Duas alunas da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Francisco Lacerda de Aguiar, no bairro São Pedro, em Vitória, conquistaram medalhas de ouro na Olimpíada Brasileira de Astronomia (OBA). Alice Ferreira Vituriano e Ana Luiza Fernandes Lourenço, ambas do 7º ano, alcançaram nota superior a 9,8 no nível 3 da competição, resultado que coroou meses de preparação e dedicação aos estudos.
As estudantes participaram de um projeto de contraturno escolar coordenado pelo professor de Ciências Danilo Sena, que promoveu aulas específicas para a olimpíada, com revisões de conteúdo, resolução de provas anteriores, rodas de conversa e atividades voltadas ao universo da Astronomia.
Ana Luiza, de 12 anos, estudante da turma 7ºA e moradora da Ilha das Caieiras, contou que a conquista emocionou toda a família.
“Minha família ficou bastante feliz com o resultado. Minha mãe disse que isso vai ajudar bastante no meu futuro. Meu pai também ficou muito feliz, porque é a primeira Olimpíada que eu ganho”, afirmou.
Ela lembra que ficou apreensiva durante a prova, mas que a preparação foi decisiva para o bom desempenho.
“Fiquei nervosa na hora da prova, me senti perdida no começo, mas depois deu tudo certo, graças às aulas que tivemos no contraturno.”
Já Alice Ferreira Vituriano, de 13 anos, da turma 7ºB, também moradora da Ilha das Caieiras, disse que se interessou pela proposta justamente por apresentar um conteúdo diferente do que costuma estudar em sala de aula.
“Achei bem diferente o conteúdo e pensei que seria legal participar. Estudamos bastante, o professor trouxe provas para revisão e continuei pesquisando em casa sobre Astronomia.”
Ensino além da sala de aula
Segundo o professor Danilo Sena, o projeto de contraturno atende estudantes do 8º ano, mas também reúne conteúdos voltados aos alunos do 6º e 7º anos, buscando ampliar o acesso à ciência e fortalecer a aprendizagem.
Durante a preparação para a olimpíada, os alunos resolveram provas de edições anteriores e aprofundaram conhecimentos sobre Astronomia de forma prática e contextualizada.
“O objetivo era buscar o máximo de informações possíveis, trabalhar exercícios e construir esse conhecimento junto com os estudantes”, explicou.

Astronomia ligada à realidade da comunidade
Para facilitar o aprendizado, Danilo utilizou exemplos do cotidiano das alunas, que vivem em uma comunidade tradicionalmente ligada à pesca.
Ele relacionou conceitos astronômicos, como a influência do Sol e da Lua sobre as marés, à rotina da Ilha das Caieiras, tornando o conteúdo mais próximo da realidade das estudantes.
“A Astronomia está presente na pesca por causa da influência das marés. Quando elas percebem que a ciência faz parte do dia a dia, o aprendizado acontece de forma muito mais natural”, destacou.
O professor também acredita que o interesse crescente pelo tema foi impulsionado pelas redes sociais, que aproximaram os estudantes de assuntos como exploração espacial e lançamentos de foguetes.
Sonhos para o futuro
Apesar do excelente desempenho na Olimpíada Brasileira de Astronomia, Alice e Ana Luiza ainda sonham com carreiras diferentes.
Alice pretende seguir a profissão de arquiteta, embora reconheça que o contato com a Astronomia ampliou sua visão sobre a ciência.
Já Ana Luiza demonstra afinidade com a área científica e diz que gosta especialmente da Biologia Marinha, por permitir conhecer espécies e ecossistemas que despertam sua curiosidade. Ela também brinca que já pensou em ser atriz, mas hoje se identifica mais com o universo das ciências.










