Diante disso, especialistas alertam para os efeitos diretos à saúde humana.

De acordo com Luana Romero, diretora-executiva do Instituto Ideias, microplásticos já foram encontrados em órgãos humanos, placentas, leite materno e até na corrente sanguínea.

“Isso é extremamente preocupante, pois ainda não compreendemos totalmente os efeitos de longo prazo desses resíduos no organismo. No entanto, há evidências de que eles podem causar inflamações, alterar funções hormonais e aumentar o risco de doenças metabólicas. Estamos literalmente ingerindo plástico, e isso precisa ser tratado como uma emergência de saúde pública”, afirmou.

Especialista alerta: “Estamos literalmente ingerindo plástico”
Luana Romero – diretora-executiva do Ideias fala sobre poluição com plástico e auternativas de redução

Por que o plástico se tornou um problema tão urgente?

Uma pergunta comum é: por que o plástico se tornou um problema global tão difícil de combater? Para Luana Romero, parte da resposta está no baixo custo e na praticidade do material.

“O plástico se popularizou por ser barato e prático, mas o uso desenfreado e descartável gerou uma crise ambiental silenciosa. Ele está em quase tudo — de embalagens de alimentos a produtos de higiene. O grande problema é que ele leva centenas de anos para se decompor e, mesmo fragmentado, continua afetando o meio ambiente na forma de microplásticos. Além disso, interesses econômicos e logísticos dificultam a transição para alternativas sustentáveis”, explicou.

O que cada pessoa pode fazer

A diretora-executiva também ressaltou medidas simples que qualquer pessoa pode adotar no dia a dia para reduzir o uso de plástico.

“Evitar plásticos de uso único, como copos, canudos, sacolas e talheres descartáveis, já é um grande passo. Usar ecobags, garrafas reutilizáveis e potes de vidro em vez de embalagens descartáveis são atitudes simples que geram impacto. Outra dica é observar os rótulos e preferir produtos sem microplásticos, como alguns cosméticos”, aconselhou.

Reciclar é suficiente?

Apesar da importância da reciclagem, Luana Romero enfatiza que a melhor solução ainda é reduzir o consumo.

“O mais eficaz é reduzir. A reciclagem é importante, mas não dá conta de todo o volume de resíduos que produzimos. Menos de 10% do plástico no Brasil é reciclado. Substituir também é necessário, mas com atenção para não trocar por materiais com impactos semelhantes. A prioridade deve ser repensar hábitos e reduzir ao máximo a produção de lixo”, alertou.

Especialista alerta: “Estamos literalmente ingerindo plástico”

É possível viver sem plástico?

A resposta é: totalmente, não. Mas é possível viver com muito menos.

“Hoje, é praticamente impossível viver completamente sem plástico, já que ele está em equipamentos médicos, tecnológicos e até em roupas. Mas podemos, sim, viver com muito menos. O foco deve ser o uso consciente, responsável e duradouro. Produtos descartáveis precisam ser repensados e substituídos por alternativas reutilizáveis”, reforçou.

Políticas públicas e responsabilidade empresarial

A especialista também destacou que a responsabilidade pela mudança é compartilhada entre governos, empresas e sociedade.

“Governos devem implementar políticas que incentivem a economia circular, proíbam plásticos de uso único e fortaleçam a coleta seletiva. Já as empresas precisam rever suas cadeias produtivas, investir em embalagens sustentáveis e promover educação ambiental. A responsabilidade é coletiva, mas os grandes emissores têm um papel central”, disse.

Sobre as metas globais de redução do plástico, Luana afirmou:

“As metas são ambiciosas — e precisam ser. Reduzir drasticamente a produção e o consumo de plástico é uma questão de sobrevivência planetária. Para serem viáveis, é preciso compromisso político, engajamento empresarial e pressão da sociedade. É uma corrida contra o tempo, mas ainda é possível vencer.”

Especialista alerta: “Estamos literalmente ingerindo plástico”
Foto: divulgação

O papel da sociedade e os projetos de educação ambiental

Luana destacou ainda a importância da sociedade civil na construção de um futuro mais sustentável.

“O Instituto Ideias desenvolve projetos voltados à sustentabilidade e à educação ambiental. Atuamos com empresas, governos e comunidades na gestão de resíduos, promoção de práticas ESG e ações de conscientização. Durante a Semana do Meio Ambiente, por exemplo, realizamos palestras e dinâmicas educativas com foco no consumo consciente e na poluição plástica. Hoje (04/06), realizaremos com alunos do Centro Educacional Primeiro Mundo, em Vitória, a palestra interativa ‘Missão Menos Plástico’. A ação une informação e brincadeira para conscientizar crianças sobre sustentabilidade.”

Entre as ações de maior impacto, Luana destacou projetos com comunidades impactadas por grandes empreendimentos e empresas que desenvolvem planos de redução de resíduos com participação ativa dos trabalhadores e da comunidade.

“Mesmo diante do cenário preocupante, ainda há tempo para mudar. Podemos reduzir drasticamente a poluição plástica, proteger a vida marinha, melhorar a qualidade da água e do ar e construir uma economia mais justa e circular. Cada atitude conta, e a ação coletiva é o caminho mais eficaz. Precisamos agir agora — por nós e pelas próximas gerações”, concluiu.

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